Servos cubanos

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N√£o s√£o meras raz√Ķes pol√≠ticas que motivam cr√≠ticas √ɬ† importa√ß√£o de m√©dicos vindos de Cuba. S√£o, principalmente, raz√Ķes humanit√°rias. Tudo indica que os profissionais que come√ßar√£o a chegar ao Brasil na pr√≥xima semana dever√£o ter de se submeter a um regime pr√≥ximo ao de servid√£o, numa rela√ß√£o quase feudal de trabalho. A importa√ß√£o de 4 mil m√©dicos cubanos foi acertada entre o governo brasileiro e o regime castrista. A Organiza√ß√£o Pan-Americana de Sa√ļde entrou como intermedi√°ria da negocia√ß√£o, at√© mesmo para dar um verniz de maior seriedade √ɬ† conversa. Entretanto, ningu√©m sabe dizer ao certo como v√£o se dar as contrata√ß√Ķes. O contratante – o governo petista – diz desconhecer quanto receber√£o os contratados – os m√©dicos cubanos – numa estranha rela√ß√£o de trabalho em que o patr√£o n√£o sabe como remunera seu empregado. Se n√£o sabe, como lhe cobrar√° empenho, dedica√ß√£o e qualidade na presta√ß√£o do servi√ßo? O Minist√©rio da Sa√ļde diz que cabe ao regime dos irm√£os Castro definir o valor a ser embolsado por cada profissional. Se √© assim, e observando o que acontece em outros pa√≠ses, n√£o ser√° f√°cil a vida dos cubanos que come√ßar√£o a desembarcar no Brasil a partir de segunda-feira. O Correio Braziliense divulga hoje um “termo de conduta de trabalho” imposto pelo governo de Cuba a m√©dicos enviados √ɬ† Bol√ɬ≠via em 2006. Para dizer o m√≠nimo, a liberdade deles era quase nula e as condi√ß√Ķes de vida, aviltantes. Tamb√©m foi assim na Venezuela, anos depois. Ser√° que os “nossos” cubanos ser√£o tratados da mesma maneira? “O cubano deveria pedir permiss√£o ao superior caso fosse sair √ɬ† rua depois das 18h, al√©m de informar para onde ia e com quem. Em caso de relacionamento amoroso com algum ‘nativo’, o profissional deveria informar imediatamente o chefe. Os m√©dicos tamb√©m n√£o poderiam fazer empr√©stimos de dinheiro ou dar informa√ß√Ķes sobre Cuba”, resume o jornal. Os m√©dicos cubanos que v√£o trabalhar no exterior s√£o selecionados pelo regime castrista de maneira compuls√≥ria – no Brasil, sequer poder√£o escolher onde atuar. Quem se recusa passa a ser considerado contrarrevolucion√°rio, sujeito √ɬ†s hostilidades da ditadura comunista. Na realidade, os m√©dicos s√£o tratados como meras mercadorias em Cuba – e isso n√£o √© mera figura de ret√≥rica. O item “exporta√ß√£o de servi√ßos m√©dicos” √© o que mais gera divisas para o pa√≠s dos irm√£os Castro, relata a Folha de S.Paulo. Com o neg√≥cio, a ilha arrecada cerca de US$ 6 bilh√Ķes por ano, mais do que consegue com o turismo e com as exporta√ß√Ķes de n√ɬ≠quel, por exemplo. A Venezuela chavista √© um dos maiores importadores da “mercadoria”, trocada por barris de petr√≥leo. O governo brasileiro diz que repassar√° R$ 511 milh√Ķes ao governo de Cuba pela importa√ß√£o. Mas j√° √© sabido que apenas uma pequena fra√ß√£o deste valor chegar√° ao bolso dos m√©dicos. Estima-se que, no fim das contas, o sal√°rio de cada profissional ser√° igual ao que receberia se estivesse na ilha: entre US$ 25 e US$ 41. Ou seja, n√£o passar√° de R$ 100 por m√™s! Um profissional cubano que j√° trabalhou no interior Brasil na d√©cada de 1990 relatou a’O Globo como funciona o sistema. “Quem recebia o dinheiro era a embaixada cubana, que depois nos passava a nossa parte. Quando sobrava um pouco, envi√°vamos de volta para a fam√ɬ≠lia em Cuba. Era muito pouco pela quantidade de trabalho”. N√£o espanta que deser√ß√Ķes sejam comuns. Diante disso, raz√Ķes n√£o faltam para o Minist√©rio P√ļblico, que ontem considerou a contrata√ß√£o dos cubanos “totalmente irregular”, questionar a contrata√ß√£o. As irregularidades incluem aus√™ncia de concurso e remunera√ß√£o abaixo do sal√°rio m√≠nimo. Mas, n√£o satisfeita, a gest√£o petista pensa em usar o mesmo modelo para importar engenheiros e at√© professores… O governo federal tenta resolver no atacado, na base de um regime de trabalho que, na melhor das hip√≥teses, se assemelha √ɬ† servid√£o o que n√£o conseguiu resolver no varejo, com o Mais M√©dicos. Na modalidade de recrutamento amplo, geral e irrestrito, o programa foi um fracasso retumbante: apenas 1.387 das 15.460 vagas foram preenchidas, o que d√° menos de 9% da demanda inicial. O governo aposta na simpatia da popula√ß√£o por suas boas inten√ß√Ķes. De fato, ningu√©m √© contra ampliar o acesso das pessoas √ɬ† sa√ļde, levando mais profissionais aos rinc√Ķes e √ɬ†s nossas periferias. Mas uma pesquisa de opini√£o divulgada hoje pelo O Estado de S.Paulo indica que dois em cada tr√™s brasileiros n√£o concordam com o remendo da importa√ß√£o de m√©dicos estrangeiros. T√™m raz√Ķes de sobra para isso.

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