O Lusco-Fusco de uma Presidente

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Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, N¬ļ 853. O apag√£o de ontem √© a mais perfeita tradu√ß√£o da atual gest√£o. Sintetiza um governo que vive seu lusco-fusco, que se notabiliza por produzir trevas, mas √© incapaz de fornecer energia e luz para que o pa√≠s avance. A respons√°vel por este estado de coisas, desde sua concep√ß√£o, tem nome e sobrenome: Dilma Rousseff. O descalabro que acomete o setor el√©trico brasileiro n√£o √© ato isolado no curr√≠culo da presidente. O conjunto de sua obra consegue ser ainda pior. O apag√£o que ontem atingiu 11 estados brasileiros √© a mais perfeita tradu√ß√£o da atual gest√£o. Sintetiza um governo que vive seu lusco-fusco, que se notabiliza por produzir trevas ao inv√©s de iluminar caminhos. A respons√°vel por este estado de coisas, desde sua concep√ß√£o e nascedouro, tem nome e sobrenome: Dilma Rousseff. O setor el√©trico brasileiro entrou ontem novamente em colapso. Estima-se que at√© 12 milh√Ķes de pessoas tenham sido afetadas pela falta de luz, que durou at√© duas horas durante a tarde. Foi o d√©cimo apag√£o ocorrido nos tr√™s anos de gest√£o da presidente ‚Äď o anterior apagara o Nordeste em agosto passado. Nunca antes na hist√≥ria, ficamos tanto tempo na escurid√£o. O sistema el√©trico nacional vive hoje sob o fio da navalha. Os reservat√≥rios registram n√≠veis m√≠nimos hist√≥ricos. O consumo de energia bate recordes sucessivos, mas a oferta n√£o avan√ßa no mesmo compasso. As obras de expans√£o da gera√ß√£o e da transmiss√£o est√£o atrasadas e as empresas do setor, praticamente quebradas. Nunca se queimou tanto combust√≠vel poluente para produzir eletricidade. O abastecimento energ√©tico nacional est√° sob amea√ßa. Segundo c√°lculos abalizados, diante do estado atual de coisas, o pa√≠s corre risco de racionar energia ainda neste ano. A chance √© de 20%, enquanto o m√°ximo aceit√°vel seria 5%, apontou o Valor Econ√īmico em sua edi√ß√£o de ontem. Imagine se a economia estivesse indo bem? O governo nega e tenta tapar o sol com a peneira. H√° evid√™ncias de sobra de que o suprimento de energia no pa√≠s est√° comprometido. Antes mesmo que o apag√£o de ontem acontecesse, a presidente Dilma j√° coordenava uma opera√ß√£o-abafa para tentar esconder o risco de racionamento. At√© entrevista coletiva j√° havia sido convocada para negar a possibilidade. O apag√£o interrompeu o evento, e acabou sendo a cereja do bolo. Nunca antes na hist√≥ria, uma presidente da Rep√ļblica alimentou tamanha irresponsabilidade. Na reuni√£o que convocara para ontem, Dilma pediu a forma√ß√£o de uma for√ßa-tarefa ‚Äúpara definir medidas que permitam ao governo dizer que est√° trabalhando para aumentar a capacidade do sistema‚ÄĚ, segundo a Folha de S.Paulo. Mas, no seu d√©cimo-primeiro ano, a gest√£o petista ainda fala em ‚Äúfor√ßa-tarefa‚ÄĚ para resolver problemas que j√° s√£o evidentes h√° tanto tempo? Francamente. H√° fatores cuja responsabilidade escapa aos mortais, como a falta de chuva. Mas h√° fatores que a imprevid√™ncia dos mortais colaborara para agravar, e muito. Este √© o pior ver√£o em d√©cadas em termos pluviom√©tricos, mas √© o terceiro seguido com chuvas abaixo da m√©dia hist√≥rica. E o que fez o governo Dilma diante destes reiterados alertas? Simplesmente incentivou o aumento do consumo. O setor el√©trico brasileiro experimenta hoje uma s√©rie de desequil√≠brios que s√£o fruto direto de medidas tomadas pelo governo petista. Mais especificamente, s√£o resultado de um modelo urdido desde que Dilma Rousseff ainda era apenas ministra de Minas e Energia e achava que sua tarefa era implodir o que existia at√© ent√£o para criar um novo e redentor sistema. Estamos vendo no que deu. O modelo gestado por Dilma no minist√©rio setorial, engordado por ela quando foi ministra-chefe da Casa Civil e anabolizado quando j√° ocupava a Presid√™ncia da Rep√ļblica produz fiascos em s√©rie. S√≥ no ano passado foram 71 apaguinhos, com pelo menos dez minutos de dura√ß√£o. Na m√©dia, os brasileiros ficaram 16,5 horas sem luz em 2013. Com planejamento capenga, a expans√£o do parque gerador para fazer frente ao aumento da demanda n√£o acontece. Segundo o pr√≥prio governo, est√£o atrasadas 22 das 25 hidrel√©tricas e 22 das 35 termel√©tricas atualmente em constru√ß√£o no pa√≠s. Cerca de 15% do parque e√≥lico brasileiro est√° ocioso por falta de conex√£o ao sistema interligado. Com as linhas de transmiss√£o, a situa√ß√£o n√£o √© melhor: os atrasos s√£o, em m√©dia, de 13 meses, mas h√° projetos cuja demora j√° alcan√ßa quatro anos. Com isso, metade da energia prevista para ser agregada ao sistema el√©trico nacional nos pr√≥ximos dez anos enfrenta complica√ß√Ķes graves para sair do papel. Ou seja, n√£o s√≥ o presente √© temer√°rio, como o futuro √© incerto. Foi neste setor t√£o sens√≠vel que Dilma Rousseff resolveu meter sua colher. Produziu estragos dif√≠ceis de mensurar. A truculenta interfer√™ncia e a quebra de contratos ‚Äď anunciada em rede nacional de r√°dio e televis√£o em setembro de 2012, sob alega√ß√£o de reduzir na marra as tarifas de energia ‚Äď conduziu o setor para um buraco sem fim. As empresas, incluindo a Eletrobr√°s, est√£o em debacle e os investimentos escasseiam. N√£o h√° luz no fim deste t√ļnel. O desequil√≠brio tem pre√ßo, e alto. S√≥ no ano passado, o Tesouro Nacional teve que despejar R$ 22,6 bilh√Ķes para compensar as empresas do setor el√©trico pelas perdas decorrentes da interven√ß√£o patrocinada pelo governo Dilma. Neste ano, a conta deve ser de mais R$ 18 bilh√Ķes. O que o consumidor deixou de pagar, o contribuinte paga com juros. Dilma Rousseff √© a m√£e do que a√≠ est√°. √Č a mentora de um sistema que amea√ßa entrar em colapso. √Č a patrocinadora de um modelo pr√≥digo em produzir apag√Ķes, mas incapaz de fornecer energia e luz para que o pa√≠s avance. O descalabro que acomete o setor el√©trico brasileiro n√£o √© ato isolado no curr√≠culo da presidente. O conjunto de sua obra consegue ser ainda pior.

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