Gargalhe, Presidente

Publicado em:

Gargalhe, presidente Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, N¬ļ 855. √Č poss√≠vel que Dilma Rousseff acredite que tenha motivos para dar gargalhadas em raz√£o de mais um das dezenas de apag√Ķes patrocinados por sua temer√°ria gest√£o. Mas os brasileiros v√£o vendo, dia ap√≥s dia, que n√£o t√™m raz√£o nenhuma para achar gra√ßa de um governo que produz trapalhadas em s√©rie e, desta maneira, compromete o futuro do pa√≠s. Dilma pode at√© dar suas risadas, mas bem longe da cadeira de presidente da Rep√ļblica. E √† luz de velas. Dilma Rousseff deve estar rindo √† toa. Ontem, o Operador Nacional do Sistema El√©trico (ONS) levantou a suspeita de que o apag√£o de ter√ßa-feira ‚Äď que deixou 13 estados e at√© 12 milh√Ķes de brasileiros no escuro por quase duas horas ‚Äď pode ter sido causado por descargas el√©tricas, os populares raios. Segundo a presidente, esta hip√≥tese √© digna de gargalhadas. ‚ÄúNo dia em que falarem para voc√™s que caiu um raio, voc√™s gargalhem. Raio cai todo dia neste pa√≠s, a toda hora. O raio n√£o pode desligar o sistema. Se desligou, √© falha humana, n√£o √© do raio‚ÄĚ, disse a imprevidente presidente da Rep√ļblica no dia 27 de dezembro de 2012, em caf√© da manh√£ com jornalistas, logo depois de mais um apag√£o afetar o pa√≠s. Depois que o ONS divulgou sua avalia√ß√£o ontem, a presidente escalou seu porta-voz para dizer que ‚Äúse raios foram realmente respons√°veis pela queda no fornecimento de energia, na √ļltima ter√ßa-feira, cabe ao ONS apurar se os operadores est√£o mantendo adequadamente suas redes de para-raios‚ÄĚ. Mas a senhora n√£o havia dito que era para gargalhar, presidente? O mais prov√°vel √© que os apag√Ķes de Dilma ‚Äď foram 181 desde 2011 e 71 apenas em 2013 ‚Äď sejam fruto de um modelo irrespons√°vel forjado pela presidente desde que ela foi ministra de Minas e Energia do governo Lula. Temos hoje um sistema el√©trico caqu√©tico, que opera no limite e n√£o consegue acompanhar uma demanda anabolizada por medidas tomadas pelo pr√≥prio governo. As raz√Ķes do apag√£o de ter√ßa-feira s√≥ ser√£o conhecidas oficialmente em 15 dias. Mas j√° s√£o evidentes alguns fatores que est√£o minando a seguran√ßa do sistema el√©trico nacional. Primeiro, o aumento do consumo n√£o tem sido respaldado por gera√ß√£o suficiente de energia ‚Äď e, quando √©, quem n√£o acompanha √© a transmiss√£o. Segundo dados oficiais do Comit√™ de Monitoramento do Setor El√©trico, 71% das obras de transmiss√£o est√£o atrasadas. Nas obras de gera√ß√£o, 64% est√£o fora do cronograma, com atraso m√©dio de 8,5 meses. A m√©dia de expans√£o de gera√ß√£o e transmiss√£o nos √ļltimos anos tamb√©m √© menor que o crescimento projetado para a pr√≥xima d√©cada, mostrou a Folha de S.Paulo hoje. Com tamanha vulnerabilidade, o pa√≠s registra picos seguidos de consumo. Foram nove em pouco mais de dois meses. Entre o primeiro, em in√≠cio de dezembro, e o de ontem, a demanda cresceu 9%. √Č energia suficiente para servir 20 milh√Ķes de pessoas. O grave disso n√£o √© as pessoas e as empresas consumirem mais. O mais grave √©, com a oferta no limite, o governo incentivar que o consumo aumente. Conjunturalmente, a alta do consumo neste ver√£o se deve ao calor infernal que assola boa parte do pa√≠s. Mas h√° um aumento estrutural que √© fruto, entre outros fatores, de o governo ter tornado, na marra, as tarifas mais baratas. A redu√ß√£o por decreto veio no mesmo momento em que a √°gua dos reservat√≥rios baixava. Ou seja, veio na contram√£o do risco crescente de desabastecimento de energia. O nome disso √© irresponsabilidade. Al√©m disso, h√° o problema da manuten√ß√£o do sistema el√©trico. O atual modelo ‚Äď concebido, gestado e anabolizado por Dilma ‚Äď baseia-se na chamada ‚Äúmodicidade tarif√°ria‚ÄĚ, ou seja, na busca da menor tarifa poss√≠vel para o consumidor. Objetivo louv√°vel, mas de consequ√™ncias nefastas quando perseguido de maneira inconsequente como faz a presidente. Recebendo menos pela energia que geram, transmitem e distribuem, as empresas concession√°rias passaram a gastar menos na manuten√ß√£o de seus equipamentos. At√© porque as regras do modelo dilmista de energia n√£o remuneram adequadamente os ativos e desincentivam os investimentos, como mostrou ontem o Valor Econ√īmico. O c√≠rculo vicioso se completa com o sucateamento de √≥rg√£os que deveriam zelar pela qualidade dos servi√ßos prestados pelos concession√°rios. No caso do setor el√©trico, a Ag√™ncia Nacional de Energia El√©trica. Uma das fontes de recursos da Aneel s√£o taxas pagas pelos consumidores nas contas de luz, cujo objetivo √© justamente custear a fiscaliza√ß√£o dos servi√ßos. Ocorre que, desde 2011, a ag√™ncia recebeu or√ßamento de R$ 1,5 bilh√£o, mas metade disso foi contingenciada pelo governo Dilma. O que significa isso? Que o dinheiro que os consumidores pagaram para garantir que o servi√ßo que recebem fosse fiscalizado e sua qualidade preservada foi usado para engordar resultados fiscais de um governo perdul√°rio. O que foi contingenciado equivale ao dobro do que efetivamente a Aneel investiu desde 2011. √Č poss√≠vel que Dilma Rousseff acredite que tenha motivos para dar gargalhadas. Mas os brasileiros v√£o vendo, dia ap√≥s dia, que n√£o t√™m raz√£o nenhuma para achar gra√ßa de um governo que produz trapalhadas em s√©rie e, desta maneira, compromete o futuro do pa√≠s. Dilma pode at√© dar suas risadas, mas longe, bem longe, da cadeira de presidente da Rep√ļblica. E √† luz de velas.

 

Os coment√°rios est√£o desativados.

Cadastre-se e receba as novidades do ITV

Instituto Teot√īnio Vilela: SGAS 607 Bloco B M√≥dulo 47 - Ed. Metr√≥polis - Sl 225 - Bras√≠lia - DF - CEP: 70200-670