Faça-se luz

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Energia barata √© bom e todo mundo gosta. Mas a alegria de ter precinhos m√≥dicos nas contas de luz, que o governo petista transformou em uma de suas principais bandeiras pol√≠ticas, durou pouco. √Č o que acontece quando decis√Ķes s√£o tomadas visando exclusivamente resultados eleitoreiros. O pato, e a fatura, quem acaba pagando somos n√≥s, os contribuintes. Em setembro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff ocupou cadeia de r√°dio e televis√£o para anunciar, com pompa, que as tarifas de energia baixariam, em m√©dia, 20% no pa√≠s. Para uma na√ß√£o acostumada a pagar caro pelo que consome e a ser muito mal servida pelo governo, parecia uma boa-nova e tanto. Pena que n√£o durou quase nada. A diminui√ß√£o das tarifas de energia foi obtida na marra pela gest√£o petista, que imp√īs √ɬ†s concession√°rias uma renova√ß√£o quase for√ßada de seus contratos. √Ä √©poca, o governo garantiu que tinha dinheiro em caixa suficiente para garantir a baixa duradoura e assegurou aos consumidores que a redu√ß√£o era para valer. Tudo mentirinha. V√™-se agora que a redu√ß√£o das tarifas de energia foi mero golpe publicit√°rio e est√° com os dias contados. Segundo O Estado de S.Paulo, passados pouco mais de oito meses ap√≥s a renova√ß√£o dos contratos, “o governo federal n√£o tem mais recursos em fundos setoriais para as indeniza√ß√Ķes que ter√° de pagar √ɬ†s empresas do setor el√©trico”. Sobraram despesas, inclusive para bancar a energia gerada pelas t√©rmicas a fim de evitar apag√Ķes e para custear subs√ɬ≠dios a programas como o Luz para Todos, e faltou dinheiro. Mais ainda, faltou planejamento e boa gest√£o. E quem vai pagar a conta da barbeiragem? O meu, o seu, o nosso dinheirinho… “Com saldo insuficiente para essa despesa, caber√° ao Tesouro Nacional e, em √ļltima inst√Ęncia, ao contribuinte, desembolsar pelo menos R$ 6,7 bilh√Ķes nos pr√≥ximos quatro anos para reembolsar as companhias”, completa o Estad√£o. O governo do PT tentou manter tudo sob sigilo, na moita, longe dos olhos do p√ļblico, mas n√£o conseguiu. √Č poss√≠¬≠vel que o avan√ßo sobre o bolso de contribuintes e consumidores aconte√ßa mais r√°pido do que se imagina. Ontem, O Globo informou que, para honrar os pagamentos que o governo assumiu na renova√ß√£o atabalhoada dos contratos de energia, as contas de luz podem subir 20% j√° em 2014. Ou seja, produziu-se uma ciz√Ęnia dos diabos para as tarifas voltarem a ser como eram, n√£o sem antes promover uma nefasta desorganiza√ß√£o no setor el√©trico. Esta tamanha irresponsabilidade, obviamente, n√£o ser√° sem custo. Ao longo do conturbado processo, o governo da presidente Dilma – que se apresenta como especialista em energia – levou as empresas de energia √ɬ† lona, implodiu pelo menos uma estatal, a Eletrobr√°s, e p√īs sob risco o suprimento de um insumo b√°sico para o desenvolvimento do pa√≠s. Desde o in√ɬ≠cio de setembro do ano passado at√© ontem, as empresas de energia que t√™m a√ß√Ķes listadas na Bovespa perderam, em m√©dia, 21,2% de seu valor de mercado, calculado a partir da varia√ß√£o do √ɬ≠ndice que acompanha o desempenho dos 16 principais pap√©is do setor, o IEE. Cabe a pergunta: em troca de qu√™? At√© o fim deste ano, a gest√£o da presidente Dilma tamb√©m ter√° conseguido reduzir a zero um fundo que, at√© o in√ɬ≠cio deste ano, tinha R$ 15,3 bilh√Ķes – a chamada Reserva Global de Revers√£o. N√£o se sabe como o rombo ser√° coberto, mas sabe-se que o governo j√° cogitou todo tipo de artimanha, como a antecipa√ß√£o de recursos que Itaipu tem a receber pelos pr√≥ximos dez anos, agora abandonada pelo Minist√©rio da Fazenda. Repetem-se no setor el√©trico as mesmas caracter√ɬ≠sticas da gest√£o temer√°ria que os petistas t√™m adotado no trato da coisa p√ļblica. √Č improviso para todos os lados, que ignora um preceito b√°sico da economia: a restri√ß√£o or√ßament√°ria, equivalente ao popular “o cobertor √© curto”, pondo em risco a governan√ßa e a solv√™ncia do pa√≠s. No caso da imprudente redu√ß√£o das tarifas de energia, a conclus√£o √© cristalina: a gest√£o Dilma Rousseff produziu pouca luz e muita escurid√£o.

 

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