Eles n√£o sabem o que fazem

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Se tudo tivesse corrido como planejado, nesta altura do campeonato a gest√£o petista estaria comemorando o sucesso das privatiza√ß√Ķes de um extenso e bilion√°rio rol de obras de infraestrutura. Mas, no governo do improviso e da invencionice, at√© agora deu quase tudo errado. Eles n√£o sabem o que fazem. Passados um ano e um m√™s depois do lan√ßamento do programa de concess√Ķes, o governo ainda est√° √ɬ†s voltas com a redefini√ß√£o de regras que, na pr√°tica, se mostraram equivocadas, disfuncionais, alheias √ɬ† realidade. H√° furos t√©cnicos, jur√ɬ≠dicos e, principalmente, regulat√≥rios. Eles n√£o sabem o que fazem. Ontem, foi a vez de os par√Ęmetros para o leil√£o do aeroporto de Confins, na regi√£o metropolitana de Belo Horizonte, serem modificados. O governo foi for√ßado a diminuir as exig√™ncias, at√© para n√£o produzir mais uma frustra√ß√£o e um novo leil√£o fracassado que engordasse uma lista que n√£o para de crescer. Anteriormente, dera-se o inverso: por determina√ß√£o da presidente da Rep√ļblica, o governo aumentara bastante o padr√£o m√≠nimo exigido dos operadores estrangeiros a fim de evitar que novos aventureiros – como os que se apresentaram para explorar os aeroportos de Guarulhos, Bras√≠lia e Campinas – se candidatassem. Repete-se tamb√©m neste caso o padr√£o decis√≥rio petista: vai e volta, estica e puxa. Eles n√£o sabem o que fazem. A nova mudan√ßa resultar√° tamb√©m em novo adiamento dos leil√Ķes de Confins e do aeroporto do Gale√£o, que ficaram para 22 de novembro. Teme-se, por√©m, que o curto prazo ap√≥s mais esta altera√ß√£o no modelo dificulte a movimenta√ß√£o de grandes grupos, que n√£o teriam tempo h√°bil para entrar no neg√≥cio. √Č a velha pr√°tica do improviso causando novas v√≠¬≠timas. H√° meses, o governo petista vinham alardeando que, nesta altura do ano, o pa√≠s estariam em plena decolagem, beneficiado pelo empuxo benfazejo das privatiza√ß√Ķes. Numa linguagem juvenil, a nossa economia estaria bombando. Qual o qu√™… As alquimias e as invencionices que os petistas enfiaram nos editais simplesmente detonaram as chances de que o processo seja um sucesso incontest√°vel. As premissas n√£o batem com as conclus√Ķes, as teses n√£o conversam com as s√ɬ≠nteses, as hip√≥teses n√£o levam a consequ√™ncias. Sobra ideologia, intervencionismo, improvisos. Os fracassos se sucedem, a come√ßar pelo frustrado leil√£o da BR-262, que for√ßou o governo a fazer uma “reavalia√ß√£o grande” de todo o processo de concess√£o das rodovias, como disse a presidente Dilma Rousseff h√° duas semanas. Ela n√£o sabe o que faz. Os investidores avaliam que, dos nove trechos rodovi√°rios que o governo ofereceu, apenas dois ou tr√™s se viabilizam. Por isso, todo o formato dos leil√Ķes est√° sendo revisto e, muito provavelmente, algumas rodovias ser√£o retiradas do programa, como a BR-101 na Bahia. Eles n√£o sabem o que fazem. Para completar, o Regime Diferenciado de Contrata√ß√Ķes, imposto goela abaixo do pa√≠s como panaceia para o atraso de obras, tamb√©m mostrou-se in√≥cuo, como informou a Folha de S.Paulo no domingo. Desde que o sistema foi institu√ɬ≠do, em 2011, o Dnit, maior contratador de obras do governo, iniciou 150 licita√ß√Ķes e, delas, 66 (44%) n√£o deram certo e ficaram sem interessados. Eles n√£o sabem o que fazem. Destino n√£o muito melhor que as estradas dever√£o ter os leil√Ķes de ferrovias. O primeiro – um trecho entre Maranh√£o e Par√° – era previsto para outubro, mas dever√° ser adiado. Os outros j√° nem se sabe mais se haver√°, dado que os investidores n√£o confiam num modelo que, para parar em p√©, depende essencialmente da Valec. A estatal de lauta ficha corrida ser√° agora extinta e substitu√ɬ≠da por uma nova empresa que ningu√©m sabe ao certo como funcionar√°. Tamb√©m apenas agora o governo se deu conta de que o modelo mirabolante que bolou para privatizar ferrovias carece de base legal. Por isso, s√≥ agora, mais de um ano depois do lan√ßamento do programa, quando 10 mil km de trilhos j√° deveriam estar licitados, prepara uma medida provis√≥ria para dar base legal √ɬ†s concess√Ķes ferrovi√°rias e mais seguran√ßa aos investidores, como mostra hoje O Estado de S.Paulo. Os leil√Ķes podem ficar para 2015. Seguramente, eles n√£o sabem o que fazem. Como desgra√ßa pouca √© bobagem, o leil√£o do gigantesco po√ßo de Libra s√≥ teve 11 interessados, um quarto do que o governo previa. Como a maioria das inscritas s√£o estatais, j√° se considera que o pr√©-sal acabar√° servindo mesmo √© de reserva para garantir suprimento futuro a outros pa√≠ses, como a China. O governo petista est√° simplesmente rifando cerca de metade do petr√≥leo de que o pa√≠s disp√Ķe, num tremendo salto no escuro. Governar um pa√≠s como o Brasil n√£o √© para aprendizes, n√£o √© para feiticeiros, n√£o √© para iniciantes. Diante de tantos e tamanhos equ√≠¬≠vocos, √© de se pensar se os petistas cometem tanta lamban√ßa de caso pensado ou √© puro desconhecimento, ignor√Ęncia e despreparo. Ser√° que eles acreditam mesmo que sabem o que fazem?

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