Dilma, a Presidente do Apag√£o

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Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, N¬ļ 858. O modelo concebido por Dilma Rousseff para o setor el√©trico brasileiro est√° fazendo √°gua por todos os lados e amea√ßa naufragar. A fantasia das contas de luz baratinhas reduzidas na marra mal sobreviveu a um ver√£o. Vem a√≠ tarifas mais altas, embaladas num risco-monstro de racionamento. Ao longo de dez anos, Dilma gestou, embalou e anabolizou um modelo que amea√ßa deixar o pa√≠s √† luz de velas. Ela √© a presidente do apag√£o. O modelo concebido por Dilma Rousseff para o setor el√©trico brasileiro est√° fazendo √°gua por todos os lados e amea√ßa naufragar ‚Äď e olha que a falta de chuvas √© apenas um de seus muitos problemas. A fantasia das contas de luz baratinhas reduzidas na marra mal sobreviveu a um ver√£o. Vem a√≠ tarifas mais altas, embaladas num risco-monstro de apag√£o. H√° pouco mais de um ano, a presidente foi √† TV para anunciar aos brasileiros que as tarifas de energia ficariam 20% mais baratas. Um objetivo merit√≥rio e desej√°vel, que foi, por√©m, imposto goela abaixo ao setor e √† revelia at√© de S√£o Pedro. N√£o tinha como dar certo. Desde ent√£o, os improvisos foram se sucedendo e os desequil√≠brios, se avolumando. A fatura da barbeiragem j√° vai chegar. Ontem a Ag√™ncia Nacional de Energia El√©trica (Aneel) anunciou que as contas de luz ter√£o que subir 4,6% neste ano para compensar despesas extras que o setor vem acumulando. S√£o gastos com subs√≠dios, indeniza√ß√Ķes decorrentes da revoga√ß√£o truculenta de contratos e acionamento mais intenso de usinas t√©rmicas ‚Äď nunca queimamos tanto combust√≠vel poluente quanto agora. Ou seja, resultantes de um modelo em desequil√≠brio. Mas o tarifa√ßo n√£o deve parar por a√≠. S√≥ √† custa de muito dinheiro injetado pelo Tesouro ‚Äď isto √©, o meu, o seu, o nosso dinheiro pago ao governo como imposto ‚Äď √© que as tarifas ainda n√£o explodiram de vez. H√° c√°lculos abalizados dizendo que, apenas para compensar o que j√° foi gasto desde o ano passado e ainda n√£o foi repassado para as tarifas, o aumento deveria beirar 10%, segundo a Folha de S.Paulo. No ano passado, quase R$ 10 bilh√Ķes foram injetados pelo governo no setor para bancar as despesas decorrentes da intempestiva decis√£o de cortar as tarifas na base do golpe de fac√£o. Neste ano, ser√£o mais R$ 9 bilh√Ķes do Tesouro, insuficientes, contudo, para fazer frente a despesas calculadas em R$ 17,9 bilh√Ķes. N√£o tem m√°gica: logo mais isso bate no bolso do consumidor de energia, ou do contribuinte. Ao longo de dez anos, Dilma concebeu, embalou e anabolizou um modelo em que custos e receitas n√£o se equilibram e que, mais grave ainda, amea√ßa deixar o pa√≠s na escurid√£o, √† luz de velas. Dilma √© a presidente do apag√£o. A m√©dia de tempo em que o sistema el√©trico brasileiro fica apagado multiplicou-se por cinco entre 2010 e 2012, e deve ter aumentado ainda mais no ano passado. Os jornais de hoje publicam estudo feito pela mais respeitada consultoria da √°rea de energia do pa√≠s, a PSR ‚Äď n√£o √© respeitada s√≥ pelo mercado, mas tamb√©m pelo governo, que recorreu a ela quando teve de tomar suas principais decis√Ķes na √°rea. O documento informa que o Brasil tem hoje uma probabilidade de 17,5% de enfrentar um racionamento de energia em 2014. Trata-se de patamar alt√≠ssimo: em sistemas equilibrados, o m√°ximo que se admite √© um risco de 5%. O sistema el√©trico brasileiro caminha hoje sobre o fio da navalha. Praticamente n√£o h√° folga entre a energia dispon√≠vel e o consumo. Em situa√ß√Ķes limite, esta sobra deveria ser de pelo menos 5%; no Brasil est√° abaixo de 1%, o que ‚Äútorna o sistema vulner√°vel a blecautes sist√™micos‚ÄĚ, como publicou hoje o Valor Econ√īmico. O governo vai preferir dizer que est√° sendo v√≠tima das circunst√Ęncias, ou seja, de um ver√£o quente e seco como h√° muito tempo n√£o se via. Balela. Desde 2010, quando o regime de chuvas foi seguidamente ruim, as defici√™ncias estruturais j√° vinham sendo detectadas e os alertas, disparados. A resposta do governo foi simplesmente dobrar a aposta: incentivar, de maneira populista, o aumento do consumo por meio da redu√ß√£o das tarifas, tudo no mesmo instante em que o estoque de √°gua do pa√≠s ca√≠a e a energia raleava. A PSR n√£o tem d√ļvidas em afirmar que o sistema el√©trico nacional est√° em perigo por causa da deficiente manuten√ß√£o de equipamentos e, principalmente, de subesta√ß√Ķes de energia. ‚ÄúA vulnerabilidade do sistema el√©trico n√£o √© conjuntural, isto √©, n√£o resulta de condi√ß√Ķes hidrol√≥gicas desfavor√°veis nem de um crescimento brusco da demanda. Ela √© consequ√™ncia de defici√™ncias estruturais na capacidade de suprimento.‚ÄĚ √Č sabido que as regras criadas por Dilma, a presidente do apag√£o, desincentivam os investimentos em manuten√ß√£o, por n√£o o considerarem na remunera√ß√£o dos ativos que √© repassada aos custos e, dali, √†s tarifas. Al√©m disso, uma Aneel depauperada pelo garroteamento or√ßament√°rio ‚Äď metade da sua verba √© usada para engordar os resultados fiscais ‚Äď n√£o fiscaliza as instala√ß√Ķes das concession√°rias como deveria. Dilma Rousseff passar√° para a hist√≥ria como uma das maiores farsas que a Rep√ļblica brasileira produziu. Do muito que prometeu, quase nada cumpriu. Naquilo que se arriscou a fazer, meteu os p√©s pelas m√£os, produzindo malfeitos em profus√£o. Com que cara de pau a presidente do apag√£o tentar√° explicar aos brasileiros suas lamban√ßas em s√©rie? Dir√° que √© tudo obra dos ‚Äúpessimistas de sempre‚ÄĚ?

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