Democracia em bloco

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A diplomacia brasileira vem travando √°rdua batalha pela ressurrei√ß√£o do Mercosul e pela reinser√ß√£o do pa√≠s no concerto mundial. Sob o PT, o Brasil orientou sua pol√≠tica externa para parcerias ideol√≥gicas de gosto duvidoso, para dizer o m√≠nimo, e de resultados geopol√≠ticos e econ√īmicos p√≠fios, para dizer a verdade.

Nos √ļltimos anos, o Brasil isolou-se ainda mais do resto do mundo, perdeu terreno na integra√ß√£o entre as cadeias produtivas globais, privilegiou a ideologia em detrimento do interesse nacional. Em suma, abandonou as melhores tradi√ß√Ķes de nossa diplomacia para fazer pol√≠tica partid√°ria rastaquera.

Apesar de ser a oitava maior economia do mundo, o Brasil √© hoje apenas o 26¬į principal exportador, atr√°s at√© de pa√≠ses como a Pol√īnia, conforme a mais recente edi√ß√£o do World Fact da¬†CIA. Nossas exporta√ß√Ķes, de acordo com o¬†Banco Mundial, equivalem a 14% do PIB, neste quesito √† frente apenas da Nig√©ria numa lista de quase 200 pa√≠ses –¬†a m√©dia latino-americana √© de 24%.

Uma das manifesta√ß√Ķes mais evidentes da orienta√ß√£o improdutiva que o Brasil deu √† sua pol√≠tica externa nos √ļltimos anos est√° na rela√ß√£o com os pa√≠ses ditos “bolivarianos”, com a Venezuela √† frente. Sua contribui√ß√£o ao nosso com√©rcio exterior foi nula; seu principal aporte √† nossa diplomacia foi o atraso.

As estat√≠sticas expressam os retrocessos do Mercosul em termos econ√īmicos sob os governos do PT. Desde o in√≠cio desta d√©cada, a corrente de com√©rcio entre o Brasil e o bloco caiu 25%, retrocedendo ao n√≠vel de oito anos atr√°s. Neste ano at√© julho, nossas exporta√ß√Ķes para os parceiros da regi√£o caem mais 5,6%.

Sob novos ares, o Itamaraty est√° lutando para se livrar deste esfacelamento. Em primeiro lugar, a gest√£o do chanceler Jos√© Serra vem pretendendo que o Mercosul recupere seu vigor e passe a funcionar como alavanca de desenvolvimento regional, e n√£o como pesada √Ęncora que impede a maior integra√ß√£o dos pa√≠ses do bloco ao resto do mundo.

Em segundo, em honra aos valores republicanos que sempre orientaram a atua√ß√£o da diplomacia brasileira no concerto das na√ß√Ķes, defende, acima de tudo, o respeito √† democracia e aos direitos humanos. Sendo assim, confronta-se com o que acontece na Venezuela bolivariana, ainda sob o jugo do chavismo. Neste particular, tenta, acertadamente, impedir que Nicol√°s Maduro assuma a presid√™ncia pro-tempore do bloco.

A alegação é simples: nestes dez anos desde que, em julho de 2006, assinou sua adesão ao bloco, a Venezuela simplesmente não cumpriu boa parte das cláusulas e condicionantes acordadas, entre elas a defesa dos direitos humanos, o respeito à democracia e a regras de livre comércio e funcionamento de mercados. Não goza, pois, de plenos direitos para exercer as prerrogativas que deveriam lhe caber. Para o bem do Mercosul e do interesse brasileiro.

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