Agora é Moro

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Lula juntou mais um elo √† corrente de den√ļncias e suspeitas que pesam contra ele. Tornou-se agora r√©u tamb√©m em processo em que √© acusado pelo Minist√©rio P√ļblico Federal de corrup√ß√£o passiva e lavagem de dinheiro. Pelo visto, a “farsa” e a “grande mentira”, como alegaram seus defensores na semana passada e como o petista voltou a fazer ontem, n√£o √© dos procuradores, mas sim do pr√≥prio ex-presidente.

O juiz federal S√©rgio Moro aceitou ontem a den√ļncia formulada na semana passada pelo MP no √Ęmbito da Opera√ß√£o Lava Jato. Lula tornou-se r√©u pela segunda vez – o outro processo tramita em Bras√≠lia e investiga eventual obstru√ß√£o da Justi√ßa pelo ex-presidente, ao tentar impedir depoimentos de Nestor Cerver√≥. H√°, ainda, as investiga√ß√Ķes sobre a participa√ß√£o do petista na organiza√ß√£o criminosa do petrol√£o, a cargo da Procuradoria-Geral da Rep√ļblica.

Em seu¬†despacho, o juiz Moro foi extremamente cauteloso e deixou claro que sua decis√£o est√° longe de significar condena√ß√£o antecipada do ex-presidente. Corret√≠ssimo. Em seguida, contudo, o juiz passa a discorrer sobre a “justa causa” da den√ļncia apresentada pelo MP e passa par√°grafos e mais par√°grafos listando a s√©rie de falcatruas promovidas sob o benepl√°cito do governo Lula.

Conclui: “For√ßoso reconhecer a presen√ßa de prova razo√°vel n√£o s√≥ da exist√™ncia do esquema criminoso de cobran√ßa sistem√°tica de propinas, mas em linhas gerais de que ele servia n√£o s√≥ aos agentes da Petrobr√°s, mas tamb√©m a agentes e a partidos pol√≠ticos”.

Moro ressalta, ainda, que j√° h√° pleno conhecimento em outros processos de “um modus operandi consistente na coloca√ß√£o pelo ex-presidente de propriedades em nome de pessoas interpostas para oculta√ß√£o de patrim√īnio”. Cita especificamente o s√≠tio de Atibaia (SP). “Tal afirma√ß√£o n√£o resulta, aparentemente, de conspira√ß√£o de inimigos do ex¬≠-presidente”.

Segundo a den√ļncia aceita ontem, Lula teria recebido vantagens indevidas da construtora OAS no valor de R$ 3,7 milh√Ķes num esquema que envolveria pagamento de pelo menos R$ 87 milh√Ķes em propinas relacionadas a apenas duas das megaobras da Petrobras: a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a Repar, no Paran√°.

A maior parte do dinheiro é relativa à construção e a benfeitorias num tríplex à beira-mar no Guarujá (SP). Nunca é demais lembrar que, enquanto o líder petista ganhava da empreiteira a cobertura em contrapartida pelos serviços prestados, centenas de outros proprietários da antiga incorporadora, a Bancoop, a cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ficavam a ver navios, vítimas de estelionato, sem obter seu bem.

“H√° razo√°veis ind√≠cios de que o im√≥vel em quest√£o teria sido destinado, ainda em 2009 [quando Lula ainda era presidente da Rep√ļblica], pela OAS ao ex¬≠-presidente e a sua esposa, sem a contrapresta√ß√£o correspondente, remanescendo, por√©m, a OAS como formal propriet√°ria e ocultando a real titularidade. Quanto √†s reformas e benfeitorias, h√° ind√≠cios de que se destinariam ao ex¬≠-presidente e a sua esposa tamb√©m sem a contrapresta√ß√£o correspondente”, destaca Moro.

A aceita√ß√£o da den√ļncia por Moro joga por terra alega√ß√£o que a defesa de Lula p√īs para circular no fim de semana, segundo a qual uma das principais acusa√ß√Ķes contra Lula seria baseada em dela√ß√£o n√£o aceita pela Justi√ßa, feita por L√©o Pinheiro, da OAS. Na pe√ßa divulgada ontem, Moro ressalta que as den√ļncias contra Lula se baseiam, entre outros, em depoimentos prestados por Pedro Corr√™a e Delc√≠dio do Amaral.

Contra Lula, agora duas vezes r√©u, j√° pesam outros 9 inqu√©ritos abertos por procuradores e policiais federais, 2 a√ß√Ķes penais, 2 a√ß√Ķes de fiscaliza√ß√£o da Receita Federal, 38 mandatos de busca e apreens√£o na casa dele e de pessoas ligadas a ele, e quebras de sigilos fiscal, banc√°rio e telef√īnico do petista. Esta folha corrida n√£o combina com quem se diz ficha-limpa.

Com a decis√£o de ontem, as investiga√ß√Ķes sobre a conduta de Luiz In√°cio Lula da Silva no comando do petrol√£o chegam, finalmente, √†s m√£os de quem a sociedade brasileira sempre almejou: o rigor do juiz S√©rgio Moro. Ser√° com a devida isen√ß√£o e equil√≠brio que caber√° a ele julgar o l√≠der-mor do PT por corrup√ß√£o e lavagem de dinheiro. O ex-presidente vislumbra no horizonte a sombra melanc√≥lica da cadeia.

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