Programa Alvorada – Texto 2

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Uma proposta real de combate à pobreza.

O maior desafio estava colocado: integração.
Eram 257 cidades.

O Ministério do Planejamento foi muito inteligente em uma estratégia.
Ele alocou recursos para os ministérios com um carimbo: só poderiam ser usados no Alvorada e nas 257 cidades.
Assim, nenhum ministro poderia pegar o recurso contra a extrema miséria e usar politicamente onde quisesse.
É muito importante lembrar que, enquanto o Alvorada era implantado, também tínhamos as frentes do Cadastro Único em todo Brasil, como já contamos em outros textos, e estávamos começando o eixo social do Plano Nacional de Segurança Pública.
Entre 2000 e 2001 foi muito trabalho.
Nunca a área social de um governo federal recebeu tantas missões ao mesmo tempo.
E missões que dialogavam.
Foram os anos que mais trabalhei na minha vida profissional, mas valeu a pena.
Mas voltemos para a integração das políticas setoriais no Alvorada.
A Dra. Ruth detestaria que eu fizesse um texto mentiroso.
Eram ministérios e fundações envolvidas.
Tínhamos conseguido resolver o “cadeado” orçamentário, mas nunca alcançamos a integração realmente necessária.
Haviam divergências às vezes inconciliáveis sobre a ordem de entrada nas cidades; em outro caso, um ministério queria fazer um estado por vez, e, por vaidade política e sonhos eleitorais, dois ministérios queriam estar bem distantes um do outro.
Não era nada fácil.
E a única certeza que tínhamos era não partir para o confronto.
Essa luta pela integração era dirigida diretamente pela Chefe da Assessoria da Casa Civil e experiente técnica do IPEA, Ana Lobato.
Ela era uma craque em monitorar planilhas e cruzar informações sobre territórios.
Mesmo não sendo ministra, tinha autorização do Ministro da Casa Civil para falar direto com os ministros.
E fazia frequentemente.
Ana Lobato lutou muito pela integração; sem ela seria impossível o que conseguimos.
Mas, se o Alvorada deixou uma lição, foi que sem integração fica muito mais difícil.
Eu, depois do Alvorada, trabalhei em mais programas em que o maior problema era a integração.
É claro que integrar dá trabalho, mas sem essa meta a gente sempre vai patinar.
O Alvorada poderia ter avançado muito mais se os ministros entendessem que tínhamos uma urgência social e não uma urgência política.
A gente conseguiu brecar qualquer uso eleitoral do Alvorada, o que já foi uma vitória.
E uma vitória especial foi ter chegado, em menos de 3 meses, nas 257 cidades.
Sabe como? Através dos jovens.
No próximo texto eu conto sobre os Portais da Alvorada e sobre como foi possível avançar nas cidades através da juventude.
E depois dizem que jovem é problema. No Alvorada foram a solução.

Marcelo Reis Garcia
Assistente Social, foi Secretário Nacional de Assistência Social no governo FHC.
Foi Coordenador Operacional do Programa Alvorada.
Foi Secretário Municipal de Assistência Social no Rio de Janeiro.

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