Primeiro Plano Nacional de Segurança Pública – Eixo social – Texto 3

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Primeiro Plano Nacional de Segurança Pública – Eixo social – Texto 3

Uma questão no Eixo social que exigiu muito debate das equipes foi Juventude.

A gente estava ativando o plano nas 12 cidades do entorno de Brasília e via nitidamente que os jovens literalmente não tinham o que fazer.

Uma grande parte estava fora da escola, outra nem estudado tinha.

Naquela época, a garotada se concentrava nas lan houses.

A Secretaria Nacional de Assistência Social já desenvolvia, desde 1999, um programa chamado Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humanos, focado na idade de 15 a 17 anos.
Era uma parceria com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
Ele ocorria em poucas cidades, mas dava muito certo e tinha uma metodologia muito bem estruturada.

A gente queria ocupar os jovens, mantê-los na escola e estruturar a escolaridade de quem não tinha estudado.

Assim, em diálogo com os 12 prefeitos, implantamos nas 12 cidades o Agente Jovem. Fizemos um cruzamento de população e presença de jovens da escola.

O Agente Jovem pagava uma bolsa mensal (em 2000 era de 65 reais, pouco menos que 50% do salário mínimo), e a prefeitura ainda recebia recursos para atividades esportivas, culturais e educacionais.

A experiência nas 12 cidades provou que podíamos ir para todo o Brasil.

Uma curiosidade do Agente Jovem no entorno de Brasília foi o encontro de todos eles, passando um dia de lazer nos jardins do Palácio do Planalto.

O presidente Fernando Henrique topou na hora, e a equipe de segurança fez tudo para dar certo.
E deu.

Foi muito lindo ver mais de 2.500 jovens entrando nos jardins do Palácio para brincar, jogar e trocar experiências.

O evento ocorreu num sábado e contou com a colaboração das equipes dos ministérios.

Eu considero um dos dias mais felizes da minha carreira.

Detalhe: não houve nenhum dano no Palácio do Planalto. Ficou tudo limpo e organizado quando eles foram embora.

Tínhamos acertado na metodologia para jovens.

O Agente Jovem, nesse formato, durou até 2005, mas foi sendo esvaziado pelo governo petista, e eis que em 2006 ele “renasce” como Pró-Jovem Adolescente.

O que o PT mais fez foi trocar nomes de programas exitosos.
NAF virou CRAS.
Sentinela virou CREAS.
E Agente Jovem virou Pró-Jovem Adolescente e fracassou.

No próximo e último texto, o fim do Eixo social do plano de segurança.
O descaso com milhões de atendidos.

Marcelo Garcia é assistente social, professor de Práticas Sociais. Foi secretário nacional de Assistência Social e coordenador operacional do Eixo Social do Primeiro Plano Nacional de Segurança Pública.
Foi secretário municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro.

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