Golpe de 1964: democracia não tem lado

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A democracia não é de direita nem de esquerda. É um valor inegociável e é a partir desse princípio que o Brasil deve olhar para a sua própria história.

O golpe do dia 31 de março de 1964 precisa ser lembrado com essa clareza. Foi uma ruptura da ordem democrática, que interrompeu um governo eleito e abriu um período de restrição de liberdades e atrocidades no país. Não se trata de reviver o passado, mas de reconhecer o que acontece quando instituições são enfraquecidas e o poder se concentra, para evitar que ele se repita.

Um relatório internacional recente, o Freedom in the World 2026, mostra que essa não é uma discussão superada. A liberdade vem caindo no mundo há 20 anos consecutivos. Só em 2025, 54 países pioraram em direitos e liberdades, contra 35 que avançaram, e hoje já são 59 países classificados como “não livres”. O estudo aponta um padrão claro: onde há concentração de poder, enfraquecimento das instituições, repressão e manipulação das regras, a democracia perde espaço e a instabilidade cresce .

Os exemplos estão espalhados pelo mundo. Venezuela e Nicarágua mostram como regimes podem se fechar ao longo do tempo. No Irã, a repressão é constante. E em países como a Arábia Saudita, a concentração de poder também limita liberdades. No fim, não importa a origem: ditaduras de esquerda e de direita produzem o mesmo resultado.

Lembrar 1964 é reafirmar um compromisso com o presente. O Brasil precisa seguir defendendo suas instituições, respeitando o voto e preservando as liberdades. Porque a democracia não se sustenta sozinha, é preciso vigilância e responsabilidade permanente.

Marconi Perillo
Presidente Nacional do Instituto Teotônio Vilela

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