Especialistas e políticos do PSDB debatem o futuro do emprego em seminário do ITV

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Cerca de 100 pessoas, principalmente jovens, participaram do semin√°rio A Revolu√ß√£o no Mundo do Emprego: Desafios e oportunidades de carreira no novo mercado de trabalho, promovido pelo Instituto Teot√īnio Vilela em Piracicaba (SP), no s√°bado, dia 3. Ao longo de mais de duas horas, foram discutidas quest√Ķes como a prepara√ß√£o e forma√ß√£o dos futuros profissionais, as transforma√ß√Ķes promovidas pelas novas tecnologias, a multidisciplinariedade dos setores de ponta, entre outros temas. Parte do evento foi transmitida ao vivo pela¬†p√°gina do ITV no Facebook.

Na abertura do evento, o presidente do ITV, Jos√© An√≠bal, comparou a expectativa das fam√≠lias no passado em rela√ß√£o aos dias atuais e destacou a import√Ęncia de promover eventos como o semin√°rio com participa√ß√£o dos jovens. “Antigamente, os pais queriam tr√™s filhos homens: um para ir para o Ex√©rcito, outro para a Igreja e outro para o Banco do Brasil”, contou. “Hoje, as expectativas s√£o diferentes e √© fundamental ouvir os jovens a esse respeito. Uma vez, na √Āfrica do Sul, Nelson Mandela foi chamado para uma reuni√£o sobre o futuro do pa√≠s, mas n√£o havia jovens entre eles. Ele foi embora e disse que voltaria quando tamb√©m fossem chamados os jovens, pois s√£o eles que v√£o viver o futuro.”

Cada um dos quatro palestrantes do semin√°rio trouxe sua experi√™ncia profissional, acad√™mica e de intera√ß√£o com o setor p√ļblico em iniciativas de inova√ß√£o, empreendedorismo, pesquisa cient√≠fica e desenvolvimento de pol√≠ticas p√ļblicas. Com isso, compuseram um mosaico bastante diversificado e complementar, em que ficou n√≠tido o quanto o mundo se tornou mais complexo, e isso exige dos futuros profissionais maior preparo e mais flexibilidade para os desafios de hoje e do futuro.

Capacitação contínua

Prefeito de Piracicaba pelo terceiro mandato, Barjas Negri contou como a cidade aproveitou a iminente instala√ß√£o de uma montadora de ve√≠culos automotores para incrementar a oferta de cursos de qualifica√ß√£o profissional e integra√ß√£o entre setor p√ļblico e privado para aprimorar a forma√ß√£o dos jovens. “A expectativa da maioria dos jovens costuma ser estudar o ensino fundamental, o m√©dio e o superior”, disse Barjas. “Levamos empres√°rios, presidentes de grandes companhias, para disseminar o ensino t√©cnico. Isso criou uma demanda surpreendente no Vestibulinho das escolas t√©cnicas e preencheu as vagas que oferecemos.”

Com essa melhor forma√ß√£o dos profissionais, Piracicaba conseguiu tirar melhor proveito dos anos de crescimento do PIB nacional e enfrentou menos problemas diante da recess√£o do √ļltimo bi√™nio. Quando a Hyundai come√ßou as atividades na planta da cidade, todos os quase 2 mil funcion√°rios que foram contratados passaram antes por cursos de qualifica√ß√£o. Durante a recess√£o, a montadora, hoje com cerca de 7 mil funcion√°rios, foi a √ļnica do pa√≠s a manter tr√™s turnos de produ√ß√£o.

 

Novas habilidades

Diretor de marketing da BYD, multinacional chinesa do setor de energia limpa e de ve√≠culos el√©tricos, Adalberto Maluf falou sobre as tecnologias disruptivas e as revolu√ß√Ķes promovidas pela inova√ß√£o em diversos setores. Nas √°reas de atua√ß√£o da empresa, o desenvolvimento de baterias para ve√≠culos el√©tricos mais dur√°veis levou a chinesa ao topo do segmento. “O desenvolvimento de uma tecnologia disruptiva e a revers√£o de 100% do lucro em investimento na empresa fez a BYD se tornar a maior fabricante de ve√≠culos el√©tricos do mundo.”

Maluf ainda mostrou aos jovens quais s√£o, a seu ver, as quatro habilidades fundamentais para quem quer ser bem-sucedido no mercado de trabalho atual e do futuro: forma√ß√£o multidisciplinar, ainda que se tenha uma especialidade profissional; capacidade de adapta√ß√£o e flexibilidade para mudan√ßas; senso de urg√™ncia com equil√≠brio; e, principalmente, relacionamento interpessoal. “As pessoas sabem falar, discutir, reagir, mas n√£o sabem ouvir nem se colocar no papel do outro”, afirmou o diretor.

Resiliência

Fundador e CEO da I.Systems, empresa de software de controle avan√ßado baseado em t√©cnicas de intelig√™ncia artificial, Igor Santiago contou do quanto a resili√™ncia √© importante para quem quer empreender e de que a escolha de bons s√≥cios tamb√©m √© fundamental. “Sobrevivemos dez anos antes de chegar aonde chegamos”, disse ele. Santiago formou uma sociedade com dois colegas de faculdade dos tempos de Unicamp – o trio chegou a dividir a mesma moradia no in√≠cio dos trabalhos da empresa. “Muita sociedade √© mais dif√≠cil de se desfazer do que de um casamento. Por isso √© t√£o importante saber com quem voc√™ vai ‘casar’ no seu empreendimento”, brincou.

Para o empreendedor, a resili√™ncia para acreditar e trabalhar por uma ideia √© importante tamb√©m para enfrentar dificuldades como falta de financiamento e de pol√≠ticas p√ļblicas de incentivo √† inova√ß√£o. “Pa√≠ses como China, Coreia, Jap√£o tem pol√≠ticas de Estado nesse sentido. Na Europa, a Alemanha tem, a Fran√ßa n√£o, mas essa √© uma das prioridades apontadas pelo (presidente Emmanuel) Macron.”

Novas fronteiras

A consultora em tend√™ncias tecnol√≥gicas e especialista em gest√£o de neg√≥cios pela Funda√ß√£o Dom Cabral, Denise Golgher, usou o exemplo do surgimento da biotecnologia, h√° 40 anos, para mostrar como o casamento entre a ci√™ncia e o empreendedorismo podem render frutos. “Foi a vis√£o de um investidor, que vislumbrou em 1976 a possiblidade de um grande neg√≥cio na √°rea e procurou um pesquisador, o passo inicial. Os dez minutos de conversa viraram horas, um plano de neg√≥cios de 250 mil d√≥lares que, dois anos depois, ganhou um aporte de 500 mil d√≥lares de uma ind√ļstria farmac√™utica e o IPO deles, em 1980, rendeu 25 milh√Ķes de d√≥lares”, contou.

De l√° para c√°, a ind√ļstria da biotecnologia como um todo responde por 2% do PIB e atraiu para o setor megaempreendedores como Bill Gates e Jeff Bezos, que se tornaram s√≥cios de uma empresa que tenta desenvolver novos tratamentos e diagn√≥sticos mais precoces do c√Ęncer. “Agora, a tecnologia da informa√ß√£o passou a fazer parte do modelo de neg√≥cios, para lidar com a coleta de dados numa escala gigantesca”, explicou Denise. “O lema deles √© formar o melhor time do mundo, com profissionais das mais diversas √°reas. √Č um incentivo √† busca pelos melhores profissionais, que querem se dedicar a um projeto dessa magnitude.”

Depois das apresenta√ß√Ķes, os palestrantes responderam a perguntas do p√ļblico e discutiram alguns dos pontos que mais despertaram curiosidade no p√ļblico.

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