Análise ITV: Instituições prevalecem sobre o personalismo

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“Gato escaldado tem medo de água fria”, o adágio popular cabe bem para esse momento político, visto que o presidente aparentemente se convenceu de que o Brasil não é uma grande rede social e que sua retórica não foi suficiente para motivar uma “revolução bolsonarista”. As instituições aos poucos estão prevalecendo sobre o posicionamento personalista do presidente da República. Claramente o ele recebeu um ultimato de aliados e decidiu recuar dos confrontos diários ora com o Congresso, ora com o STF, ora com a imprensa.

Mesmo com uma base em construção junto ao Centrão, Bolsonaro compreendeu que o processo de impeachment poderia ganhar força na pisada em que seu governo se encontrava.

Agora ele busca moldar seu estilo, tanto pelo silêncio das últimas semanas, como pela tentativa desesperada de encontrar um ministro da Educação que tenha um perfil moderado e afeito ao diálogo, mas com visão conservadora.

O confronto exacerbado do presidente, ao que indica, despertou nos brasileiros um maior apreço pelas instituições e democracia. Segundo pesquisa do Datafolha, 75% dos brasileiros apoiam o regime democrático, maior número da série histórica.

Em termos de pautas legislativas, o governo continua sem rumo e sendo guiado pelos humores de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, ambos, felizmente reformistas. A MP 922 caducou e até aqui nada foi apresentado em seu lugar. Mesmo com o lançamento da Frente em apoio da reforma administrativa, o tema ficou postergado para “próxima semana, em 2021”.

Paulo Guedes cada vez mais se aproxima do estilo Guido Mantega, com suas previsões otimistas mas que não suportam um debate realista. A grande pergunta que se faz no momento é “Que agenda econômica e social tem esse Governo?”

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