Terceirização fracassada

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Dilma terceirizou nacos importantes do governo, mas sua personalidade destrutiva e seu pendor para reincidir no erro inviabilizaram a atuação daqueles a quem delegou poderes

Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, 02 de setembro de 2015, N¬ļ 1211

Nos √ļltimos meses, talvez consciente de sua limitada capacidade para lidar com a enrascada em que afundou o pa√≠s, Dilma Rousseff terceirizou nacos importantes do governo. Sua personalidade destrutiva e seu pendor para reincidir no erro, contudo, inviabilizaram a atua√ß√£o daqueles aos quais ela delegou poderes. A terceiriza√ß√£o da presid√™ncia tamb√©m fracassou. Joaquim Levy foi o primeiro a ser incumbido pela presidente de tentar consertar anos de descalabro. Desde o in√≠cio do ano, vem tentando emplacar as medidas econ√īmicas de seu ajuste recessivo, mas logrou apenas parco triunfo. Possivelmente calculou mal o tamanho da heran√ßa maldita com a qual teria que lidar. O pa√≠s vive hoje situa√ß√£o pior do que vivia no in√≠cio do ano, resultado de anos de pedaladas e irresponsabilidades afins. O Congresso foi uma pedra no sapato do¬†ministro da Fazenda,¬†mas suas principais derrotas aconteceram dentro do governo. Levy quis cortar mais fundo o or√ßamento deste ano, e n√£o conseguiu. Depois, tentou insistir em manter metas fiscais mais robustas, mas falhou. Em geral, perdeu as seguidas quedas de bra√ßo para a Casa Civil e o Planejamento ‚Äď cujo titular enxerga, n√£o se sabe como nem onde, o in√≠cio de ‚Äúum novo ciclo de crescimento‚ÄĚ no pa√≠s. Por fim, o ministro que chegara para p√īr ordem na casa terminou por ter que chancelar um or√ßamento com d√©ficit.¬†De fiador do governo, Joaquim Levy passou a coadjuvante¬†da primeira presidente da Rep√ļblica a n√£o conseguir apresentar √† na√ß√£o contas com receitas e despesas equilibradas. A credibilidade se esvaiu. A ru√≠na √† qual o ministro se associou n√£o poderia ser mais completa. Al√©m do trabalho de Levy, Dilma tamb√©m conseguiu implodir o papel e as iniciativas de Michel Temer, a quem, apenas¬†quatro meses atr√°s, delegara a articula√ß√£o pol√≠tica do governo. O vice-presidente tentou construir pontes com o Parlamento, mas foi seguidamente bombardeado pelo Pal√°cio do Planalto, pelo PT e pela pr√≥pria presidente da Rep√ļblica. A terceiriza√ß√£o da pol√≠tica igualmente naufragou. Diante destes fracassos, o que fica clara √© a ampla, total e irrestrita incapacidade de Dilma para liderar uma na√ß√£o, governar um pa√≠s, gerir um governo e comandar uma equipe. Autossuficiente, ela jamais conseguiu enxergar seus erros, corrigir rotas, encontrar sa√≠das. Naquilo que poderia ter sido ajudada por seus auxiliares, sabotou-os. A responsabilidade pela crise sem precedentes na economia, na pol√≠tica, na gest√£o, no campo √©tico e moral nas quais o pa√≠s se encontra cabe inteiramente √† presidente eleita e reeleita. Nada deu certo, mas ela continua acreditando que seu voluntarismo, misturado com sua cren√ßa cega em receitas fracassadas, ainda possa dar algum resultado. N√£o deu, nem dar√°. A culpa √© toda dela. Joaquim Levy e Michel Temer s√£o passageiros de um transatl√Ęntico √† deriva que¬†Dilma Rousseff¬†agora joga ao mar, para naufragar sozinha.

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