Sa√ļde: razo√°vel n√£o, p√©ssima (Carta 972)

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Carta de Formulação e Mobilização Política, 20 de agosto de 2014, No. 972

Em meio a seus t√≠picos rompantes de prepot√™ncia e agressividade, Dilma Rousseff teve um raro momento de sinceridade durante a entrevista que concedeu ao¬†Jornal Nacional¬†anteontem. Foi quando reconheceu, ainda que muito a contragosto, que a sa√ļde brasileira n√£o √© ‚Äúminimamente razo√°vel‚ÄĚ. Ainda assim, a presidente foi condescendente com o que ela e seu partido fizeram ao longo destes √ļltimos 12 anos para cuidar dos servi√ßos oferecidos pelo poder p√ļblico √† popula√ß√£o. Foi quase nada. Na realidade, a situa√ß√£o da sa√ļde est√° distante do razo√°vel. Est√° p√©ssima. Atualmente, 57% dos brasileiros veem a sa√ļde como tema priorit√°rio da agenda nacional, segundo pesquisa¬†divulgada¬†ontem pelo Conselho Federal de Medicina. Nem sempre foi assim: quando a gest√£o petista come√ßou, em 2003, apenas 6% tinham a mesma preocupa√ß√£o. Sinal de que os anos recentes foram de franca deteriora√ß√£o. A reprova√ß√£o √† qualidade dos servi√ßos √© ampla, geral e irrestrita. Segundo a mesma pesquisa, 93% dos brasileiros desaprovam os servi√ßos de sa√ļde, tanto p√ļblicos, quanto privados, oferecidos no Brasil. Para cerca de 60%, eles s√£o ruins ou p√©ssimos. A t√£o acachapantes constata√ß√Ķes, a candidata-presidente retruca dizendo que seu governo agiu e implantou o Mais M√©dicos. ‚Äú50 milh√Ķes de brasileiros n√£o tinham atendimento m√©dico, hoje t√™m‚ÄĚ, disse ela ao telejornal da TV Globo. A partir do que Dilma afirmou na entrevista, duas constata√ß√Ķes se imp√Ķem: 1) at√© um ano atr√°s, ou seja, ao longo de 11 anos, o PT nada fez para enfrentar o problema e, 2) um programa que tem prazo de validade √© tomado como se solu√ß√£o definitiva fosse. A realidade √© que o Mais M√©dicos foi convenientemente sacado da algibeira da alquimia petista para fornecer bom discurso em √©poca de campanha eleitoral. Seus resultados continuam sendo uma inc√≥gnita, apesar de o governo sustentar que resolveu a vida de dezenas de milh√Ķes de brasileiros num passe de m√°gica. Se o programa √© incerto, √© absolutamente evidente e demonstr√°vel que o que Dilma prometeu na campanha de 2010 para melhorar a sa√ļde dos cidad√£os passou longe, muito longe, de se tornar realidade. Apenas para ficar nos mais emblem√°ticos, eram 500 UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e 6.800 UBSs (Unidades B√°sicas de Sa√ļde). E o que foi feito? 23 UPAs e 2.057 UBSs, segundo o mais recente¬†balan√ßo¬†do PAC. Ser√° que Dilma espera ter mandados infinitos para cumprir suas promessas? O SUS vinha estruturando uma bel√≠ssima estrat√©gia para cuidar de maneira continuada da aten√ß√£o b√°sica aos brasileiros: o Sa√ļde da Fam√≠lia. Mas o PT preferiu deix√°-lo na geladeira e segurar sua expans√£o. Hoje sua cobertura limita-se a pouco mais da metade da popula√ß√£o. N√£o surpreende que, com os petistas no comando, a sa√ļde tenha ido parar na UTI.

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