Do tamanho de um mosquito

Publicado em:

Governo petista pouco fez para enfrentar a proliferação do zika. Quando agiu, atrapalhou. Preferiu sempre o espetáculo à ação diária, séria e responsável o avanço da epidemia

Carta de Formulação e Mobilização Política, 27 de janeiro de 2016, N 1291

A epidemia de casos de dengue, chicungunya e zika √© o retrato do abandono do pa√≠s por parte do governo petista. O Brasil do s√©culo 21 convive com doen√ßas que se imaginava h√° muito superadas. Fruto do descaso com a sa√ļde dos brasileiros, mas tamb√©m com a melhoria das condi√ß√Ķes b√°sicas de vida, a come√ßar pelo saneamento. Fruto de governantes que s√≥ se importam mesmo em continuar no poder.

Em 2015, o país bateu recorde de casos de dengue (1,6 milhão) e de mortes decorrentes da doença (863). Na gestão Dilma, além da dengue, o Brasil mudou de patamar e passou a conviver também com a chicungunya e a zika, todos transmitidos pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. Hoje somos tidos como ameaça internacional, devido à relação direta entre o vírus zika e a má-formação cerebral em bebês.

No in√≠cio de 2015, quando gr√°vidas j√° estavam sendo infectadas, o ent√£o ministro da Sa√ļde, Arthur Chioro, dizia que o v√≠rus n√£o preocupava. A primeira notifica√ß√£o do zika no pa√≠s aconteceu tr√™s meses depois. De l√° para c√°, os casos de beb√™s com microcefalia¬†decolaram. Hoje j√° s√£o 4 mil, segundo¬†O Globo. H√° quem preveja que ser√£o 100 mil at√© o fim deste ano.

Durante todo o período, o governo petista pouco fez para enfrentar o problema. Quando agiu, atrapalhou. Quando se manifestou, virou motivo de galhofa. Preferiu sempre o espetáculo à ação diária, séria e responsável de combate à epidemia. Agiu como se tivesse o tamanho de um mosquito. Falhou sempre.

Em julho passado, o governo editou portaria (n¬į 1.025) que acabou por diminuir, na pr√°tica, o n√ļmero de agentes que poderiam ser contratados para o combate ao mosquito transmissor do v√≠rus da dengue, da chicungunya e da zika. Teve que voltar atr√°s, meses depois, por√©m.

Criou, sempre, mais dificuldades que facilidades. Pesquisas para identificar e encontrar formas de combater a zika minguam sem recursos. O teste final para produção da vacina contra a dengue dormiu nas gavetas durante oito meses antes de ser finalmente liberado pela Anvisa no fim de 2015.

Apenas em novembro, com os casos de dengue e as mortes decorrentes da doen√ßa j√° batendo recordes, a presidente da Rep√ļblica come√ßou a falar em agir para combater a prolifera√ß√£o do v√≠rus zika pelo pa√≠s afora. Naquela altura, nove estados j√° estavam sob epidemia e centenas de beb√™s j√° haviam nascido com microcefalia.

As providências oficiais foram as de praxe, em se tratando do modus operandi petista: primeiro foi criado um grupo de trabalho. Duas semanas depois, surgiu um plano nacional de enfrentamento à doença, pomposamente dividido em três eixos de ação, com salas de coordenação e controle sob a responsabilidade de 17 ministérios, além do Exército.

Neste meio tempo, as a√ß√Ķes se caracterizaram pela pirotecnia: a escala√ß√£o das For√ßas Armadas para eliminar criadouros do mosquito transmissor; a distribui√ß√£o de repelentes para 400 mil gr√°vidas atendidas pelo Bolsa Fam√≠lia; a promessa furada de que todos os im√≥veis do pa√≠s seriam vistoriados ‚Ästapenas 15% o foram¬†‚Äď e, agora, a proposta de¬†pagar um sal√°rio m√≠nimo¬†a beb√™s com microcefalia.

N√£o h√° resultados positivos √† vista. Pelo contr√°rio. A situa√ß√£o piorou, e muito. Hoje, apenas dois meses depois que o governo se deu conta de que precisava agir, por meio de seu grupo de trabalho e de seu ‚Äúplano de enfrentamento‚ÄĚ, o n√ļmero de casos de microcefalia decorrentes do v√≠rus zika multiplicou-se por dez.

Nestas √ļltimas semanas, o m√°ximo que o governo petista conseguiu foi emitir recomenda√ß√Ķes estapaf√ļrdias. A come√ßar pela feita pelo Minist√©rio da Sa√ļde sugerindo √†s mulheres que postergassem a gravidez para n√£o correr risco de infectar os beb√™s. Em seguida, veio a ‚Äútorcida‚ÄĚ para que as meninas pegassem a doen√ßa antes de entrar em per√≠odo f√©rtil. Parecia piada, mas n√£o era.

Com a propagação do vírus ocorrendo em proporção geométrica, o Brasil virou ameaça internacional. O país passou a figurar entre as áreas que se recomenda a turistas, principalmente grávidas, evitar por causa do risco de contágio do vírus zika. Viagem ao Brasil? Apenas em casos de extrema necessidade, aconselha-se.

Para piorar, o combate √† epidemia foi deixado em segundo plano diante da¬†guerrinha partid√°ria¬†de sempre no seio do governo. Uma ala acusa a outra de querer enfraquecer o ministro de turno a fim de tentar tomar o butim do bilion√°rio or√ßamento da Sa√ļde. No fim das contas, √© s√≥ por isso que se interessam.

Da presidente da Rep√ļblica n√£o se ouvem ideias ou a√ß√Ķes articuladas para fazer frente √† epidemia. Sabe-se apenas que ela torceu o nariz para as declara√ß√Ķes do ministro da Sa√ļde, para quem o Brasil est√° ‚Äúperdendo feio‚ÄĚ a guerra contra o mosquito da dengue.

A pr√≥pria maneira e os crit√©rios adotados para preenchimentos dos principais escal√Ķes e a forma√ß√£o das equipes nos governos do PT chancelam esta guerra in√≥cua e improdutiva. O que est√° em jogo √© apenas o xadrez para a preserva√ß√£o do poder. Pouco interessam as agruras da popula√ß√£o. A um governo assim, basta um mosquito para derrotar. Para os brasileiros, sobraram a dengue, o zika e a chicungunya.

√öltimas postagens

Instituto Teot√īnio Vilela: SGAS 607 Bloco B M√≥dulo 47 - Ed. Metr√≥polis - Sl 225 - Bras√≠lia - DF - CEP: 70200-670