
Dilma e seus pibinhos (Carta 1042)
Publicado em:
Carta de Formulação e Mobilização PolÃtica, 28 de novembro de 2014, No. 1042
O PIB do terceiro trimestre divulgado nesta manhã pelo IBGE tem pelo menos uma boa notÃcia: a economia brasileira parou de encolher. Afora isso, o padrão pÃfio de crescimento do paÃs na era Dilma se manteve. Até quando os pibinhos continuarão sendo a tônica brasileira? Foi, no entanto, só por um triz que a recessão não se aprofundou. Depois de dois trimestres seguidos em queda, a economia brasileira cresceu módico 0,1% entre julho e setembro. Em geral, os resultados vieram abaixo das expectativas de analistas. Indústria e serviços se expandiram (1,7% e 0,5%, respectivamente) e a agropecuária caiu 1,9%. Outro arrimo da economia brasileira nos anos petistas também cedeu: depois de 43 trimestres seguidos de alta, ou seja, quase 11 anos, o consumo das famÃlias apresentou seu primeiro recuo. A queda foi de 0,3% entre julho e setembro últimos quando comparados ao trimestre imediatamente anterior. Quando se observa o acumulado em quatro trimestres, a alta do PIB foi de apenas 0,7%. É a taxa mais baixa, sob esta ótica, desde o fatÃdico e crÃtico ano de 2009, quando o mundo todo estava na pindaÃba, iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers. Só para recordar: apenas um ano atrás, esta taxa estava em 2,4%. Neste corte temporal, o pior desempenho é o dos investimentos, com queda acumulada de 4,6% em quatro trimestres. Aliás, a taxa de investimentos como proporção do PIB continuou baixÃssima: foi a 17,4% no trimestre. A taxa de poupança mergulhou para 14% do PIB. Se as previsões correntes – expressas no boletim Focus – se confirmarem, a expansão da economia brasileira neste ano será de apenas 0,2%. Com isso, Dilma fechará seu primeiro quadriênio com a menor média de crescimento desde Fernando Collor: 1,6% ao ano. Na era republicana, os dois farão companhia a Floriano Peixoto entre os piores dos piores. Nenhum paÃs da América do Sul se saiu tão mal no perÃodo desde 2011; idem para toda a América Latina. Como se percebe, é uma obra e tanto para ser (des)construÃda em tão pouco tempo de governo. Entre os paÃses que já divulgaram o PIB do terceiro trimestre, o Brasil saiu-se melhor apenas que Ãustria (0%), Itália, Israel (-0,1%) e Japão (-0,4%), de acordo com a OCDE. Na ponta de cima, aparecem Indonésia (1,2%), EUA (1%) e Coreia (0,9%). Os números do PIB dão o contorno mais nÃtido do desafio que a nova equipe econômica de Dilma Rousseff terá pela frente. Para o bem do paÃs, a receita que nos conduziu a este buraco parece prestes a ser rasgada. Resta saber até que ponto a presidente da República estará disposta a deixar de fazer tudo errado como fez nestes últimos quatro anos. Â
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