Alívio Imediato

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Redu√ß√£o dos juros √©¬†–¬†junto com concess√Ķes, privatiza√ß√Ķes e uma agenda microecon√īmica¬†–¬†uma das medidas de efeito mais r√°pido com potencial para reativar a economia e estancar a recess√£o

A pancada que o Copom deu nos juros na semana passada abre uma avenida para que o pa√≠s reencontre o caminho do crescimento econ√īmico. Taxas menores, mais pr√≥ximas do patamar prevalecente no resto do mundo, podem funcionar como al√≠vio imediato at√© que as reformas comecem a decolar.

A redu√ß√£o, de 0,75 ponto percentual, foi a maior desde abril de 2012 e levou o juro b√°sico a 13% ao ano. O Copom, por√©m, escancarou a porta para novos cortes, provavelmente de igual ou maior magnitude, nas reuni√Ķes futuras –¬†a pr√≥xima acontece em 22 de fevereiro. Prometeu, segundo informou na¬†nota¬†divulgada ap√≥s a reuni√£o, “intensifica√ß√£o da flexibiliza√ß√£o monet√°ria em curso”, at√© porque a recess√£o segue mais brava que o esperado.

Foi a terceira redução seguida da Selic, após quatro anos sem baixas. Os cortes só se tornaram possíveis porque a inflação, que ameaçou sair de controle em razão da leniência do governo petista, arrefeceu, ao mesmo tempo em que a economia esfriou acima do previsto. Além disso, a perspectiva da retomada da disciplina fiscal também tirou das costas do Banco Central o peso de tentar segurar sozinho os preços.

A derrocada do PT abriu espa√ßo para que o controle da infla√ß√£o se tornasse mais bem sucedido. Tamb√©m ficamos sabendo na semana passada que o √≠ndice oficial fechou 2016 em 6,3%, dentro do limite de toler√Ęncia estipulado pelo regime de metas, e uma fa√ßanha quando se considera que um ano antes o IPCA havia atingido 10,7%. J√° se trabalha com a hip√≥tese de infla√ß√£o na meta neste ano.

O efeito analg√©sico e anabolizante dos juros mais baixos na economia se faz sentir com maior intensidade nas contas p√ļblicas e nos investimentos privados –¬†estes, por√©m, num efeito mais lento e moderado.

Taxas menores significam menos disp√™ndios do governo com a rolagem da sua d√≠vida –¬†estima-se economia anual de pelo menos R$ 16 bilh√Ķes s√≥ com o corte da semana passada. Tamb√©m funcionam como indutor para que o dinheiro privado circule, gerando mais neg√≥cios, emprego e renda, e n√£o permane√ßa parado, engordando em bancos.

O corte dos juros chega em boa hora, principalmente porque o atual ciclo de redu√ß√£o n√£o repete o v√≠cio do voluntarismo que marcou o per√≠odo de quedas mais recente, no in√≠cio do governo Dilma Rousseff. Diante da terra arrasada legada pelo PT, √© uma das medidas com potencial para reativar a economia e estancar a recess√£o. Outros meios de se atingir tal objetivo s√£o as concess√Ķes e privatiza√ß√Ķes, al√©m de uma agenda na microeconomia que o atual governo j√° come√ßou a adotar, como a libera√ß√£o de contas inativas do FGTS.

Agora, a depender da condu√ß√£o da agenda reformista, h√° claras chances de a baixa ser duradoura. Quem sabe o Brasil finalmente deixe de ser uma jabuticaba em mat√©ria de pol√≠tica monet√°ria –¬†ainda temos, de longe, o maior juro real do mundo, em torno de 8% ao ano –¬†e o al√≠vio se torne permanente.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1504

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