Ainda s贸 uma fresta na caixa-preta (Carta 1153)

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Carta de Formula莽茫o e Mobiliza莽茫o Pol铆tica, 03 de junho de 2015, No. 1153

Durante anos o BNDES manteve pesado sigilo sobre as suas opera莽玫es de empr茅stimos e financiamentos. Ontem, finalmente, depois de muito ser cobrada e sempre ter resistido, a institui莽茫o financeira admitiu come莽ar a jogar um facho de luz sobre sua atua莽茫o. As primeiras an谩lises mostram que o banco s贸 茅 bom para poucos, principalmente quando atua no exterior. Apenas聽cinco grandes empreiteiras聽concentram 99,4% das opera莽玫es financiadas no exterior, que perfazem US$ 11,9 bilh玫es desde 2007. N茫o por coincid锚ncia, s茫o as mesmas empresas que figuram nos primeiros lugares das listas de doa莽玫es eleitorais ao PT e aos principais partidos no governo. Os privil茅gios tamb茅m se estendem a uma casta de pa铆ses. Angola e Venezuela abocanham 48% das opera莽玫es feitas fora do Brasil nos 煤ltimos oito anos. Em geral, s茫o beneficiadas por condi莽玫es muito mais camaradas do que as franqueadas a opera莽玫es feitas aqui dentro empregando brasileiros. Obras como o corredor rodovi谩rio constru铆do聽pela Andrade Gutierrez em Gana pagam juros anuais de 2,8%. Na Venezuela, a taxa varia de 3,45% a 4,45%. 脡 de pai para filho. Cuba paga um pouco mais, mas obteve as condi莽玫es mais camaradas em termos de prazo para quitar os empr茅stimos feitos para construir o porto de Muriel: 25 anos, ante m茅dia de 15 nos demais contratos. Porto similar feito no Brasil (o Sudeste, de Eike Batista) teve condi莽玫es bem piores de prazo e juros muito mais altos. A situa莽茫o da ilha 茅 exemplar das escolhas arbitr谩rias feitas pelo governo petista e aplicadas pela dire莽茫o do BNDES nos 煤ltimos anos. Se fosse observado o risco de cr茅dito do governo cubano, que sequer consegue acessar o mercado global, os juros cobrados pelo Brasil teriam que ser pelo menos duas vezes maiores. Al茅m disso, a garantia de opera莽玫es como as de Cuba s茫o fundos or莽ament谩rios do pr贸prio governo brasileiro. 脡 salutar que o BNDES comece a abrir sua caixa preta. Mas a transpar锚ncia precisa avan莽ar. O sigilo 鈥 baixado por Fernando Pimentel quando ministro de Desenvolvimento 鈥 ainda se mant茅m em relat贸rios internos sobre as opera莽玫es e nas justificativas elencadas pela institui莽茫o para embasar as condi莽玫es dadas nos financiamentos. O importante 茅 que as opera莽玫es do banco respondam a, pelo menos, duas perguntas b谩sicas: quem est谩 pagando pelas condi莽玫es privilegiadas ofertadas a uns poucos escolhidos? Que benef铆cios estas opera莽玫es, feitas com montanhas de dinheiro p煤blico, est茫o trazendo para a sociedade brasileira? Enquanto pairarem d煤vidas a respeito, o BNDES ainda estar谩 longe de ser um 鈥渓ivro aberto鈥, como a publicidade oficial oportunisticamente agora apregoa.

 

 

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