A vítima é o país

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Lula, o padrinho dos rica√ßos, se diz perseguido das elites, injusti√ßado pelas institui√ß√Ķes, persona non grata da imprensa. A fantasia de pai dos pobres j√° rasgou h√° muito tempo

Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, 07 de mar√ßo de 2016, N¬ļ 1316

Desde a √ļltima sexta-feira, o ex-presidente Luiz In√°cio Lula da Silva voltou a envergar a fantasia de que mais gosta, a de v√≠tima. O padrinho dos rica√ßos se diz um perseguido das elites, um injusti√ßado pelas institui√ß√Ķes, uma persona non grata da imprensa. Esfarrapada, a pantomima de pai dos pobres n√£o se sustenta. Lula √© caso de pol√≠cia.

O petista passou semanas em sil√™ncio, enquanto as acusa√ß√Ķes de que enriquecera ilicitamente, engordado pelo petrol√£o, se avolumavam. A cada dia, sabe-se de nova benesse esp√ļria. √Č o s√≠tio de Atibaia, o tr√≠plex do Guaruj√°, uma antena de telefonia de uso particular, coberturas onde se vive a vida toda de favores (n√£o apenas uma, mas duas, como informa¬†O Estado de S. Paulo¬†em sua edi√ß√£o de hoje), reformas e eletrodom√©sticos que caem do c√©u. Sobre isso, Lula nada tem a dizer.

O ex-presidente continua sem dar respostas convincentes ‚Äď ou, pelo menos, objetivas, ponto por ponto e n√£o de maneira sub-rept√≠cia como ele fez na sexta-feira ‚Äď √†s suspeitas de que usou a presid√™ncia do pa√≠s para se locupletar, enriquecer, prosperar na vida. Corre risco de ser processado e punido por improbidade administrativa, vendo sua quimera de voltar ao poder esvair-se na lama em que fundou seu projeto pol√≠tico¬†e na qual atolou o pa√≠s.

Diante dos fatos, Lula e o PT respondem com arreganhos, amea√ßas, incita√ß√£o a hordas incivilizadas, afrontas ao Estado democr√°tico de direito. N√£o √© coisa de quem preza a democracia, de quem respeita as institui√ß√Ķes, tampouco de quem n√£o teme o avan√ßo da Justi√ßa. Pelo contr√°rio: √© atitude de quem est√° devendo. Garras escancaradas s√£o a arma de pe√ßonhentos.

H√°, sim, uma v√≠tima neste teatro do absurdo em que Lula, Dilma e o PT transformaram o Brasil: o pr√≥prio pa√≠s. N√£o h√° salva√ß√£o √† vista enquanto esta gente se mantiver no comando. A na√ß√£o est√° em franco retrocesso, estupefata √† espera de novas e mais graves revela√ß√Ķes, mas, ao mesmo tempo, mobilizada para p√īr em marcha um processo ‚Äď estritamente dentro dos limites constitucionais ‚Äď que d√™ fim ao atual estado de coisas.

Por seu turno, Lula e o PT j√° apresentaram suas armas. Al√©m da manipula√ß√£o de sempre, o confronto com a justi√ßa, as agress√Ķes f√≠sicas, a viol√™ncia expl√≠cita. Aterrorizam com a possibilidade de ‚Äújusti√ßamentos‚ÄĚ, ‚Äú√≥dios progressivos‚ÄĚ e a amea√ßa de transformar o Brasil numa Venezuela, como faz Gilberto Carvalho em entrevista √†¬†Folha de S.Paulo. Este talvez seja, afinal, o sonho maior desta gente. Mas aqui n√£o passar√£o.

O Brasil √© v√≠tima de um governo que n√£o existe, de uma organiza√ß√£o criminosa, de uma economia que afunda, da carestia que s√≥ se agrava, do desemprego que afeta pais de fam√≠lias e desalenta nossos jovens. A v√≠tima deste descalabro n√£o √© Lula, n√£o √© o PT, tampouco Dilma. √Č o pa√≠s que eles destru√≠ram, mas que, em breve, os brasileiros come√ßaremos a reconstruir. Sem Lula, sem Dilma, sem o PT.

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