“O Natal e a renovação da esperança”, por Marcus Pestana

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É Natal! Associamos esta data especial a sentimos nobres que fazem a vida ganhar sentido: esperança, solidariedade, caridade, amor ao próximo, perdão. Coisas tão em falta no mundo contemporâneo. Tudo aquilo que Cristo tentou semear. O menino lançou luzes sobre a travessia humana. E como quis o poeta Fernando Brant: “Toda vez que a bruxa me assombra/O menino me dá a mão/E me fala de coisas bonitas/Que eu acredito não deixarão de existir/Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade/Alegria e amor”.

Nenhum outro acontecimento conseguiu dividir a história como o que estamos celebrando hoje: antes de Cristo, depois de Cristo. Em Lucas, 1:30-33, está dito na Bíblia: “Mas o anjo lhe disse: ‘Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu reino jamais terá fim”. E sobrevive vinte séculos depois. Um reino que nasceu numa simples manjedoura, não teve palácios e tesouros, e viveu da palavra e das sementes plantadas.

O Natal de 2021 é o fecho de um ano de muitas provações. O mundo mergulhou num surto pandêmico que levou milhões de vidas. Só no Brasil foram mais de 618 mil vidas perdidas. Às vezes, mergulhados no individualismo e na indiferença, esquecemos que não estamos sozinhos, que dependemos uns dos outros, que as misérias humanas e as desigualdades não são parte de uma ordem natural inevitável. É de cortar o coração saber que 19 milhões de brasileiros serão assombrados pela fome neste Natal.

Os valores e os ensinamentos cristãos foram amplamente difundidos. Mas as escolhas são nossas. O Brasil vive momentos tensos. A liberdade ameaçada, a inflação tornando mais pobres os já muito pobres, o desemprego alimentando a desesperança, as desigualdades se ampliando. Que as escolhas futuras se inspirem no espírito do Natal. A miséria, a pobreza e a fome no Brasil não devem ser banalizadas, pois são a negação das coisas bonitas que nos fala o menino e que o Natal tenta nos relembrar.

Papai Noel nasceu longe do Polo Norte, na Turquia. Teve origem em São Nicolau, bispo católico do século IV, homem bondoso que presenteava as crianças no dia do seu aniversário. A figura do bom velhinho virou um personagem. Mas foi cooptada pela sociedade de consumo. A roupa vermelha foi uma invenção da Coca-Cola. O Polo Norte foi uma estratégia para estimular o turismo do governo finlandês, que construiu uma vila na Lapônia, que se tornaria o lar do bom velhinho. Noël em francês significa Natal. O Papai Noel foi adaptação para o português. A troca de presentes carrega uma simbologia de amor aos próximos. Nada errado estimular a fantasia das crianças e trocar presentes, desde que o sentido original do Natal não se perca.

Fiquemos com João Cabral de Melo Neto em seu “Cartão de Natal”: “Pois que reinaugurando essa criança/pensam os homens reinaugurar a sua vida/e começar novo caderno/fresco como o pão do dia/pois que nestes dias a aventura/parece em ponto de voo/ e parece que vão enfim poder explodir suas sementes:/ que desta vez não se perca esse caderno/sua atração núbil para o dente/que o entusiasmo conserve vivas suas molas/e possa enfim o ferro comer a ferrugem/o sim comer o não”.

(*) Economista e consultor do ITV, foi deputado federal pelo PSDB-MG

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