“O falso dilema entre sa√ļde e economia”, por Marcus Pestana

Publicado em:

Nenhum de n√≥s poderia imaginar que o Brasil chegaria a mais de 345 mil mortes. Passamos os EUA em mortes di√°rias. A raz√£o √© simples: a diferen√ßa de ritmo na imuniza√ß√£o. O SUS resiste heroicamente. A Sa√ļde Suplementar d√° respostas aos seus 47 milh√Ķes de usu√°rios. Mas o horizonte de vacina√ß√£o ainda √© incerto.

Não havia registro de mortes por desassistência hospitalar. Agora, dada a velocidade de propagação das novas variantes do vírus, formaram-se filas para acesso às UTIs e muitos estão indo à óbito sem conseguir acesso a tratamentos intensivos. Sem falar na ameaça de desabastecimento de medicamentos essenciais como sedativos, anestésicos e anticoagulantes.

Paralelamente, estabeleceu-se a polêmica sobre a compra privada de vacinas, o que quebraria o sentido democrático e epidemiológico de organização das prioridades na fila de imunização.

Desde o in√≠cio da pandemia, em mar√ßo de 2020, erramos ao estabelecer um falso dilema entre sa√ļde e economia. Cada um de n√≥s s√≥ estar√° salvo, quando todos estiverem livres do v√≠rus. Inclusive a economia. √Č natural a dificuldade de governadores e prefeitos para imporem medidas restritivas. Mais uma vez, faltou coordena√ß√£o e sincronia. A decreta√ß√£o de lockdowns e assemelhados √© necess√°ria enquanto n√£o superarmos o atraso na vacina√ß√£o. Mas, as medidas de distanciamento social t√™m que ser acompanhadas de apoios compensat√≥rios aos mais pobres e √†s empresas.

Temos boas not√≠cias no front econ√īmico para a retomada p√≥s-pandemia. Vota√ß√Ķes importantes ocorreram no Congresso com a aprova√ß√£o dos novos marcos legais do saneamento e do g√°s e das novas leis de fal√™ncia e de licita√ß√Ķes. Tamb√©m o leil√£o das concess√Ķes de 22 aeroportos, agrupados em tr√™s lotes (Norte, Centro e Sul), com um √°gio de 3.822% e investimentos da ordem de 6 bilh√Ķes de reais em trinta anos, foi um sucesso.

Mas nem tudo s√£o flores e c√©u de brigadeiro na pol√≠tica e na economia. Felizmente a crise militar foi debelada e como disse o ex-ministro da Defesa, Raul Jungmann: ‚Äútodos prestaram contin√™ncia √† Constitui√ß√£o‚ÄĚ. Mas se h√° not√≠cias boas, h√° tamb√©m problemas. Primeiro, a discuss√£o do OGU/2021 virou uma confus√£o generalizada e demonstrou a Torre de Babel que impera, √†s vezes, na interlocu√ß√£o entre o Governo e o Parlamento. Por outro lado, o Congresso entrou em abril com diversas propostas legislativas com sinaliza√ß√£o equivocada, como por exemplo, o congelamento de pre√ßos de medicamentos e planos de sa√ļde.

Ora, a economia de mercado pressup√Ķe competi√ß√£o, sistema de pre√ßos relativos orquestrando a aloca√ß√£o de recursos, custos, sustentabilidade, liberdade econ√īmica e regula√ß√£o seletiva e eficaz. O Brasil para a retomada precisa enfrentar dois problemas fundamentais: o estrangulamento fiscal e a cria√ß√£o de um ambiente de neg√≥cios atrativo. Congelamentos geram disfun√ß√Ķes como fal√™ncias, desabastecimento e ‚Äúmercado negro‚ÄĚ e espantam investimentos. A Petrobr√°s praticou aumentos de 54% na gasolina e 22,7% no g√°s de cozinha. O √≥leo de soja aumentou 84,22% e o arroz, 69,01%. Temos que enfrentar corajosamente essa quest√£o cultural, pol√≠tica e ideol√≥gica: queremos uma moderna economia de mercado ou vamos sempre cultivar a utopia de um Estado intervencionista e onipresente operando uma economia centralizada? A experi√™ncia hist√≥rica ensina qual √© o melhor caminho.

(*) Economista, foi deputado federal pelo PSDB-MG

      

 

Os coment√°rios est√£o desativados.

Cadastre-se e receba as novidades do ITV

Instituto Teot√īnio Vilela: SGAS 607 Bloco B M√≥dulo 47 - Ed. Metr√≥polis - Sl 225 - Bras√≠lia - DF - CEP: 70200-670