“Antes de nomes, ideias”, por Eduardo Leite

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A sociedade brasileira está inquieta com relação a seu futuro. O Brasil, ferido pela insensatez das batalhas ideológicas que dividem, segregam e confrontam nossa essência, assiste à intensificação de movimentos em direção à disputa presidencial de 2022. E esses naturais deslocamentos político-partidários reprisam um cenário que já se mostrou catastrófico para o país: o da indicação, ou até mesmo imposição, de nomes, à revelia de projetos para a nação.

A elaboração de um projeto qualificado e coerente para o Brasil deve ser a premissa para a construção de uma candidatura presidencial. É isso que venho defendendo junto a meu partido, o PSDB, antes que se avance para a escolha do nome que melhor poderá representar essas ideias. Acima de tudo, as prioridades precisam ser a apresentação e o desenvolvimento de um projeto alternativo ao vigente, diferente do que governou o país durante 13 anos e capaz de melhorar a vida no nosso país.

É dever de um partido como o PSDB colocar-se à frente de um projeto social-democrata, que trabalhe pelo desenvolvimento econômico e social do Brasil. A agenda do PSDB precisa ser clara e coerente: somos um partido reformista, que preza a eficiência na gestão, defende a liberdade econômica, as liberdades individuais, acredita na importância de pautas progressistas e trabalha pelo bem-estar do cidadão, por meio da prestação de serviços públicos de qualidade nas áreas essenciais.

O Brasil é um país que vem crescendo de lado nos últimos anos, com desemprego em alta, inflação disparando, precarização das condições de vida e aumento da pobreza. Um projeto que trate temas tão relevantes de maneira secundária, e tenha foco prioritário em atender aos anseios pessoais de quem deseja presidir o país, é um projeto que nasce morto. Mais do que a identificação pessoal do eleitor com um candidato, é fundamental o espelhar de anseios e ideias entre quem elege e quem governa.

Como governador do Rio Grande do Sul, embora ainda haja muito o que fazer, obtivemos êxito na implementação de uma agenda que segue a cartilha social-democrata. Assumimos um estado endividado, com problemas estruturais gravíssimos, que não conseguia nem sequer pagar os salários dos servidores em dia.

Aprovamos as mais profundas reformas entre os estados brasileiros, com alterações nas carreiras do funcionalismo, reforma da Previdência, concessões, privatizações e redução de impostos. Aumentamos em 115% o número de leitos de UTI para enfrentar a Covid-19 e criamos um modelo pioneiro de distanciamento controlado, permitindo que a economia funcionasse e preservando vidas. Reorganizamos as finanças, colocamos salários de servidores em dia e estamos viabilizando investimentos.

Mais do que promover todas essas reformas, o que diferencia nosso governo não é apenas o que foi feito, mas como foi feito. Não fizemos nada sem dialogar. Nos primeiros dias de gestão, recebi em meu gabinete todos os 55 deputados estaduais eleitos, sem distinção de partido ou ideologia. Fiz isso porque acredito numa política feita com diálogo e respeito às diferenças. A abertura ao diálogo não significa ausência de posição. Mas um governante também precisa estar aberto a ser convencido, e não apenas a impor suas vontades e convicções.

Entendo que é essa a sobriedade institucional de que o Brasil precisa. Para isso, precisamos, políticos e sociedade, buscar mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. A busca por consensos mínimos, que possibilitem avanços econômicos e sociais, precisa estar acima de vaidades pessoais e ideologias. O Brasil não tem mais espaço para autoritarismos, estejam eles em qualquer esfera de poder. Não há mais espaço para divisões entre nós e eles. Antes do embate, precisamos de composição. Antes de enfrentamento, diálogo. Antes de qualquer coisa, cicatrizar as feridas, e não abrir novas. Antes de nomes, ideias.

(*) Governador do Rio Grande do Sul

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