10 de MAR. de 2016
8h
Brasília, Distrito Federal, Brasil

ITV e PSDB debatem propostas para a área social durante seminário em Brasília


Palestrantes
Eduardo Barbosa (deputado federal)
Solange Jurema (presidente do PSDB Mulher)
Fernanda Richa (Secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social do Paraná)
Leda Borges (Secretária Cidadania, Trabalho e Mulher do Estado de Goiás)
Heitor Pinheiro (Secretário de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do Pará)
Maria do Carmo Brant (Secretária Adjunta de Conteúdo de Desenvolvimento Social em São Paulo)
Valdiney Arruda (Secretário de Trabalho e Assistência Social do Mato Grosso)
Mansueto Almeida (economista)


O Instituto Teotônio Vilela e o PSDB realizaram, nesta quinta-feira (10/03), o Seminário “Caminhos para o Brasil – Social”, com o objetivo de debater e apresentar propostas para as áreas de assistência social, cidadania, infância e juventude, idosos, mulheres, pessoas com deficiência, combate à fome, emprego e renda. Sob o comando do presidente do ITV, José Aníbal, e do presidente do PSDB, Aécio Neves, o seminário também marcou o lançamento do Caderno “Travessia” – um compilado de 126 sugestões de projetos na área social, que poderão ser adotadas por prefeitos e candidatos tucanos às eleições municipais.

O Seminário foi aberto pelo deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que traçou um histórico da implantação das políticas sociais no Brasil . “A consolidação dos programas sociais que temos hoje se deu a partir dos benefícios criados no governo Fernando Henrique Cardoso. Não podemos repetir a frase ‘nunca antes nesse país’, porque não é verdade”, afirmou o deputado – um dos maiores especialistas da área no Congresso Nacional.

Segundo Barbosa, o governo Fernando Henrique recebeu das gestões que o antecedeu os indicadores necessários para dar início a programas que mais tarde se unificaram até chegarem à rede de assistência existente hoje. O deputado também fez uma autocrítica, argumentando que o PSDB não associou sua imagem a isso, quando na verdade sempre teve seu trabalho atrelado ao social, à assistência e à busca pela redução das desigualdades.

Segundo ele, foi o estabelecimento dos fundos sociais dos estados e dos municípios que permitiram a criação de uma nova sistemática. “A implantação dessa lógica foi um desafio, pois a pseudopolítica de assistência que havia, até então, estava centralizada nos gabinetes dos gestores que distribuíam os benefícios aos seus eleitores”, destacou. Segundo ele, toda uma lógica foi mudada e as filas nos gabinetes dos prefeitos praticamente acabaram, pois os benefícios passaram a ser concedidos a quem tinha cadastro. Foi a partir de então que, de fato, começou o enfrentamento da pobreza com a criação do Bolsa Escola e demais benefícios. No final do governo foi estabelecido o Cadastro Único. Outro ponto lembrado pelo deputado foi a criação dos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS).

“Hoje temos uma política positiva, oportuna e necessária para garantir o mínimo que o cidadão necessita para transpor a situação em que se encontra. O papel do PSDB foi fundamental. Trata-se de um partido do social, mas ainda estamos longe do diálogo com as pessoas que são beneficiadas por toda essa rede, que pensa que somos uma legenda contrária ao social”, alertou Barbosa. 


Secretários tucanos falam sobre políticas sociais nos estados

O Seminário “Caminhos para o Brasil – Social” também contou com a presença dos secretários da área em governos do PSDB. A mesa de debates foi mediada pela presidente nacional do PSDB Mulher, Solange Jurema. Ela criticou a “perversa distribuição fiscal” que deixa as políticas públicas de estados e municípios à mercê do governo federal. “As políticas sociais são tão importantes quanto as políticas econômicas. Elas têm que andar juntas para que alcancemos o desenvolvimento que queremos em todo o nosso país”, disse.

Secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social do Paraná, Fernanda Richa enumerou iniciativas da gestão do governador Beto Richa que deram certo, como o programa “Família Paranaense”. O projeto reestruturou os municípios, atendendo a 92 mil famílias no primeiro mandato do governador. A meta para o segundo é de 200 mil famílias beneficiadas. Ela também lamentou a opção da gestão da presidente Dilma Rousseff por uma “propaganda enganosa” que fez com que as pessoas ascendessem economicamente, mas continuassem sem acesso a serviços básicos – saúde, educação, empregos.

Heitor Pinheiro, secretário de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do Pará, considerou fundamental a integração dos serviços públicos. Ele citou que o governo paraense criou o Índice do Progresso Social (IPS), que, em cruzamento com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), serve como base para a priorização de ações e áreas de atuação.

A secretária Cidadania, Trabalho e Mulher do Estado de Goiás, Lêda Borges, destacou a reforma administrativa promovida no estado, que transformou as 17 pastas da gestão em apenas 10. “O corte nas despesas de pessoal e custeio promoveu uma economia de R$ 25 milhões, o que ajudou na manutenção dos programas sociais”, disse.

Maria do Carmo Brant, secretária Adjunta de Conteúdo de Desenvolvimento Social em São Paulo, enfatizou que não basta apenas trabalhar a pobreza, é preciso “agir de forma articulada intersetorialmente com outras políticas”. Segundo ela, o governo paulista tem procurado fortalecer as redes de serviços sociais dos municípios com o “Família Paulista”, programa de combate à pobreza e atenção à família inspirado pelo “Família Paranaense”.

Já o secretário de Trabalho e Assistência Social do Mato Grosso, Valdiney de Arruda, ressaltou que o país precisa repensar os fundos constitucionais e aprimorar os mecanismos de diagnóstico dos problemas sociais. “Não vamos encontrar o remédio se não soubermos a doença”, destacou. Ele completou dizendo que o Brasil deve olhar para frente, não repetindo os erros do passado, para que se consiga “pautar na política brasileira o desenvolvimento social, do mesmo modo que discutimos a questão econômica”.

Mansueto: países mais ricos gastam mais com o social

Em sua palestra, o economista Mansueto Almeida afirmou que não faz sentido falar em crescimento econômico sem falar em crescimento social. Segundo ele, os países que mais gastam com política social não são os mais pobres e sim, os mais ricos. “Crescimento das despesas neste ano será de R$ 87 bilhões, o que vai agravar desequilíbrio fiscal do país. Mas, se a economia tivesse crescendo 3%, o gasto do governo poderia crescer R$ 100 bilhões que não havia problema”, afirmou. Segundo ele, no ano passado, o país gastou R$ 1,3 trilhão com pagamento de juros, enquanto o gasto social foi de R$ 70 bilhões.

“Em 2003, quando Lula assumiu o governo, o ajuste fiscal necessário foi de R$ 30 bilhões. A dívida do Brasil terminou janeiro deste ano em 67% do PIB. É a maior dívida entre os países emergentes”, completou.  De acordo com Mansueto, em 2018, para estancar o crescimento da dívida, o Brasil terá que fazer um esforço fiscal de R$ 300 bilhões. “O próximo governo, esse sim, receberá uma herança maldita, concluiu.

PSDB nunca esteve distante das questões sociais, diz Aécio

Aécio Neves ressaltou em seu discurso a trajetória do PSDB no combate à hiperinflação, no apoio ao Plano Real, na implantação dos marcos da economia e dos primeiros programas de transferência de renda, iniciados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, o PSDB nunca esteve distante das questões sociais. “Não houve nenhuma política de inclusão maior na história recente do país, e incluo o Bolsa Família, do que o Plano Real, do que a estabilidade da moeda, que tirou o imposto inflacionário das costas de dezenas de milhões de brasileiros”, destacou Aécio Neves durante o debate.

O presidente do PSDB fez um alerta sobre o impacto do agravamento da crise econômica sobre a população mais pobre e sobre a forte redução dos investimentos federais na saúde, educação, saneamento e em programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e o Pronatec. “Assistimos à presidente Dilma dizendo que os programas sociais estavam preservados. Mentira. Não estão. Todos eles com orçamento minguando, porque quando há falência econômica, quando há a destruição da capacidade de o país crescer quem sofre primeiro são os mais vulneráveis, os que dependem desses programas”, criticou.

Debates sobre a questão social serão levados para todo o Brasil

O presidente do ITV, José Aníbal avaliou que “faltou convicção” ao PSDB para reafirmar suas políticas sociais e que o partido “perdeu sua narrativa” para a área. “O PSDB viveu um momento de passagem para assumir os desafios da hora. Esse momento, porém, ficou inconcluso, seja premido pelas circunstâncias eleitorais, seja por escassez de conceituação e compromisso com o que representa a social democracia contemporânea”, disse.

“Levaremos essa reflexão sobre as questões sociais para todo o Brasil durante diversos encontros regionais que realizaremos. Mesmo com o enorme déficit nas contas públicas, pudemos ver aqui nos depoimentos dos secretários o quanto avançamos na questão social nos estados administrados pelo PSDB”, complementou. “Temos que pensar num arranjo político que nos tire dessa situação. No próximo dia 13, domingo, vamos às ruas contra o 13 e todos os malfeitos desse governo petista que tanto infelicita nosso país”, finalizou José Aníbal.

“Quero deixar claro que esse não é apenas mais um dos inúmeros seminários que PSDB realizou. Esse é o mais emblemático de todos e é o início do reencontro do PSDB com a sua própria história. Vamos olhar para trás e andar de cabeça erguida dizendo que foram tomadas no governo do Fernando Henrique as mais importantes medidas de proteção social que esse país já viveu. Se foram ampliadas, recebem o nosso aplauso, mas todas hoje correm enorme risco pelo desatino de decisões tomadas por um governo incompetente, de um lado, e irresponsável por outro, que privilegia o marketing ao invés das políticas sociais, que pensa sempre nele em primeiro lugar e não no Brasil que ele governa”, completou o presidente do PSDB, senador Aécio Neves.

LEIA AQUI A SÚMULA DO SEMINÁRIO 

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