15 de ABR. de 2016
19h
Campo Grande - MS

Desenvolvimento regional é tema de encontro em Campo Grande

O Instituto Teotônio Vilela (ITV) e o PSDB-MS realizaram, no dia 14/04 em Campo Grande, o Encontro "Caminhos para o Centro-Oeste", com debate sobre as perspectivas para o desenvolvimento regional. O evento teve a presença do governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, da vice-governadora Rose Modesto, deputados, prefeitos, vereadores e lideranças do PSDB sul-matogrossense.
Um dos palestrantes do encontro, o engenheiro agrônomo e doutor e administração Xico Graziano fez um comparativo entre a situação do Brasil e alguns indicadores do agronegócio. "No ranking da competitividade, ocupamos o 75º lugar entre 115 países; em logística, estamos na 65ª posição mundial entre 160. Na educação, ocupamos o 60º lugar entre 75 países e, no que diz respeito à qualidade de vida, estamos em 85º lugar no ranking global", mostrou.
Já a agropecuária, destacou Graziano, está em alta, chegando a apresentar taxa de crescimento médio de 3,51% ao ano desde 1975 - nos Estados Unidos, por exemplo, essa taxa é 1,87% ao ano. "As exportações no campo crescem, a produção de grãos no Brasil é um sucesso global. Somos o 3º maior exportador mundial de milho, exportamos 22% do açúcar consumido no mundo e 46% da soja. São 45 milhões de sacas de café, com lavouras se expandido para o Norte e Nordeste", demonstrou.
"O agronegócio é a âncora sustentável da economia. Enquanto o PIB brasileiro caiu 3,8%, a agropecuária cresceu 1,8%", completou. De acordo com os dados apresentados, o superávit da balança da agricultura foi US$ 75,1 bilhões em 2015. Outros produtos apresentaram déficit de US 55 bilhões. O superávit geral de US$ 19 bilhões ocorreu graças à agropecuária. "Além disso, onde a base da economia é o agronegócio, não há desemprego", disse. "Os estados que tem o agronegócio como base da economia, caso do Mato Grosso do Sul, estão com a bola na mão. Temos uma saída para este momento pela agropecuária, que gera empregos e dividas. Essa agenda não pode ser menosprezada", concluiu.

Ajuste fiscal planejado
Ao falar do cenário econômico atual, o economista Mansueto Almeida defendeu a necessidade de um ajuste fiscal de forma planejada, antes que seja necessária uma "volta ao passado" - ajuste via inflação e possível calote na dívida pública. "Fernando Henrique deixou a casa arrumada, com um crescimento de 3,2% do PIB ao ano, economia estabilizada, reformas do Estado realizadas. Assim, tivemos um boom de crescimento até 2006. Depois, os governos do PT cometeram alguns equívocos como mudança nos marcos regulatórios e interferências desnecessárias na economia. O desajuste foi tão grande, que será difícil sair", afirmou.
Segundo projeções do FMI mostradas pelo economista, a taxa de investimento no Brasil está em 19% do PIB e assim deve continuar até 2021. O PIB projetado até 2018 terá retração de 0,1% ao ano. "Ao mesmo tempo, o déficit do setor público, que correspondia a 2,5% do PIB há dois anos, hoje corresponde a 10,7%. Pelas projeções do FMI, o déficit nominal ficará em 6 pontos do PIB até 2021. Além disso, as projeções são de crescimento do desemprego até o início da próxima década", completou.
"O ajuste fiscal que o governo tentou não foi sustentável, pois não houve corte de pessoal. Dos R$ 31 bilhões cortados, R$ 30 bilhões foram em investimentos", explicou. Segundo ele, o governo também não consegue controlar o crescimento da dívida pública, não recupera o superávit e aumenta a carta tributária. "O que esperar para este ano? No Orçamento há uma perspectiva de crescimento impossível, o governo não tem convicção para fazer o ajuste fiscal, os investidores não confiam. Se não resolvermos os problemas como adultos - o que é impossível com esse governo, vamos voltar a algo que pensávamos ter acabado ainda nos anos FHC", concluiu.

Governar com prioridades
O governador Reinaldo Azambuja destacou a responsabilidade do PSDB com a região Centro-Oeste, uma vez que o partido governa, além do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. "Encontros como este, de formação política, são muito importantes. O Brasil vive um momento turbulento. Quem governa deve eleger prioridades. Conseguimos aqui fazer uma travessia com bastante responsabilidade, gastando menos para dentro e mais para fora. Enxugando a máquina para fazer investimentos em setores importantes", disse, citando a Caravana da Saúde e o Consórcio Brasil Central - que permite a cooperação entre os três estados, atendendo setores como transporte e logística.

Diálogo com a sociedade
"Reunir pessoas com sensibilidade, que representam os municípios e as regiões, demonstra que o PSDB está pensando o Brasil. Essa oxigenação é importante, sobretudo, neste momento em que não sabemos para onde o país vai caminhar", completou o presidente do PSDB-MS, Márcio Monteiro.
O presidente do ITV-MS, Ricardo Senna, destacou os objetivos dos encontros promovidos pelo Instituto: formar uma agenda de discussão política para as eleições e também debater o que o PSDB tem feito em suas administrações e governos estaduais. "O tema que escolhemos para o Centro-Oeste é muito oportuno, em função do quadro de crise que temos hoje", disse. "O ITV é a ponta de lança no diálogo do partido com a sociedade e é o canal para fazermos o contraponto dentro do próprio PSDB, filtrando o que a sociedade está pensando", concluiu.

Assista às palestras!

Xico Graziano


Mansuesto Almeida

Fotos do Evento