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País precisa superar a paralisia em que foi posto pela crise política e aproveitar a estreita janela de oportunidade que ainda resta neste governo para fazer avançar as reformas

Faz cinco meses o Brasil encontra-se paralisado por uma crise pol√≠tica fabricada em Bras√≠lia. Para um pa√≠s que precisa desesperadamente reerguer-se da maior recess√£o econ√īmica da sua hist√≥ria, √© tempo demais jogado fora. N√£o d√° mais para continuar desperdi√ßando oportunidades. Mais que nunca, √© hora de virar a p√°gina.

As den√ļncias decorrentes da dela√ß√£o dos irm√£os Batista tiveram o cond√£o de conseguir bloquear as reformas nas quais o pa√≠s vinha perseverando desde metade do ano passado. A a√ß√£o da gangue de empres√°rios mais bem sucedidos do modelo econ√īmico petista foi fundamental para constranger a agenda destinada a sepultar a heran√ßa nefasta de Dilma e Lula.

Para tanto, os criminosos confessos, hoje presos e com imunidade suspensa, contaram com aux√≠lio precioso de membros de algumas das mais poderosas corpora√ß√Ķes nacionais, como a dos procuradores federais. Entre suas maiores v√≠timas, a artilharia desferida por integrantes da Procuradoria-Geral da Rep√ļblica (PGR) alvejou a proposta de reforma da Previd√™ncia, que deixou de existir tal como precisaria ser feita.

O estrago, contudo, foi geral e bem mais amplo. A insist√™ncia nas den√ļncias contra o presidente da Rep√ļblica, repisadas dia ap√≥s dia, v√°rias vezes ao dia, levou o governo a concentrar suas maiores energias em simplesmente manter sua exist√™ncia. Sobrou pouco para tentar levar adiante a dura pauta de medidas que o pa√≠s precisa enfrentar. A agenda reformista perdeu √≠mpeto.

Uma das consequ√™ncias do denuncismo que assola o pa√≠s desde maio √ļltimo foi tornar o governo ref√©m das piores chantagens de que partidos e parlamentares s√£o capazes. Nomea√ß√Ķes encomendadas √†s pencas, projetos de lei sub-rept√≠cios, medidas mal discutidas e/ou inadequadamente postergadas – como as do ajuste fiscal – s√£o produto de uma gest√£o acuada, que luta apenas para sobreviver. Como efeito colateral, ainda se deu ribalta e guarida √† atual oposi√ß√£o para que pudesse posar como se nada tivesse a ver com o caos legado pelo PT aos brasileiros.

A sorte do pa√≠s √© que, nos poucos meses de relativa tr√©gua que teve para implementar mudan√ßas que a hecatombe produzida pelo PT exige, o governo Michel Temer conseguiu realinhar pol√≠ticas que ora est√£o produzindo bons resultados. √Č ineg√°vel que o ambiente econ√īmico alterou-se desde maio de 2016, para melhor. Ainda √© insuficiente para remediar a maior recess√£o da nossa hist√≥ria, mas foi o in√≠cio poss√≠vel.

Com a prov√°vel rejei√ß√£o da segunda den√ļncia feita pela PGR contra o presidente da Rep√ļblica – que ontem passou pelo crivo da Comiss√£o de Constitui√ß√£o e Justi√ßa e na semana que vem deve ser tamb√©m recha√ßada pelo plen√°rio da C√Ęmara dos Deputados – volta a se abrir uma janela para que, ainda neste governo, o pa√≠s avance um pouco mais na imperiosa agenda de reformas. √Č a oportunidade derradeira antes da inc√≥gnita que as elei√ß√Ķes de 2018 carregam e, definitivamente, n√£o pode ser jogada na lata de lixo.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1680

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