Um PIB de alerta

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Resultado do trimestre decepciona, mas conjunto do ano melhora. Vigor da economia depende fundamentalmente do grau de ímpeto e coragem que Brasília exibirá para mudar
O PIB brasileiro manteve sua trajet√≥ria de recupera√ß√£o. O resultado verificado no terceiro trimestre veio abaixo da m√©dia das expectativas e bem menor do que a varia√ß√£o registrada entre abril e junho. No entanto, a revis√£o dos n√ļmeros relativos aos dois primeiros trimestres do ano produziu o alento que o √≠ndice trimestral isolado turvou.
Segundo divulgou o¬†IBGE¬†nesta manh√£, o PIB nacional cresceu 0,1% no terceiro trimestre do ano na compara√ß√£o com o trimestre anterior. As proje√ß√Ķes feitas por analistas apontavam para, em m√©dia, 0,3%. No segundo trimestre, a alta foi de 0,7%, conforme dado revisado pelo IBGE.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2016, o desempenho revela-se bem melhor e ascendente. A alta foi de 1,4%, a melhor desde o mergulho da economia na recessão. No ano, até setembro, o PIB acumula crescimento de 0,6% e agora pode subir acima do projetado para 2017, segundo primeiras estimativas feitas após a divulgação de hoje.
Isto porque o IBGE revisou resultados dos √ļltimos seis trimestres e encontrou desempenho melhor da economia brasileira nos primeiros meses deste ano. Indicadores antecedentes apontam alta em torno de 0,4% no √ļltimo trimestre de 2017, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo¬†Valor Econ√īmico.
Quase todos os componentes do PIB apresentaram alta no terceiro trimestre, e a maior delas foi justamente a do segmento mais combalido pela recessão petista: os investimentos. A chamada formação bruta de capital fixo subiu 1,6%, maior taxa desde o segundo trimestre de 2013. Ainda assim, mantém-se muito baixa em relação ao PIB: 16,1%, a menor para igual período na série do IBGE e apenas acima das três taxas trimestrais anteriores.
Pela primeira vez desde 2013, subiram juntos investimento e consumo, que respondem por cerca de 80% da atividade no pa√≠s. O consumo das fam√≠lias aumentou 1,2% no trimestre, taxa igual √† do per√≠odo anterior. Pelo lado da oferta, a agropecu√°ria voltou a cair (-3%), em raz√£o da entressafra. Mas ind√ļstria e servi√ßos cresceram ‚Äď 0,8% e 0,6%, respectivamente.
Tudo considerado, o PIB brasileiro ainda n√£o deixou o terreno negativo aonde a recess√£o iniciada em 2014 o levou: nos quatro √ļltimos trimestres, o √≠ndice est√° negativo em 0,2%. Note-se, contudo, a dist√Ęncia consider√°vel em rela√ß√£o ao fundo do po√ßo, os -4,6% anotados no segundo trimestre de 2016, o √ļltimo da era petista.
Os resultados conhecidos nesta manhã renovam esperanças, mas ressaltam os enormes obstáculos que a economia brasileira ainda terá de superar para voltar a crescer de forma vigorosa e sustentável. Não depende de atos de vontade, como muitos parecem cobrar do atual governo, herdeiro de uma ruína em forma de país, legada pelo PT.
Depende, isso sim, de muito trabalho, de iniciativa, de coragem para mudar, que andam faltando. Não apenas do Executivo, como é mais fácil exigir. Mas também do Legislativo, aparentemente pouco atento (para dizer o mínimo) ao grau de dificuldade em que o Brasil encontra-se.
– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1707

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