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A missão de acabar com o estado de guerra em que o país vive, e que vitimou Marielle Franco, deve unificar os brasileiros de bem. A batalha a ser travada é contra a bandidagem

A morte de Marielle Franco gerou como√ß√£o de alcance muito al√©m das fronteiras do pa√≠s. Ela pode se tornar um s√≠mbolo da luta contra a viol√™ncia que assola o Brasil. Seu assassinato pode revelar-se ter o poder transformador que muitas a√ß√Ķes de for√ßa empreendidas at√© agora n√£o tiveram.

Mas será bastante pernicioso se a tragédia vier a ser usada como apenas um amuleto de justas bandeiras defendidas por mulheres, por negras, por ativistas, por militantes de gênero, por moradores de favelas ou por quaisquer dos simpatizantes das causas que a vereadora eleita pelo PSol do Rio empunhava.

O que está em jogo, e o que de fato deveria importar, é bem mais que isso: é a necessidade de travar uma batalha sem tréguas contra a bandidagem, de que lado esteja, de onde vier, onde estiver.

As mortes de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes, merecem a mais profunda consternação dos brasileiros, seja que posição ideológica, política, ética ou moral assumam. Mais duas pessoas foram brutalmente assassinadas e isso é inadmissível Рassim como são inaceitáveis quaisquer outros crimes contra a vida. Importa agora encontrar e castigar quem cometeu o ato bárbaro, para que a punição sirva, quiçá, como um turning point na insuportável situação de insegurança em que o país vive.

A vereadora agora é parte das estatísticas segundo as quais o Brasil é onde mais se mata gente em todo o mundo. E é isso que não pode mais continuar.

Não se trata de batalhas fragmentadas em causas específicas, de grupos específicos, de bandeiras isoladas. Trata-se, isto sim, de um repto muito maior: a missão de acabar com este estado de guerra é de todos os brasileiros de bem. E os que querem dar um basta nisso somos enorme maioria que não deve se dividir Рnão, pelo menos, diante desta causa.

Marielle agora √© mais uma das 61 mil v√≠timas de mortes violentas do pa√≠s a cada ano, uma a cada dez minutos. √Č contra este monstro que √© preciso se insurgir. Essa deveria ser a bandeira comum dos brasileiros. E tamb√©m de estrangeiros que prezem o pa√≠s e pretendam colaborar, desde que de boa f√©.

Atentar contra a vida de uma representante eleita pelo povo é atentar contra a própria democracia, contra a instituição que ela integrava, o Legislativo, e contra, ao cabo, o próprio Estado democrático de direito. Essa afronta, venha de onde tenha vindo, tem de ser exemplarmente punida. E, sobretudo, não deve dar margem a mais uma escalada de insensatez. Mas ontem, infelizmente, foi justamente isso o que mais se viu.

Com as investiga√ß√Ķes ainda engatinhando, o ambiente t√£o f√©rtil quanto leviano das redes sociais n√£o pensou duas vezes antes de se lan√ßar a denunciar seus culpados de estima√ß√£o: a pol√≠cia. E a alardear o que considera a solu√ß√£o: o fim da interven√ß√£o federal na seguran√ßa p√ļblica do Rio de Janeiro. Quem age assim s√≥ ajuda um lado: o do crime, da bandidagem, do Estado paralelo, da viol√™ncia, da matan√ßa.

A vereadora Marielle Franco morreu denunciando abusos, lutando contra injusti√ßas, defendendo os que clamam pelo simples direito de exercer seus direitos. Suas dignas bandeiras merecem respeito. E sua pr√≥pria atua√ß√£o indica o caminho a seguir: combater, sem tr√©gua, quem incita e pratica a viol√™ncia. Desde a noite de ter√ßa-feira, a miss√£o daqueles que se dedicam a p√īr ordem na criminalidade do Rio ficou mais √°rdua. E a interven√ß√£o federal se tornou muito mais necess√°ria.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1758

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