Sem Espalhafato

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País precisa ressuscitar investimentos, mas é preferível agir com realismo do que prometer espetáculos que terminam em fracassos, roubalheira e dinheiro desperdiçado

O pacote de obras que o governo federal divulga hoje não deve ser visto como muita coisa além de uma estratégia de comunicação. Faltando pouco mais de um ano para o fim da atual gestão, há tempo suficiente apenas para tentar concluir bem o que já está em andamento. Este realismo é salutar num país que se acostumou com o espalhafato vazio e inócuo da época petista.

√Č natural enfeixar num slogan realiza√ß√Ķes que, sem isso, apresentam-se dispersas. Permite oferecer ao p√ļblico uma vis√£o que, de outro modo, n√£o se obt√©m. √Č positivo que a atual gest√£o adote p√© no ch√£o nas previs√Ķes e mod√©stia nas cifras. Melhor isso do que o regime de empulha√ß√£o ao qual o pa√≠s vinha sendo submetido at√© o in√≠cio do ano passado.

Como somat√≥rio, R$ 42 bilh√Ķes em obras no per√≠odo de um ano n√£o s√£o suficientes para entusiasmar muita gente. Entretanto, cada real desse ter√° efeito ben√©fico na vida de uma fam√≠lia beneficiada pela iniciativa, de um trabalhador empregado pela obra, de uma empresa movimentada pelos canteiros em constru√ß√£o. Cada real investido, portanto, vale quanto pesa.

O pa√≠s carece muito de investimentos. Mas precisa de obras que comecem e terminem e n√£o de esqueletos inacabados esquecidos como cemit√©rios, como se tornou a t√īnica ditada pelo finado PAC, programa gestado por Lula e Dilma para “acelerar” o crescimento, mas que s√≥ pisou fundo mesmo na roubalheira, na inefic√°cia e na recess√£o. Segundo relat√≥rio divulgado ontem pelo¬†TCU, 3 de cada 4 grandes obras federais t√™m falhas graves.

N√£o por culpa da gest√£o de Michel Temer, os investimentos do pa√≠s encontram-se hoje num vale hist√≥rico. Os aportes p√ļblicos s√£o os¬†menores em dez anos¬†e os das¬†estatais¬†n√£o ficam para tr√°s. Urge ressuscit√°-los, e tempo algum pode ser desperdi√ßado. Da√≠ √© saud√°vel concentrar esfor√ßos nas obras que podem ficar prontas at√© o fim de 2018, como promete fazer o atual governo¬†– cabe acompanhar para ver se cumprir√°.

Ser√£o, no entanto, meros paliativos at√© que o pa√≠s ingresse numa nova onda de prosperidade, e esta s√≥ vir√° com os horizontes mais bem delineados que poder√£o, ou n√£o, nascer das elei√ß√Ķes do pr√≥ximo ano.

Tamb√©m √© preciso ter clar√≠ssimo que o investimento p√ļblico dar√° conta apenas de um naco do que o pa√≠s necessita para vencer seus enormes atrasos, em especial no setor de infraestrutura, uma das nossas vergonhas nacionais. Est√£o a√≠ os exemplos das¬†rodovias¬†em pandarecos, que n√£o nos deixam mentir.

Nesse sentido, ser√° imperativo tamb√©m turbinar a agenda de privatiza√ß√Ķes e concess√Ķes, ainda emperrada na atual gest√£o. Cabe n√£o apenas trazer de volta os investidores privados, mas ainda reconstruir os marcos regulat√≥rios que resultaram em tantas iniciativas fracassadas nos √ļltimos anos.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1693

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