Mais um Prego no Caix√£o da Crise

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Tirar a economia do fosso em que havia sido posta pelo PT para colocá-la em tão curto espaço de tempo de volta ao terreno positivo, com a alta de 1% em 2017, não é trivial

Deu o esperado: o PIB brasileiro cresceu 1% em 2017 e encerrou, assim, a mais tenebrosa recess√£o da nossa hist√≥ria. Embora a percep√ß√£o da maior parte da popula√ß√£o ainda n√£o corrobore, a economia nacional d√° mostras de estar ingressando num novo ciclo virtuoso. A d√ļvida √© at√© quando ele pode perdurar.

Em 2017, o motor da retomada foi o campo. A agropecu√°ria cresceu 13% no ano, num desempenho espetacular ‚Äď a melhor marca desde 1996, in√≠cio da s√©rie estat√≠stica do¬†IBGE. Servi√ßos avan√ßaram¬†quase nada (0,3%) e a ind√ļstria, com seu 0%, s√≥ conseguiu evitar aquele que seria seu quarto mergulho anual consecutivo.

O consumo voltou a crescer na compara√ß√£o anual (1%), depois de um bi√™nio de baixas. O setor externo tamb√©m deu colabora√ß√£o positiva, com alta tanto das exporta√ß√Ķes quanto das importa√ß√Ķes, ambas na casa de 5%.

Os investimentos registraram a quarta queda anual consecutiva (-1,8%), perfazendo baixa acumulada de 27,3% desde 2013. Com isso, a taxa de investimento como proporção do PIB continuou despencando, agora para 15,6%. No entanto, na comparação com mesmo trimestre do ano anterior, tiveram uma primeira alta (3,8%) depois de 14 trimestres seguidos de recuos.

Em compara√ß√£o com as demais economias do globo, o desempenho brasileiro tamb√©m melhorou. Entre pa√≠ses da OCDE, deixou para tr√°s Su√≠√ßa, It√°lia, Jap√£o, M√©xico, Reino Unido, Noruega, Gr√©cia e Dinamarca. Entre as na√ß√Ķes em desenvolvimento, superou a R√ļssia, segundo estat√≠sticas compiladas pelo¬†Trading Economics, quando cotejado o resultado do √ļltimo trimestre de 2017 com o do mesmo per√≠odo de 2016.

Embora pareça magra, a alta do ano passado é valiosa por colocar ponto final naquela que foi a mais duradoura e a segunda mais profunda recessão da economia brasileira. Em dois anos, 6,8% do PIB foi embora pelo ralo, drenado pelas políticas equivocadas postas em prática pelos governos do PT. O PIB per capita afundou mais ainda (8,7% em três anos), o que a alta de 0,2% vista em 2017 não consegue sequer arranhar.

O 1% anunciado nesta manh√£ representa uma vit√≥ria do receitu√°rio econ√īmico adotado a partir de maio de 2016. Tirar a atividade do fosso em que estava para coloc√°-la de volta ao terreno positivo em espa√ßo de tempo relativamente curto n√£o √© trivial. Em todo o mundo, apenas a Argentina conseguiu revers√£o econ√īmica t√£o significativa nos dois √ļltimos anos. Falta agora recuperar os empregos dizimados, naquele que ser√° o √ļltimo prego no caix√£o da crise.

Todas as indica√ß√Ķes s√£o de que a curva √© ascendente, com perspectiva de alta do PIB pr√≥xima a 3% neste ano, segundo a¬†m√©dia de mercado. Nos pr√≥ximos meses, os brasileiros ter√£o a oportunidade de dizer se querem continuar neste caminho ou se preferem correr o risco de retroceder ao descalabro da √ļltima d√©cada. Para quem tem olhos para enxergar, a escolha parece √≥bvia.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1747

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