Lula Guerra e √ďdio

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Em entrevista, petista delineia sua visão de mundo, aquilo a que os brasileiros podem se ver condenados, caso, à revelia da Justiça, ele triunfe nas urnas em 2018

Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o início do vazio da cobertura política em fim de ano para preencher páginas e páginas de jornais pelo país afora. Convocou ontem entrevista coletiva, a primeira após a derrocada do PT, para marcar presença no Natal dos brasileiros. Cumpre uma estratégia, e acaba revelando suas garras.

Na entrevista, mais uma vez, o capo petista afronta a Justi√ßa, insufla a idolatria em torno de seu nome e resenha a plataforma populista com que se apresentar√° ao eleitorado no ano que vem. Tenta ressuscitar o Lulinha Paz e Amor, mas trai mesmo √© o Lula Guerra e √ďdio.

A maior parte da conversa com os jornalistas foi gasta com a defesa dele, condenado a nove anos e meio de cadeia e r√©u em outras seis a√ß√Ķes. Segundo computou¬†O Estado de S. Paulo, foram oito as ocasi√Ķes ao longo de duas horas e meia em que Lula precisou afirmar-se inocente da penca de acusa√ß√Ķes de que √© alvo. Vai mal quem tanto tem que explicar…

Depois do giro pelos estados do Nordeste, Minas, Rio e Esp√≠rito Santo em que ati√ßou o v√≠rus do radicalismo na sua plateia cativa, ontem o petista tentou apresentar-se √† opini√£o p√ļblica como l√≠der ponderado. √Č o velho Lula de sempre: enverga o figurino que calha melhor a cada circunst√Ęncia. √Č o conhecido lobo em pele de cordeiro.

Nas linhas e entrelinhas, o líder dos petistas delineia sua visão de mundo, aquilo a que os brasileiros podem se ver condenados, caso, à revelia da Justiça, ele triunfe nas urnas em outubro do ano que vem.

Est√£o ali as tintas demag√≥gicas de quem faz promessas ao arrepio dos limites do or√ßamento p√ļblico, de quem defende pol√≠ticas irrespons√°veis e ruinosas como as que levaram o pa√≠s √† devasta√ß√£o promovida pelo PT.

S√£o os casos do uso do Estado como motor da economia, dos “campe√Ķes nacionais” (dos quais a falimentar Oi √© um dos fracassos mais clamorosos), do uso do BNDES como hospital de empres√°rio, do voluntarismo como virtude administrativa, da recorrente demoniza√ß√£o das privatiza√ß√Ķes, para ficar apenas em alguns poucos exemplos.

Esperto, Lula morde e assopra. Defende iniciativas contra as quais ninguém há de ficar contra, como, por exemplo, maior justiça tributária. Mas as traveste de redenção dos mais pobres, coisa que, infelizmente, estão longe de ser. Deseduca, portanto. Nenhuma novidade, em se tratando da cartilha clássica do PT.

Na longa entrevista, Lula, por√©m, profere uma frase lapidar: “Urna √© lugar de depositar esperan√ßa”. Est√° coberto de raz√£o. E a esperan√ßa dos brasileiros √© que, em outubro do pr√≥ximo ano, o pa√≠s consiga virar a p√°gina deste personagem que, h√° 40 anos, povoa a cr√īnica pol√≠tica nacional e que agora j√° n√£o tem mais nada de bom a dar ao Brasil.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1.721

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