Ind√ļstria 0.0

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Fábricas voltam ao azul depois de três anos de queda durante a recessão. Desafio está em abrir-se mais à concorrência externa, modernizar as linhas e depender menos do Estado

A ind√ļstria foi uma das principais v√≠timas da recess√£o que assolou o pa√≠s entre 2014 e 2016. O setor viu sua produ√ß√£o retroceder ao patamar de quase uma d√©cada atr√°s, perdeu relev√Ęncia no PIB e, mais grave, est√° vendo o bonde da moderniza√ß√£o tecnol√≥gica passar ao largo. Sem f√°bricas competitivas, a economia nacional namora seu passado colonial.

√Č mais que sabido que a ind√ļstria cumpre papel de dinamizar a atividade produtiva. Responde pelo grosso da inova√ß√£o, emprega grandes contingentes de trabalhadores e costuma pagar os melhores sal√°rios. Quando definha, todos perdem. Foi o que aconteceu no Brasil desde 2008, a partir de quando o setor industrial nacional mergulhou.

Felizmente, a espiral descendente foi rompida em 2017. A ind√ļstria apresentou crescimento depois de tr√™s anos consecutivos¬†de baixas, conforme divulgou o¬†IBGE¬†na semana passada. A alta foi de 2,5%, percentual bastante insuficiente, contudo, para compensar a queda de 18% acumulada desde 2008, ano de sua m√°xima hist√≥rica, de acordo com as Contas Nacionais.

N√£o foi por falta de iniciativas que a ind√ļstria brasileira perdeu musculatura. Pelo contr√°rio. O excesso de interven√ß√Ķes e iniciativas governamentais levadas a cabo pelas gest√Ķes petistas colaborou para enterrar ainda mais o setor manufatureiro da nossa economia. A orienta√ß√£o dada, por√©m, foi oposta √† que cobram os novos tempos.

As pol√≠ticas promovidas pelas gest√Ķes Lula e Dilma primavam pela excessiva interfer√™ncia do Estado na economia, pelo intervencionismo nas regras de mercado e pela escolha arbitr√°ria dos benefici√°rios. Foi o tempo da chamada pol√≠tica dos ‚Äúcampe√Ķes nacionais‚ÄĚ, quase todos convertidos em reluzentes derrotados.

A efetiva sa√≠da para a ind√ļstria brasileira est√° em abrir-se mais ao mundo. Mais competi√ß√£o tende a trazer maior inova√ß√£o, ao mesmo tempo em que amplia mercados para os produtos locais ‚Äď hoje muito dependentes do anteparo tarif√°rio conferido¬†pelo protecionismo que ainda marca as pol√≠ticas de com√©rcio exterior brasileiras.

Outro fator incontorn√°vel √© a moderniza√ß√£o. Conforme mostrou a edi√ß√£o de domingo d‚ÄôO Estado de S. Paulo, 40% da produ√ß√£o industrial nacional padece de obsolesc√™ncia tecnol√≥gica. √Č flertar com o abismo, numa √©poca em que os chamados sistemas de¬†big data, a produ√ß√£o orientada pela imensa massa de informa√ß√£o gerada por ferramentas digitais, tendem a se tornar cada vez mais preponderantes.

A recupera√ß√£o da ind√ļstria nacional n√£o depende apenas de pol√≠ticas p√ļblicas melhor orientadas, o que inclui melhor calibragem da carga de tributos incidente. Cobra tamb√©m postura menos cartorial dos pr√≥prios empres√°rios e maior disposi√ß√£o para enfrentar a concorr√™ncia de peito aberto, e n√£o nas barras da saia do Estado, como foi a t√īnica at√© agora.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1732

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