Esses Pobres Moços

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√Č nos jovens que a aposta e o investimento t√™m que ser feitos para que o Brasil construa um futuro melhor. E a educa√ß√£o √© a chave para enfrentar o problema, desde j√°

N√£o √© novidade para ningu√©m que o Brasil n√£o est√° cuidando bem de suas gera√ß√Ķes futuras. Mas quando as parcas perspectivas s√£o traduzidas em n√ļmeros, o cen√°rio torna-se mais assustador. Investir nos nossos jovens √© tarefa urgente a ser encarada com pol√≠ticas p√ļblicas mais eficazes, a fim de que tamb√©m o horizonte do pa√≠s como um todo melhore.

O Banco Mundial divulgou¬†relat√≥rio¬†nesta semana em que mostra que 52% da popula√ß√£o jovem do pa√≠s (com 19 a 25 anos de idade) n√£o est√° ou corre risco de n√£o estar inserida a contento na atividade econ√īmica e na cidadania. S√£o quase 25 milh√Ķes de pessoas cuja vida depara-se com diferentes n√≠veis de precariedade.

Come√ßa com os mais desalentados: s√£o 11 milh√Ķes de brasileiros que n√£o estudam e n√£o trabalham, os chamados “nem-nem”. E inclui tamb√©m os que est√£o defasados nos estudos – em 2015, apenas 38% dos adolescentes n√£o estavam atrasados e 13% haviam abandonado as salas de aula – ou trabalham apenas de maneira informal.

O problema √© que este ex√©rcito – que o estudo chama de “desengajados” – tem perspectivas muito limitadas de melhor forma√ß√£o, de ascens√£o profissional e, em consequ√™ncia, de viver em condi√ß√Ķes mais dignas. √Č como se estivessem condenados a uma vida sem futuro.

O desalento que assola a juventude compromete o avan√ßo do pa√≠s. Funciona como uma correia de transmiss√£o da baixa produtividade de m√£o de obra que marcou os √ļltimos 20 anos e que amea√ßa as chances de desenvolvimento daqui em diante.

Fica mais grave porque a janela demográfica que poderia ter feito o país dar um salto adiante Рcom aumento absoluto e proporcional da população ativa Рestá se fechando. Já em 2030 crianças e idosos com mais de 65 anos de idade serão maioria entre os brasileiros, sem que o país esteja habilitado para custear esta dependência.

Melhorar as condi√ß√Ķes dos jovens deve ser o foco. Alguma pol√≠tica de incentivo ao primeiro emprego, com remunera√ß√£o diferenciada, n√£o afetada pelas regras de sal√°rio m√≠nimo, √© desej√°vel e necess√°ria – h√° experi√™ncias neste sentido em pa√≠ses como Reino Unido e Nova Zel√Ęndia. Hoje, entre os brasileiros de 18 e 24 anos a taxa de desocupa√ß√£o¬† √© de 25%.

Outra recomendação é preparar melhor o jovem para o mercado de trabalho, com ênfase na etapa final de ensino, o médio. Hoje o Estado falha e perpetua iniquidades: o investimento médio no ensino superior é quase três vezes maior do que nas etapas básicas. Resultado: poucos chegam ao nível universitário e os que chegam são, em geral, os mais ricos. Atualmente apenas 43% das pessoas com mais de 25 anos concluíram ensino médio no Brasil, metade do percentual, por exemplo, dos EUA.

Est√° em marcha a implanta√ß√£o de uma reforma educacional que tem, entre seus objetivos, atacar a dist√Ęncia entre a sala de aula e a realidade dos jovens. A mudan√ßa deve estar orientada a dar preparo e melhores condi√ß√Ķes de inser√ß√£o deles na vida adulta, seja na compreens√£o do mundo, seja na cidadania ou seja, sobretudo, em termos de capacita√ß√£o profissional. Isso reduziria a evas√£o e diminuiria o contingente de desengajados.

Se o Brasil precisa construir um futuro melhor, √© nos jovens que a aposta e o investimento t√™m que ser feitos. H√° consenso de que educa√ß√£o √© a chave para enfrentar o problema. Vai levar tempo, mas √© preciso come√ßar j√°. Para que n√£o fique tarde demais, como j√° ficou para esses milh√Ķes de desengajados que hoje sobrevivem pelo pa√≠s.

РCarta de Formulação e Mobilização Política N 1753

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