Difícil Reconstrução

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A Petrobras não é caso isolado e apenas ilustra o custo do desastre petista para o país. Não dá para ter ilusão de que tamanho estrago será superado num piscar de olhos

A Petrobras disp√Ķe, desde o ano passado, de um dos mais qualificados times de gestores com o qual uma empresa, p√ļblica ou privada, pode contar. Ainda assim, o estrago legado pelas administra√ß√Ķes petistas √© t√£o profundo que a companhia continua tendo dificuldade para entregar resultados financeiros melhores.

Neste trimestre, a estatal¬†reportou¬†lucro de R$ 266 milh√Ķes, revertendo preju√≠zo de mais de R$ 16 bilh√Ķes registrado no mesmo per√≠odo de 2016. Foi o quarto trimestre consecutivo no azul. O problema √© que os ganhos vieram muito abaixo do que analistas esperavam. Sem ganhos, a empresa n√£o distribui dividendos¬†– o que ocorre desde 2013¬†– e frustra seus acionistas.

A consequ√™ncia foi imediata, na forma de desvaloriza√ß√£o das a√ß√Ķes da empresa na bolsa de valores: em apenas um dia, a Petrobras perdeu¬†R$ 15 bilh√Ķes¬†em valor de mercado. Ainda assim, a estatal vale hoje o triplo do que h√° apenas um ano e nove meses, quando atingiu o piso de seu valor hist√≥rico.

A empresa explicou que custos não recorrentes prejudicaram seu desempenho. A maior parte, desta vez, veio de contingenciamentos judiciais. Estes passivos podem simplesmente explodir caso sejam bem sucedidas as muitas demandas de acionistas Рincluindo os principais fundos de pensão nacionais Рque querem reaver na Justiça o investimento que perderam com a roubalheira petista na estatal.

A maior dificuldade est√° em equacionar desequil√≠brios que veem do passado de maus neg√≥cios realizados pelas gest√Ķes petistas. Nenhuma surpresa, em se tratando da companhia que foi o epicentro do maior esc√Ęndalo de corrup√ß√£o j√° conhecido no planeta. A pilhagem de que a Petrobras foi v√≠tima cobra seu alto pre√ßo.

Um dos itens que v√™m impactando negativamente os resultados da estatal √© a reavalia√ß√£o de ativos, com reconhecimento de perdas com neg√≥cios mal feitos e/ou com a corrup√ß√£o (chamado impairment) nos anos do auge do petrol√£o, como o¬†Comperj¬†e a refinaria Abreu e Lima. S√£o quase R$ 115 bilh√Ķes lan√ßados nesta conta¬†– no terceiro trimestre, o valor caiu para R$ 222 milh√Ķes. √Č como se os esqueletos continuassem a cair de dentro dos arm√°rios da companhia.

A Petrobras não é caso isolado e apenas ilustra o custo do desastre petista para o país. Não dá para ter ilusão de que a maior recessão da história, o maior esquema de corrupção e a mais inepta administração a que o Brasil esteve sujeito nas mãos de um partido político serão superados num piscar de olhos.

Um sinal da mudan√ßa de ares na Petrobras √© que, mesmo com todos estes percal√ßos, a empresa registra lucro de R$ 5 bilh√Ķes no ano at√© agora, e caminha para seu primeiro resultado positivo em quatro anos. Para superar a crise, a estatal ainda tem que se livrar de US$ 20 bilh√Ķes em ativos e abater parte da d√≠vida que acumulou nos anos de hecatombe petista, que ainda soma quase R$ 360 bilh√Ķes (bruta), uma das maiores do mundo.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1697

(Foto: O Estado de S. Paulo)

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