Caixa de Surpresas

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Em meio a grave crise, instituição financeira é mais um exemplo da interferência política e da partilha de nacos do poder no balcão de trocas para garantir a governabilidade

A Caixa Econ√īmica Federal est√° na corda bamba. √Č mais uma empresa estatal detonada pela irresponsabilidade e pela preda√ß√£o que se disseminaram sob os governos do PT e que, infelizmente, ainda sobrevivem em certas √°reas da atual gest√£o. S√≥ uma robusta reforma do Estado ser√° capaz de por fim √† sangria.

O banco¬†– que possuiu R$ 1,3 trilh√£o em ativos totais, terceiro maior entre as institui√ß√Ķes financeiras do pa√≠s, de acordo com o¬†Banco Central¬†– enfrenta s√©rias dificuldades para manter sua atua√ß√£o nas √°reas em que √© mais relevante, a come√ßar pelo financiamento habitacional, mas com presen√ßa marcante tamb√©m na seara social.

Os empr√©stimos √†s pessoas f√≠sicas est√£o secando, ao mesmo tempo em que as linhas destinadas ao Minha Casa, Minha Vida sofrem com a falta de recursos, como relatou a¬†Folha de S.Paulo¬†na semana passada. Suas investidas no mercado de cr√©dito no passado, com √≠mpeto turbinado pela matriz econ√īmica petista, fragilizaram seus balan√ßos, levando sua exposi√ß√£o a riscos a n√≠veis perigosamente altos.

Em termos gerais, para se salvar a Caixa precisa de dinheiro novo. E n√£o √© pouco. A estimativa √© de que seja necess√°rio aportar R$ 20 bilh√Ķes para aprumar o banco, segundo¬†O Estado de S. Paulo. Para comparar, equivale a cinco vezes o valor do¬†lucro¬†obtido pela institui√ß√£o em 2016. Com cobertor cada vez mais curto, o governo federal n√£o tem de onde tirar recursos para p√īr na Caixa. De onde, ent√£o?

Mais uma vez, pode sobrar para o patrim√īnio do trabalhador. Nesta ter√ßa-feira o conselho curador do FGTS discute a possibilidade de emprestar √† Caixa em forma de b√īnus perp√©tuos. Outra alternativa √© o BNDES funcionar novamente como hospital e socorrer o banco. Nenhuma das op√ß√Ķes √© boa para uma institui√ß√£o que se notabilizou como um dos polos mais ativos da “contabilidade criativa” petista.

A situa√ß√£o da Caixa contrasta com a de outra institui√ß√£o financeira p√ļblica relevante, o Banco do Brasil. Em fins dos anos 90, o banco foi saneado e recebeu aporte do seu principal acionista, o Tesouro Nacional. Parte de seu capital foi pulverizado em bolsa e sua gest√£o, profissionalizada¬†– ainda que n√£o tenha sido suficiente para livr√°-lo de todo da preda√ß√£o, como ficou patente no mensal√£o. A Caixa deveria seguir o mesmo destino.

A debacle da Caixa afeta diretamente a vida de milh√Ķes de brasileiros, uma vez que se trata do agente financeiro respons√°vel pelo FGTS, pelo PIS e pelo seguro-desemprego. A institui√ß√£o √© apenas mais um exemplo, ainda que dos mais vistosos, de uma pr√°tica que precisa ser definitivamente sepultada no pa√≠s: a da interfer√™ncia pol√≠tica e da partilha de nacos do poder para garantir a governabilidade. Empresas p√ļblicas s√≥ se justificam se bem servirem ao povo, e n√£o para serem usadas como moeda de troca no balc√£o da pol√≠tica mi√ļda.

РCarta de Formulação e Mobilização Política N 1683

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