A Inflação e os Juros

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Com preços mais baixos, tudo caminha para um ano bom na economia e consumo em alta, minorando os efeitos da razia causada pelo triênio recessivo semeado pelo petismo

A inflação voltou a surpreender e marcou novo recorde negativo em fevereiro. O índice foi o mais baixo para o mês em 18 anos. O comportamento dos preços escancara a janela para queda ainda maior da taxa básica de juros.

O IPCA fechou o m√™s passado em 0,32%, de acordo com o¬†IBGE.¬†Com isso, o acumulado em 12 meses, n√ļmero que realmente conta para o regime de metas, desceu a 2,84%, abaixo do piso estabelecido pelo Comit√™ de Pol√≠tica Monet√°ria para a infla√ß√£o deste ano.

Novamente a vedete da inflação baixa foi o item alimentação e bebidas, que mais uma vez caiu de preço. Em um ano, a comida na mesa dos brasileiros ficou 3,8% mais barata. Esta, sim, uma verdadeira dádiva do comportamento recente dos preços no país: permitir que mais gente se alimente mais e melhor.

Já há reflexos, inclusive, nos hábitos de consumo das famílias. De acordo com levantamento feito por uma consultoria privada publicado na edição de hoje d’O Estado de S. Paulo, o carrinho de compras está voltando agora a ser abastecido com produtos um pouco mais caros e sofisticados.

Até os serviços estão bem comportados no momento, muito por conta da ainda incipiente retomada da geração de empregos no país, também ainda bastante concentrada na informalidade.

No geral, menos da metade (48,5%) dos itens acompanhados pelo IBGE registrou alta de pre√ßos em fevereiro.¬†Menos endividados e com renda levemente mais alta, os brasileiros devem gastar mais R$ 124 bilh√Ķes em consumo neste ano, calcula o Santander.

Todas as indica√ß√Ķes s√£o, portanto, de que o Banco Central ter√° de injetar mais adrenalina na demanda para que os pre√ßos em geral n√£o continuem abaixo do piso da meta ‚Äď o que seria a segunda vez na hist√≥ria, repetindo 2017.

As aten√ß√Ķes se voltam agora para a reuni√£o do Copom agendada para a pr√≥xima semana. Depois do novo mergulho do IPCA, cresceram as apostas em novo corte na taxa b√°sica, o que aprofundaria a m√≠nima hist√≥rica em que a Selic se encontra desde fevereiro, provavelmente para 6,5% ao ano.

Infla√ß√£o e juros baixos configuram um ambiente extremamente benigno para a economia. Tanto para as fam√≠lias, que podem consumir mais e viver melhor, quanto para os governos, que passam a despender menos recursos com rolagem de suas d√≠vidas ‚Äď em 2017, esse gasto¬†caiu R$ 6 bilh√Ķes¬†no √Ęmbito federal em compara√ß√£o com o do ano anterior, para 6,2% do PIB.

Tudo caminha para um ano bom na economia, minorando os efeitos da razia causada pelo tri√™nio recessivo semeado pelo petismo. √Č o ambiente ideal para que as discuss√Ķes da pol√≠tica avancem melhor. E √© justamente a√≠ que ainda mora o perigo.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1754

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