
Um Rosário de Quedas
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PIB confirma atoleiro em que poucos consomem, raros produzem e ninguém investe. Economia demanda terapia intensiva de reformas para voltar a crescer e gerar empregos
Sem nenhuma surpresa, a economia do paÃs continuou em declÃnio no terceiro trimestre do ano. A novidade é que, desta vez, a queda foi generalizada. Sem perspectiva de melhora imediata, a recessão brasileira caminha para completar seu terceiro aniversário. É a mais prolongada da nossa história.
O PIB encolheu 0,8% no trimestre terminado em setembro em relação aos três meses imediatamente anteriores, de acordo com o que divulgou nesta quarta-feira o IBGE. É o dobro do Ãndice registrado no perÃodo anterior, além de ser a sétima queda seguida nesta base de comparação. Quando o cotejo é feito com o mesmo trimestre do ano anterior, trata-se da décima vez em o Ãndice cai – desta vez, o tombo foi de 2,9%.
No terceiro trimestre de 2016, caÃram indústria (só a extrativa mineral se salvou), agropecuária, serviços, consumo das famÃlias (este pelo sétimo trimestre seguido) e despesas do governo – em todas as bases intertemporais de comparação. Desde o inÃcio de 2015, todas as taxas de comparação do PIB geral são negativas, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
Com a demanda em baixa, o Ãmpeto de produzir diminui e o de investir evapora. O investimento simplesmente despencou, depois de leve alta no perÃodo anterior: baixa de 3% no trimestre e de 13,5% no acumulado em um ano. Desde sua máxima, no terceiro trimestre de 2013, a queda acumulada já se aproxima de 28%. A taxa como proporção do PIB decaiu a seu menor patamar desde 2003: 16,5%.
No acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB apresentou recuo de 4% quando comparado a igual perÃodo de 2015. Esta não é a régua mais relevante para aferir o PIB, mas torna-se simbólica porque foi a maior queda para este perÃodo já registrada pelo IBGE desde o inÃcio da série, em 1996, conforme ressaltou o órgão. Os resultados trazem mais todo um rosário de recordes negativos, listados por O Globo.
Segundo a FGV, a recessão brasileira já perdura desde o segundo trimestre de 2014. Ninguém aposta que o crescimento tenha voltado nos meses finais do ano que caminha para seu desfecho. As perspectivas para 2017 passaram de um leve otimismo há alguns meses para o terreno de previsões bem mais contidas, não raro de crescimento nulo do PIB, segundo antevê a OCDE, no que seria o pior desempenho entre os paÃses do G20.
Que fique claro que os resultados que o paÃs colhe agora nada derivam das medidas recentes do governo Michel Temer. O que estamos purgando é a herança maldita dos anos de descaminhos, irresponsabilidades e equÃvocos dos governos do PT, desde Lula até o grau máximo atingido com Dilma Rousseff. Por quanto tempo mais, ainda é difÃcil saber.
Estão, na realidade, nas iniciativas propugnadas pela atual gestão as únicas chances de o paÃs começar a sair do abismo e divisar alguma esperança de recuperação. Neste sentido, dois tentos importantes foram marcados ontem, com a aprovação em primeiro turno pelo Senado da PEC da responsabilidade, que limita os gastos públicos, e com a sanção presidencial da lei que retira a obrigatoriedade da Petrobras de participar da exploração do pré-sal.
A economia brasileira experimenta doença grave e profunda. Foi levada a esta circunstância por uma profilaxia que intoxicou o enfermo, em vez de curá-lo. Necessita ser submetida a uma terapia intensiva de recuperação, que passa por readequar seus hábitos e suas práticas. Em suma, precisa reformar-se para voltar a almejar ser alguém na vida, crescer e gerar empregos, e não ser apenas um pária no mundo.
– Carta de Formulação e Mobilização PolÃtica Nº 1488
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