Superfracasso Nacional

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A pol√≠tica de ‚Äėcampe√Ķes nacionais’ resultou na queda de investimentos e na quebra de empresas

A Oi √© o cad√°ver mais vistoso, pelo menos at√© agora, da pol√≠tica voltada a fabricar “campe√Ķes nacionais” sustentada pelos governos petistas. Foram anos injetando fartos recursos p√ļblicos em empresas escolhidas no balc√£o de neg√≥cios dos governos Lula e Dilma, no del√≠rio de produzir multinacionais brasileiras. Desta linha de montagem, por√©m, s√≥ sa√≠ram falcatruas e bancarrotas. Quem paga a conta somos n√≥s.

A operadora de telefonia entrou ontem com pedido de¬†recupera√ß√£o judicial¬†para n√£o sucumbir a algum processo de fal√™ncia protocolado por algum credor. Deve na pra√ßa mais de R$ 65 bilh√Ķes, dos quais cerca de 15% a bancos p√ļblicos, como BB, Caixa e BNDES – este tamb√©m detentor de 4,6% do capital da empresa, que tem 877 mil pequenos investidores entre seus acionistas, gente que provavelmente n√£o ver√° mais a cor do dinheiro que aplicou.

A Oi n√£o √© a primeira das “campe√£s nacionais” a sucumbir ao fracasso. Em abril, a Sete Brasil, que est√° no centro dos esc√Ęndalos do petrol√£o investigados na Lava Jato, tamb√©m ingressou com pedido de recupera√ß√£o judicial, endividada em R$ 19 bilh√Ķes. Empresas do grupo X, de Eike Batista, j√° haviam ido para o mesmo buraco.

A Oi s√≥ chegou aonde chegou com muita ajuda dos governos petistas. A companhia s√≥ p√īde existir porque, em 2008, Lula alterou uma regra da Lei Geral de Telecomunica√ß√Ķes que visava impedir concentra√ß√£o de mercado e, por conseguinte, abuso de poder das concession√°rias do setor. N√£o satisfeitos, os petistas turbinaram a fus√£o da Oi com a Portugal Telecom, sacramentada em 2013. Foi o desastre final da “supertele” urdida nos gabinetes de Bras√≠lia.

Nos dois √ļltimos anos, a Oi produziu R$ 10 bilh√Ķes de preju√≠zos. Seu valor de mercado mergulhou de mais de R$ 100 bilh√Ķes em 2012 para os atuais R$ 700 milh√Ķes. Como se percebe, um campeonato realmente dif√≠cil de ganhar.
No caminho rumo ao gigantismo, a operadora aplicou R$ 5 milh√Ķes na Gamecorp, empresa de um dos filhos de Lula, F√°bio Lu√≠s, cujo s√≥cio aparece como dono do s√≠tio do ex-presidente em Atibaia (SP). Como se v√™, nada √© de gra√ßa nesta hist√≥ria.
A Oi ilustra o naufrágio de uma política posta em prática pela megalomania petista destinada a forjar grandes conglomerados empresariais à base de grosso dinheiro injetado pelo Estado.

Como a vitamina não funciona sozinha, muitas destas companhias sucumbiram à dura realidade do mercado. Foi assim, por exemplo, com a LBR Lácteos, resultado da fusão de dois laticínios tradicionais, entre eles a Parmalat, e já fora de combate. E também com o frigorífico Marfrig, atolado em prejuízos.

A principal alavanca deste processo foi o BNDES. O banco injetou cerca de R$ 18 bilh√Ķes na Oi, nos frigor√≠ficos JBS e Marfrig, na LBR e na Fibria, conforme levantamento feito por¬†O Estado de S. Paulo.

A pol√≠tica dos “campe√Ķes nacionais” foi parte de uma estrat√©gia maior, o Programa de Sustenta√ß√£o ao Investimento, pelo qual, de 2008 a 2014, o Tesouro aportou R$ 441 bilh√Ķes em empr√©stimos no BNDES, ainda de acordo com o¬†Estad√£o.

Em 2013, o BNDES anunciou que abandonara sua pol√≠tica ruinosa, sem admitir, contudo, seu fracasso. Seus esqueletos est√£o a√≠ √† vista e a conta ficar√° para a atual e as futuras gera√ß√Ķes de brasileiros saldarem: s√≥ o custo das opera√ß√Ķes entre Tesouro e BNDES ser√° de R$ 287 bilh√Ķes em 50 anos.

O resultado mais certo desta estrat√©gia √© que os investimentos no pa√≠s ca√≠ram, as empresas est√£o quebrando e parte do dinheiro que saiu dos cofres p√ļblicos evaporou ou foi parar na conta de partidos ou no bolso de pol√≠ticos. O Brasil n√£o ganhou nada com isso, exceto ter ficado na lanterna do campeonato mundial de desenvolvimento nos √ļltimos anos. Mau neg√≥cio.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1387

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