Raz√Ķes para o pessimismo (Carta 966)

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Carta de Formulação e Mobilização Política, 12 de agosto de 2014, No. 966

Tornou-se um mantra da candidata-presidente afirmar que quem est√° preocupado com o futuro e com os problemas que se avolumam no pa√≠s, em especial na economia, √© ‚Äúpessimista‚ÄĚ e torce contra o Brasil. √Č poss√≠vel que nem ela acredite no que diz. H√° raz√Ķes de sobra para desconfiar das possibilidades de √™xito do pa√≠s caso o atual projeto de poder se mantenha por mais quatro anos. Os desafios s√£o imensos na economia, mas v√£o muito al√©m, abarcando, principalmente, a falta de seguran√ßa p√ļblica e a sa√ļde prec√°ria. Dilma Rousseff e seus porta-vozes tentam colar no ‚Äúmercado‚ÄĚ a pecha do mau agouro. Acusam analistas de torcer contra, mas v√£o al√©m e publicamente constrangem quem se aventura a dizer o √≥bvio: com o PT no comando, as perspectivas do pa√≠s s√£o cadentes. As proje√ß√Ķes para a economia seguem declinantes. Em menos de tr√™s meses, os progn√≥sticos para o PIB deste ano ca√≠ram pela metade e agora chegam a 0,81% ‚Äď no in√≠cio do ano, estavam em 1,95%. H√° 11 semanas tem sido assim, na mais longa s√©rie de revis√Ķes consecutivas para baixo destas estimativas desde 2008, segundo o¬†Valor Econ√īmico. O desalento n√£o se limita ao presente. Dilma ir√° legar a seu sucessor um fardo para l√° de pesado. A¬†Folha de S.Paulo¬†analisou os progn√≥sticos de mercado para os pr√≥ximos quatro anos e verificou que a proje√ß√£o dos analistas √© de infla√ß√£o ainda alta e crescimento fraco at√© 2018, com perspectiva de forte aumento das tarifas p√ļblicas j√° em 2015. O ‚Äútarifa√ßo‚ÄĚ, ali√°s, j√° √© praticado pelo governo Dilma na energia el√©trica e, no caso dos pre√ßos dos combust√≠veis, largamente defendido por integrantes do pr√≥prio governo petista, seja na Petrobras, seja na equipe econ√īmica. N√£o √© anseio, portanto, da oposi√ß√£o. Mas o desalento vai muito al√©m do mundo da economia e das finan√ßas. Est√° nas ruas e na boca dos brasileiros que enfrentam um dia a dia cada vez mais dif√≠cil. Isso n√£o √© pe√ßa de ret√≥rica; √© fato, comprovado tamb√©m por pesquisas. A mais expressiva delas foi feita em junho pelo¬†Ibope. A informa√ß√£o mais relevante √© que em rigorosamente todas as nove √°reas pesquisadas pelo instituto, os brasileiros que desaprovam as pol√≠ticas adotadas pela presidente Dilma s√£o larga maioria. √Č assim na sa√ļde (78 a 19%), nos impostos (77 a 15%), na seguran√ßa p√ļblica (75 a 21%), no combate √† infla√ß√£o (71 a 21%), na pol√≠tica de juros (70 a 21%), na educa√ß√£o (67 a 30%), no combate ao desemprego (57 a 37%), no combate √† fome e √† pobreza (53 a 41%) e no meio ambiente (52 a 37%). A preocupa√ß√£o com o futuro do pa√≠s √© de milh√Ķes de brasileiros. As condi√ß√Ķes de vida est√£o mais dif√≠ceis e at√© conseguir bons empregos est√° complicado. Quem produz, investe e trabalha torce para que o Brasil consiga virar o jogo. Mas n√£o h√° como ser otimista com a heran√ßa realmente maldita que Dilma Rousseff deixar√° de presente para seu sucessor.¬†¬†

 

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