O povo não é bobo (Carta 1078)

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Carta de Formulação e Mobilização Política, 09 de fevereiro de 2015, No. 1078

Nada melhor que a dura realidade para responder, pronta e adequadamente, as bravatas petistas. Menos de 24 horas depois de o partido do mensal√£o e do petrol√£o desfilar teorias conspirat√≥rias na sua festa de 35 anos de funda√ß√£o, o¬†Datafolha¬†mostrou com cores v√≠vidas a ojeriza que a popula√ß√£o cultiva atualmente em rela√ß√£o ao governo do PT. O dado mais significativo √© a monumental queda na popularidade de Dilma Rousseff. Somam 44% os que consideram o governo dela ruim ou p√©ssimo. √Č a pior avalia√ß√£o de um presidente da Rep√ļblica registrada pelo instituto desde que este s√©culo come√ßou. No in√≠cio de dezembro, eram 24% os que se manifestavam assim. Ao aumento da desaprova√ß√£o corresponde, quase milimetricamente, a queda na aprova√ß√£o da presidente, que baixou de 42% para 23% no per√≠odo. H√° um vaso comunicante ligando diretamente as duas curvas, sem paradas intermedi√°rias ‚Äď o percentual dos que acham o governo Dilma apenas regular n√£o se alterou (33%). Neste per√≠odo de eros√£o de popularidade, a popula√ß√£o deparou-se com uma Dilma muito diferente daquela que o marketing petista exitosamente constru√≠ra na campanha eleitoral. H√° quatro meses, a presidente faz o oposto do que prometera em cima dos palanques. Ao mesmo tempo revela-se um pa√≠s muito diferente do que o PT dizia ser o Brasil do momento, principalmente com imensas dificuldades econ√īmicas, a come√ßar pela carestia. Tamb√©m por esta raz√£o, 60% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que Dilma mentiu na campanha. Ou seja, o estelionato eleitoral n√£o √© figura de ret√≥rica da oposi√ß√£o, mas sim a percep√ß√£o verdadeira da popula√ß√£o brasileira hoje. Como seus principais atributos, a presidente carrega agora ser ‚Äúdesonesta‚ÄĚ (47%), ‚Äúfalsa‚ÄĚ (54%) e ‚Äúindecisa‚ÄĚ (50%). O mar de esc√Ęndalos que se sucedem nos √ļltimos tempos tamb√©m al√ßou a corrup√ß√£o ao posto de segundo maior problema do pa√≠s, atr√°s apenas da sa√ļde, segundo os entrevistados pelo Datafolha. Para 52%, Dilma sabia da corrup√ß√£o na Petrobras e deixou que ela ocorresse. A popula√ß√£o parece perceber claramente que a roubalheira coincide com a trajet√≥ria pol√≠tica e administrativa da presidente; n√£o h√° como dissoci√°-las. Nestas horas de crise aguda, a resposta petista √© sempre a mesma: acusar os cr√≠ticos de ‚Äúgolpismo‚ÄĚ, como fez Dilma na celebra√ß√£o dos 35 anos do PT na sexta-feira, ou tentar¬†igualar¬†a todos na lama, como buscou Lula na mesma ocasi√£o. √Č a velha t√°tica de quem foi pego na botija e imputa ao mensageiro o dissabor contido nas mensagens. Diz-se agora que, √† guisa de rea√ß√£o, a propaganda oficial vai tentar ressuscitar figurinos que a presidente envergou no in√≠cio de seu governo e mostrar uma Dilma gerentona e eficaz, como forma de recuperar simpatia popular. Mas as condi√ß√Ķes de agora s√£o muito distintas das de outrora: o que quatro anos atr√°s podia ser novidade hoje √© hist√≥ria sobejamente conhecida, que o povo j√° sabe no que vai dar. A chapa vai ferver.

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