O mensal√£o 2 (Carta 985)

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Carta de Formulação e Mobilização Política, 08 de setembro de 2014, No. 985

No Brasil da era PT, tornou-se dif√≠cil saber onde come√ßa e onde termina o mar de corrup√ß√£o. A √ļnica certeza √© que, enquanto o mesmo time se mantiver no comando do pa√≠s, o surgimento de novos e mais escabrosos casos √© apenas quest√£o de tempo. O esc√Ęndalo da hora √© sempre pior que aquele que o antecedeu. O partido que se notabilizou por institucionalizar a compra de votos como m√©todo de governabilidade tamb√©m se destaca por ter transformado o mensal√£o numa pr√°tica permanente. O que muda √© o caixa de onde saem os recursos para irrigar bolsos dispostos a vender apoio pol√≠tico: s√£o cada vez mais polpudos. Estamos agora diante do que se pode chamar de ‚Äúmensal√£o 2‚ÄĚ: a sangria de dinheiro da Petrobras para remunerar uma imensa e escusa rede de sustenta√ß√£o ao governo do PT no Congresso. Pelo pouco que j√° se sabe, ministros de Estado, governadores, senadores e deputados est√£o na lista da grossa propina. Deve haver muito mais. As revela√ß√Ķes foram feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e divulgadas na edi√ß√£o da revista¬†Veja¬†desta semana. Preso em mar√ßo, depois solto e novamente encarcerado em junho, ele decidiu entregar nomes de quem se beneficiou de esquema que, calcula-se, pode ter lesado os cofres p√ļblicos em R$ 10 bilh√Ķes nos √ļltimos anos. Pelo que Costa afirmou, a rede de corrup√ß√£o era alimentada com o equivalente a 3% do valor dos contratos que a √°rea que ele comandou fechava. Se considerados apenas os investimentos realizados pela diretoria de Abastecimento, daria R$ 3,4 bilh√Ķes, num c√°lculo linear feito pelo¬†Valor Econ√īmico¬†com base nos balan√ßos da estatal entre 2004 e 2012. A consequ√™ncia pol√≠tica e eleitoral √© cristalina: neste per√≠odo, a candidata-presidente Dilma Rousseff foi a figura de proa da Petrobras. Como ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, como presidente do Conselho de Administra√ß√£o da estatal e como presidente da Rep√ļblica. O mensal√£o 2 √© obra de Dilma e do PT, assim como o mensal√£o 1 foi obra de Lula e seus 40 r√©us. Assim como seu tutor, a atual presidente insiste em dizer que nada sabia e que, enquanto comandou a administra√ß√£o da Petrobras, suas decis√Ķes mais importantes foram tomadas com base em documentos falhos. Ser√° que ela acha que isso √© abonador? Agora, confrontada com as novas revela√ß√Ķes,¬†diz¬†que ‚Äún√£o lan√ßam suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ningu√©m do governo foi oficialmente acusado‚ÄĚ. Das duas, duas: Dilma √© conivente com malfeitos que se acumulam em sua gest√£o¬†e age de forma temer√°ria ao comandar o pa√≠s. Tanto numa hip√≥tese quanto na outra, a conclus√£o √© uma s√≥: n√£o merece continuar por mais quatro anos assistindo impass√≠vel ao mar de lama avan√ßar.

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