O Exército do Desemprego

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A cada dia, mais 7 mil brasileiros engrossam as estatísticas de desempregados no país. A situação é mais crítica entre jovens e no Nordeste, num drama que só faz aumentar

Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, 21 de agosto de 2015, N¬ļ 1203

Virou uma triste rotina: a cada m√™s, a taxa de desemprego fica ainda mais alta no Brasil. No pa√≠s da recess√£o, da infla√ß√£o e da crise generalizada, que se estende tamb√©m √† pol√≠tica e √† √©tica, o maior desafio do brasileiro tem sido conseguir continuar trabalhando. Durou pouco, se √© que um dia existiu, o sonho do pleno emprego por aqui. No m√™s passado, a taxa de desemprego medida pelo¬†IBGE¬†alcan√ßou 7,5% da popula√ß√£o ativa. Deu um salto e tanto, subindo bem mais r√°pido do que qualquer um poderia prever: em dezembro, o √≠ndice estava em 4,3% e um ano atr√°s, em julho de 2014, em 4,9%. O desemprego no pa√≠s encontra-se agora no n√≠vel mais alto em cinco anos. H√° sete meses sobe sem cessar, o que n√£o ocorria desde 2002. E ningu√©m acredita que v√° parar por a√≠ ‚Äď em cidades como Salvador, por exemplo, a taxa j√° chega a 12,3%. Em n√ļmeros absolutos, o total de desocupados cresceu assustadores 56% na compara√ß√£o com o contingente de julho de 2014, ganhou mais 662 mil pessoas em um ano e agora soma 1,8 milh√£o. No ritmo atual,¬†todo santo dia¬†mais 7 mil pessoas se juntam ao ex√©rcito dos sem emprego no pa√≠s. Servi√ßos e ind√ļstria, cujo n√≠vel de emprego cai h√° 44 meses consecutivos, lideram a derrocada. Para complicar, quem consegue manter-se empregado v√™ seus rendimentos diminu√≠rem: a queda chega a 2,4% em um ano. Desde 2004, a renda n√£o ca√≠a no pa√≠s. Em muitos aspectos, a situa√ß√£o do mercado de trabalho brasileiro j√° √© pior que a de pa√≠ses que enfrentaram crises bem mais brabas no passado recente ‚Äď EUA e Inglaterra, por exemplo, t√™m¬†taxas¬†ao redor de 5,5%. Entre mais os jovens, o desemprego j√° atinge obscenos 18,5%, ou seja, um de cada cinco brasileiros com idade entre 18 e 24 anos ‚Äď em dezembro passado, a propor√ß√£o era de um a cada dez. Cada vez mais gente ‚Äď principalmente jovens ‚Äď procura uma vaga de emprego e cada vez menos conseguem encontrar. A sa√≠da, quando h√°, tem sido abrir m√£o da carteira de trabalho e correr para a informalidade ou para um neg√≥cio pr√≥prio. √Č a precariedade. Num retrato mais amplo, o quadro revela-se ainda mais desalentador. Por meio de outra pesquisa, a¬†Pnad Cont√≠nua, o IBGE afere a situa√ß√£o do desemprego em cerca de 3.500 munic√≠pios brasileiros e n√£o apenas nas seis regi√Ķes metropolitanas alcan√ßadas pela PME. Segundo esta metodologia, no trimestre encerrado em maio o desemprego j√° estava em 8,1%. O pa√≠s abriga agora 8,2 milh√Ķes de desocupados. O retrato do desemprego dever√° ganhar mais um pincelada dram√°tica hoje, quando o Minist√©rio do Trabalho divulgar os resultados do mercado formal em julho. J√° se sabe que, mais uma vez,¬†as demiss√Ķes superaram as contrata√ß√Ķes. Desde as elei√ß√Ķes presidenciais, ser√° o oitavo m√™s com saldo no vermelho, resultando em mais de 1 milh√£o de empregos eliminados desde a vit√≥ria de Dilma. √Č a face mais terr√≠vel da crise que ora vivemos e da qual, tudo indica, ainda vamos demorar a sair.

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