Greve de Raz√£o

Publicado em:

Aos que hoje cruzam os bra√ßos contra o pa√≠s contrap√Ķe-se a imensa maioria, que ir√° ao trabalho para que n√£o prevale√ßa o grito, para que o Brasil progrida e n√£o retroceda

Um bando de gente vai ficar hoje de braços cruzados emendando o feriadão que deveria celebrar o Dia do Trabalho. Parte vai parar para protestar nas ruas, contra tudo e contra todos; muitos pararão não porque querem, mas porque terão seu direito de ir e vir cerceado por uma minoria.

Sobra verbo e falta razão na greve geral convocada para esta sexta-feira, noves fora o direito democrático que a Constituição Federal lhes assegura Рo que não justifica os abusos de sempre. Seus participantes preferem que tudo no Brasil continue como está, ou seja, ruim, desigual, atrasado e desumano.

Diz-se que a paralisação é contra a reforma da Previdência, as novas regras trabalhistas e a regulamentação da terceirização. Nesta linha, não surpreenderia que fosse também contra a água encanada, a vacina antirrábica e a luz elétrica. O espírito é mais ou menos o mesmo.

Quem convoca a greve são sindicatos, centrais e castas profissionais que temem perder privilégios, a começar pelo imposto que cada trabalhador é obrigado pagar anualmente, dedicando-lhes graciosamente um dia de labuta Рmaná a que a reforma laboral recém-aprovada dá fim.

Seus adeptos mais numerosos s√£o os trabalhadores abrigados nos benef√≠cios da CLT, funcion√°rios p√ļblicos protegidos no conforto da estabilidade no emprego, ansiosos por se aposentar aos 50 e poucos anos com vencimento integral at√© a morte. A eles juntam-se os baderneiros de sempre e a turma que √© contra tudo isso que est√° a√≠.

√Č curioso que n√£o se tenha visto nenhuma destas corpora√ß√Ķes ocupar as ruas enquanto o pa√≠s afundava sob o governo do PT. N√£o se viu protestarem contra a roubalheira, a implos√£o do or√ßamento p√ļblico e a desconstru√ß√£o da nossa economia.

√Č ainda mais curioso que, quando os problemas come√ßam a ser enfrentados de maneira decidida, estes mesmos grupelhos resolvam cruzar bra√ßos e reclamar. Quando os privil√©gios s√£o atacados e as iniquidades, enfrentadas, eles n√£o gostam.

Sob o pretexto de que faltou discuss√£o sobre as reformas em marcha, os grevistas as desqualificam na √≠ntegra. Esse √© um argumento de quem n√£o quer mudar nada. A discuss√£o eminentemente protelat√≥ria √© a melhor forma de manter tudo como est√°, t√īnica nos governos de Lula e Dilma.

Na sua estreiteza, os grevistas não conseguem sequer admitir que há, sim, sérios problemas num sistema de previdência cujo rombo triplicou em quatro anos Рe que não será coberto nem se todas as dívidas forem sumariamente executadas e todos os devedores, presos.

Enquanto essa gente refuta a aritm√©tica b√°sica, que agora at√© alunos precisam¬†ensinar¬†a seus professores, os gastos do pa√≠s simplesmente arru√≠nam-se. S√≥ em um trimestre, o rombo da Previd√™ncia bateu em R$ 40 bilh√Ķes, alta de 38% sobre o mesmo per√≠odo de 2016.

Ao mesmo tempo, os investimentos p√ļblicos¬†encolheram¬†a pouco mais de um ter√ßo do que eram no in√≠cio do ano passado. Esta √© a marcha que aguarda o pa√≠s em caso de fracasso da reforma previdenci√°ria: todo o dinheiro tirado do contribuinte s√≥ servir√° para pagar benef√≠cios e pens√Ķes, at√© o dia em que nem isso mais pagar√°.

Os grevistas tamb√©m n√£o est√£o nem a√≠ para quem vive de emprego informal, toca seu pr√≥prio neg√≥cio e, pior ainda, para os mais de 14 milh√Ķes de brasileiros desempregados, como divulgou o¬†IBGE¬†nesta manh√£. Querem fazer crer que os direitos que assistem a esta minoria – que mal perfaz um ter√ßo do total de trabalhadores – s√£o intoc√°veis.

Para essa gente, modernizar a legisla√ß√£o trabalhista √© heresia. Falar da normatiza√ß√£o de rela√ß√Ķes de trabalho que envolvem mais de 13 milh√Ķes de profissionais terceirizados √© pecado. Ao mesmo tempo, sofismam que direitos est√£o sendo vilipendiados e omitem que as novas leis trazem mir√≠ades de salvaguardas aos trabalhadores, sem falar no fato de que lei ordin√°ria alguma se sobrep√Ķe √† Constitui√ß√£o.

A esta parcela que hoje cruza os bra√ßos contra a recupera√ß√£o do pa√≠s e contra as reformas essenciais para atacar privil√©gios, criar novas oportunidades de emprego e evitar a perpetua√ß√£o de desigualdades contrap√Ķe-se uma imensa maioria que ir√° ao trabalho para continuar reconstruindo o Brasil¬†e superar o atraso, para que prevale√ßa a raz√£o e n√£o o grito, para que o pa√≠s progrida e n√£o retroceda.

– Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica N¬ļ 1573

√öltimas postagens

Instituto Teot√īnio Vilela: SGAS 607 Bloco B M√≥dulo 47 - Ed. Metr√≥polis - Sl 225 - Bras√≠lia - DF - CEP: 70200-670