Dilma na lama

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A presidente observou, do alto e √† dist√Ęncia, a trag√©dia de Mariana. Nos gestos traduz-se o descaso que o governo petista exibe em rela√ß√£o aos problemas reais do pa√≠s

Carta de Formulação e Mobilização Política, 13 de novembro de 2015, N. 1260

A¬†foto¬†em que Dilma Rousseff assiste do alto, distante, as cenas da maior trag√©dia ambiental registrada no pa√≠s traduz √† perfei√ß√£o a forma como a presidente da Rep√ļblica lida com os problemas do pa√≠s e o sentimento dos brasileiros. √Ä consterna√ß√£o teatralmente encenada para as c√Ęmeras n√£o correspondem a√ß√Ķes que se espera de um governo minimamente preocupado com seu povo.

A tragédia de Mariana aconteceu na quinta-feira da semana passada. Deixou, até agora, nove mortos Р19 pessoas ainda estão desaparecidas. Dilma demorou sete dias para sair dos gabinetes acarpetados de Brasília para se aproximar, ainda que das alturas, do drama vivido por milhares de famílias atingidas pela lama lançada após o rompimento da barragem da Samarco, mineradora controlada pela Vale e pela BHP Billiton.

Neste ínterim, a presidente encontrou tempo até para se confraternizar com artistas e fazer festinha no Palácio do Planalto, além de dedicar-se a arrochar caminhoneiros que protestavam contra ela. Preferiu manter os pés na lama de Brasília a embrenhar-se nos rejeitos que destroçaram a vida das famílias solapadas pela tragédia.

Quando agiu, manteve profil√°tica dist√Ęncia do epicentro da cat√°strofe: pousou seu helic√≥ptero a 365 km de onde a barragem se rompeu. A lama estourou em Mariana; Dilma desceu em Governador Valadares.

Nos gestos traduz-se o descaso que o governo do PT exibe em rela√ß√£o aos problemas reais do pa√≠s. Uma administra√ß√£o p√ļblica existe para recolher dinheiro da sociedade e aplic√°-lo de maneira a bem cuidar dos cidad√£os, melhorar-lhes a vida. √Č o m√≠nimo, √© o b√°sico. √Č tudo o que Dilma n√£o consegue fazer.

O governo tem no Or√ßamento verba vultosa para preven√ß√£o, prepara√ß√£o e respostas a desastres e emerg√™ncias, al√©m de gest√£o de riscos. Dinheiro para evitar a trag√©dia n√£o faltou. Foram R$ 17,5 bilh√Ķes dispon√≠veis nos √ļltimos quatro anos, dos quais R$ 7 bilh√Ķes simplesmente se perderam, por jamais terem sido aplicados.

A estrutura destinada a fiscalizar as atividades miner√°rias √©, com o perd√£o do trocadilho, uma cat√°strofe. Nos √ļltimos quatro anos, cada barragem pass√≠vel de fiscaliza√ß√£o recebeu, em m√©dia, uma visita de fiscais federais, informa a¬†Folha de S.Paulo. T√©cnicos do √≥rg√£o respons√°vel por fiscalizar a minera√ß√£o, o DNPM, acusam o governo de ser “negligente”.

Gastou-se neste ano menos da metade do que foi gasto em 2014, relatou¬†O Estado de S. Paulo. Onde, diabos, vai parar a dinheirama que o governo cobra da sociedade? Percebe-se, sem dificuldade, que o incha√ßo do Estado n√£o serve ao povo, mas sim ao partido.A trag√©dia de Mariana exige dos governantes respeito ao drama das fam√≠lias, repara√ß√£o integral das perdas pessoais (muitas delas, infelizmente, insan√°veis) e reconstru√ß√£o ambiental completa. Obriga ainda uma mudan√ßa de atitude em rela√ß√£o √†s imensas dificuldades que a popula√ß√£o enfrenta. Na √≥tica de Bras√≠lia, as cat√°strofes parecem sempre menores, porque sempre vistas do alto, √† dist√Ęncia.

 

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