Decad√™ncia sem eleg√Ęncia (Carta 1159)

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Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, 15 de junho de 2015, No. 1159 O Partido dos Trabalhadores encerrou neste fim de semana mais um de seus congressos nacionais. O clima reinante era de fim de feira. A legenda que se notabilizou por ter adotado o mensal√£o e o petrol√£o como m√©todo de governo vive uma decad√™ncia sem nenhuma eleg√Ęncia. A principal discuss√£o promovida pelo partido cujo governo ora protagoniza a maior recess√£o dos √ļltimos 20 anos, al√©m de ter estrelado o maior estelionato eleitoral da hist√≥ria, foi sobre a cria√ß√£o de mais impostos. A CPMF chegou a ser cogitada, inclusive oficialmente, mas foi limada das resolu√ß√Ķes na √ļltima hora, com direito a reprimenda p√ļblica de Joaquim Levy. Mesmo assim, ainda l√° ficou no texto oficial a defesa de mais tributos sobre a popula√ß√£o brasileira: sobre renda, sobre heran√ßas, sobre fortunas. O mantra do ‚Äúimposto, imposto, imposto‚ÄĚ √© tudo em que o PT consegue pensar para tentar escapar da crise. Dilma Rousseff foi¬†recebida com frieza, para dizer o m√≠nimo, pelos militantes de seu partido. Muitos preferiram debandar e ir tomar uma cervejinha a ouvir a presidente da Rep√ļblica. J√° a verve de outrora de Lula teve de conter-se num texto lido, mas que ainda assim n√£o prescindiu de suas muletas ret√≥ricas habituais, como os ataques √† imprensa. Todo amor dos petistas que faltou √† presidente sobrou, contudo, para Jo√£o Vaccari Neto. Mesmo ausente, porque preso sob a acusa√ß√£o de ser v√©rtice do esquema de corrup√ß√£o que desviou bilh√Ķes da Petrobras, o ex-tesoureiro foi ovacionado com tr√™s minutos de aplausos na sess√£o de abertura e mereceu mo√ß√£o de apoio no encerramento do convescote. As palavras ‚Äú√©tica‚ÄĚ e ‚Äúcorrup√ß√£o‚ÄĚ passaram longe do texto da resolu√ß√£o final aprovada pelos petistas. No entanto, l√° permanecem os louvores √† ‚Äúp√°tria socialista‚ÄĚ e √† ‚Äúesperan√ßa simbolizada pela bandeira vermelha‚ÄĚ. L√° tamb√©m foi mantida a expia√ß√£o das culpas pelo p√©ssimo estado geral das coisas no pa√≠s, imputando as responsabilidades ao ‚Äútsunami‚ÄĚ externo (algu√©m a√≠ √© capaz de not√°-lo hoje, passados quase sete anos do epicentro da crise econ√īmica?), √† m√≠dia, aos inimigos de classe, √†s ‚Äúfor√ßas conservadoras‚ÄĚ. O PT precisa desesperadamente de sua m√≠stica para sobreviver. Mas n√£o h√° nada de sobrenatural no que acontece nas fileiras da milit√Ęncia partid√°ria. O PT foi o partido que mais perdeu filiados ao longo deste ano. Provavelmente desiludidos, mais de 6 mil pediram o bon√©. Em contrapartida, o PSDB foi quem mais ganhou novos partid√°rios, com 15 mil novos registros, segundo¬†O Estado de S. Paulo. √Ä crise que consome o pa√≠s, aos atentados √† √©tica protagonizados pelo partido, os petistas reunidos na Bahia n√£o conseguiram balbuciar qualquer resposta. Sua resolu√ß√£o final caberia muito bem num passado distante em que o PT era apenas uma perspectiva de poder sonhada por alguns milhares de brasileiros. Hoje n√£o passa de pe√ßa de fic√ß√£o ou de misticismo rastaquera.

 

 

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