Crise de proporções industriais

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A situação da indústria ilustra o buraco sem fundo em que a economia se encontra, jogada pelo PT. Deram em nada as seguidas medidas que o governo tomou para incentivar o setor

Carta de Formulação e Mobilização Política, 05 de agosto de 2015, Nº 1191

O fracasso amplo, geral e irrestrito do governo Dilma Rousseff acaba de ser atestado, mais uma vez, com os números desastrosos do desempenho da indústria nacional. A crise no setor é cada vez mais aguda, a despeito de inúmeras iniciativas – todas inteiramente mal sucedidas – empreendidas pela gestão do PT nos últimos anos. Junho registrou mais uma queda (-0,3%) na produção industrial, a 16ª seguida. Com baixa de 6,3%, o primeiro semestre foi o pior desde 2009. Destaque para a retração de 20% na produção de bens de capitais – o que indica pouca disposição dos empresários em investir no aumento da capacidade de produção – e de 14,6% na fabricação de bens de consumo duráveis – que sugere que o dinheiro está curto no bolso dos consumidores. Ambas sinalizam menor potencial de crescimento da economia; ambas demonstram falta de confiança na recuperação do país. A queda da atividade no semestre foi generalizada, atingindo 24 dos 26 setores pesquisados pelo IBGE e 70% dos produtos acompanhados. De janeiro até maio, 105 mil empregos foram eliminados no setor. É o retrato pronto e acabado do fracasso das seguidas medidas que o governo petista tomou para incentivar o setor secundário da economia. Deram em nada, exceto em torrar dinheiro do contribuinte para atender alguns poucos amigos do rei e em criar distorções ainda maiores no mercado, que prejudicam a competição e penalizam o consumidor. Nos quatro primeiros anos do governo Dilma, a indústria registrou duas altas anuais (0,4% em 2011 e 2,1% em 2013) e duas quedas (-2,3% em 2012 e -3,1% em 2014). Na soma, encolheu e produz hoje 10% menos do que produzia em 2008. O segmento de transformação, mais dinâmico e modernizador, equivale agora a cerca de 10% do PIB, ante quase 20% há duas décadas. E continua a diminuir. A expressiva elevação dos custos, na esteira do aumento de impostos e da tarifa de energia, o arrocho dos juros, a incerteza no cenário político e econômico e a deterioração do mercado de trabalho não deixam dúvida: a indústria vai continuar na pior. “2015 será um dos piores anos da indústria brasileira, mais grave que a crise de 2009”, analisa o Iedi. É caro produzir no Brasil, as condições de infraestrutura não ajudam, a burocracia enlouquece qualquer um e, com seu intervencionismo excessivo, o Estado dá um jeito de sufocar o resto de ímpeto que ainda possa existir nos investidores. Além disso, a produção nacional não se beneficia de acordos globais e perde o bonde da competitividade – crescente, o déficit na balança de manufaturados chegou a US$ 110 bilhões em 2014. O comportamento da indústria ilustra o buraco sem fundo em que a economia brasileira se encontra, jogada pelo PT. O país vive uma recessão que começou, segundo critérios técnicos da FGV, no segundo trimestre de 2014 e tende a durar pelo menos até o fim deste ano. É o mais duradouro ciclo de baixa desde 1999 e a pior retração desde Fernando Collor. É, portanto, uma crise de proporções industriais.

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