Afunda, Dilma (Carta 887)

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Carta de Formula√ß√£o e Mobiliza√ß√£o Pol√≠tica, 28 de mar√ßo de 2014,¬†N¬ļ 887.

A insatisfa√ß√£o ampla, geral e irrestrita em rela√ß√£o ao desgoverno da presidente Dilma Rousseff vai se espraiando entre os brasileiros, em todas as regi√Ķes, em todas as √°reas de atua√ß√£o. √Č um fracasso de cabo a rabo, percebido no dia a dia de uma gest√£o desnorteada e que agora come√ßa a se refletir com mais intensidade nas pesquisas de opini√£o ‚Äď e olha que elas ainda nem captaram a mais nova onda de esc√Ęndalos, envolvendo as falcatruas na Petrobras…

A popularidade da presidente caiu sete pontos desde novembro, segundo levantamento patrocinado pela CNI e divulgado ontem pelo¬†Ibope. Passou de 43% para 36%. Falta pouco para a aprova√ß√£o ao governo Dilma voltar ao tamaninho que chegou a ter no auge das manifesta√ß√Ķes do ano passado e seu pior momento at√© agora (31%).

Dos 32 pontos que perdeu ao longo do primeiro semestre de 2013 at√© o auge das manifesta√ß√Ķes de rua, Dilma chegou a recuperar 12, conforme registrou o Ibope em novembro. Mesmo pouco, o alento durou quase nada. Com os pontos que ela agora tornou a perder, resulta que a presidente reconquistou apenas cinco dos 32 pontos de sua popularidade avariada. N√£o parece exibir f√īlego.

Ao mesmo tempo em que a aprovação cai, o percentual dos que avaliam a gestão da presidente como ruim ou péssima sobe com força. Hoje, este contingente é quatro vezes maior do que era há apenas um ano. Vale dizer: em março de 2013, 7% achavam o governo de Dilma ruim ou péssimo e agora este grupo soma 27%, já se aproximando dos 31% de julho do ano passado, ponto mais crítico da atual gestão.

Consideradas estas duas curvas, a presidente est√° hoje t√£o mal avaliada quanto estava logo depois que milhares de brasileiros protestaram nas ruas, no inverno de 2013. Com uma diferen√ßa: o saldo positivo era de 15 pontos em setembro √ļltimo e agora √© de apenas nove. N√£o h√° um estouro de boiada de insatisfa√ß√£o, como aconteceu naquela ocasi√£o, mas h√° um mal-estar cada vez mais disseminado.

Parece haver um duto drenando a popularidade de Dilma e transformando-a diretamente em repulsa. A antiga aprovação (ótimo+bom) está se convertendo em desaprovação (ruim+péssimo) numa viagem sem escala pelo patamar de avaliação regular, como costuma acontecer. Enquanto a aprovação caiu sete pontos, a desaprovação subiu também sete pontos, de 20% para 27% de novembro para cá. Regular apenas oscilou de 35% para 36%.

A insatisfa√ß√£o ainda √© meio difusa. Mas ganha contornos claros quando se pergunta aos entrevistados como avaliam o governo em diferentes campos de atua√ß√£o. E o que ocorre √© que, pela primeira vez em 39 meses de governo, a presidente tem sua gest√£o reprovada em todas as nove √°reas aferidas pela pesquisa. ‚ÄúO descontentamento aumentou mais notadamente com rela√ß√£o √†s pol√≠ticas econ√īmicas, refletindo a maior preocupa√ß√£o com rela√ß√£o √† infla√ß√£o e ao desemprego‚ÄĚ, destacou o Ibope.

Para cada brasileiro que aprova a condução da economia pelo governo Dilma, três desaprovam, segundo O Globo. A proporção é bastante próxima disso no que se refere ao combate à inflação (71% de insatisfação) e maior ainda na política de juros (73%). Nesta seara, a presidente não terá nenhuma chance de refresco: ontem, o Banco Central sinalizou que conta com inflação maior, crescimento menor e, possivelmente, juros mais altos no horizonte.

A propor√ß√£o se repete na sa√ļde: 77% de desaprova√ß√£o e somente 21% de aprova√ß√£o, numa das insatisfa√ß√Ķes mais acachapantes entre todas as nove √°reas pesquisadas ‚Äď s√≥ n√£o √© maior que a relativa aos impostos. Est√° a√≠ mais uma prova de que os brasileiros n√£o se deixam enganar por coelhos tirados da cartola para ludibriar a popula√ß√£o, como √© o caso do programa Mais M√©dicos. O mesmo acontece na seguran√ßa: 76% a 22%. Na educa√ß√£o, para cada brasileiro que aprova, dois desaprovam.

At√© √°reas consideradas caras ao PT est√£o caindo de podre. A desaprova√ß√£o j√° √© maior tamb√©m √†s pol√≠ticas de combate √† pobreza ‚Äď n√ļcleo estrat√©gico do governo entre os mais pobres e maiores eleitores de Dilma ‚Äď e de combate ao desemprego, com 57% desaprovando a atua√ß√£o da presidente em rela√ß√£o ao assunto e 40% demonstrando satisfa√ß√£o ‚Äď percentuais que eram inversos um ano atr√°s.

A repulsa à presidente Dilma também começa a se espraiar pelo interior do país, numa indicação de que a erosão na popularidade dela está mais para voçoroca. Em cidades com até 20 mil habitantes, o percentual dos que consideram a gestão atual ótima ou boa caiu de 59% para 44%. Foi a mais intensa queda entre os estratos pesquisados pelo Ibope.

A popula√ß√£o brasileira quer mudar, como v√™m mostrando todas as pesquisas de opini√£o de todos os institutos desde fins do ano passado. A novidade, por√©m, √© que a mudan√ßa j√° est√° sendo associada a nomes. Segundo outra pesquisa do¬†Ibope Intelig√™ncia, A√©cio Neves √© citado por 18% dos entrevistados como quem tem mais condi√ß√Ķes de fazer as transforma√ß√Ķes que o pa√≠s necessita. Outros 13% apontam Marina Silva e 8%, Eduardo Campos. Com Dilma afundando, o caminho est√° aberto.

 

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