A união contra o ódio (Carta 939)

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Carta de Formulação e Mobilização Política, 16 de junho de 2014, No. 939

H√° duas for√ßas pol√≠ticas em disputa hoje no pa√≠s. Uma prega o √≥dio; a outra defende a uni√£o. Uma quer dividir os brasileiros; a outra busca uma na√ß√£o que seja melhor para todos, indistintamente. Inverter estes pap√©is √© a estrat√©gia de quem sempre apostou num Brasil conflagrado e, quando colhe o que planta cotidianamente, age como o batedor de carteira que, apanhado, grita ‚Äúpega ladr√£o‚ÄĚ. Quem, mais que o PT, vem insuflando o √≥dio e tentando, com seu discurso sect√°rio, dividir o pa√≠s entre pobres e ricos, entre brancos e negros, entre elite e miser√°veis? N√£o h√° cargo nem liturgia que impe√ßam seus pr√≥ceres de exercitar sua ret√≥rica da intransig√™ncia, onde quer que a oportunidade surja. Os petistas usam todos os meios √† m√£o, l√≠citos e, principalmente, il√≠citos, para propagar sua ode √† divis√£o do pa√≠s. Quem n√£o est√° a favor do governo √© tachado de ‚Äúpessimista‚ÄĚ, de ‚Äúperdedor‚ÄĚ, de antipatri√≥tico. N√£o apenas nos palanques, mas tamb√©m em solenidades oficiais. Cadeias de r√°dio e televis√£o tornaram-se tribuna de honra para ataques partid√°rios. Os l√≠deres petistas aproveitam todos os espa√ßos dispon√≠veis ‚Äď e subvertem os que n√£o deveriam estar dispon√≠veis ‚Äď para constranger advers√°rios, sempre classificando-os como esp√©cies de vendilh√Ķes da p√°tria, traidores da na√ß√£o, feitores do povo. Quem n√£o est√° conosco est√° contra n√≥s ‚Äď √© esta a mensagem sempre veiculada pelos porta-vozes do PT. Que militantes sect√°rios ajam assim, at√© v√° l√°. Mas a coisa muda muito de figura quando at√© a presidente da Rep√ļblica n√£o se furta a desrespeitar quem pode interpor-se ao projeto de poder total de seu partido. Foi o que fez Dilma Rousseff ontem ao atacar um governador de Estado em mensagem gravada a petistas no lan√ßamento de seu candidato ao governo de S√£o Paulo. √Č assim que o PT faz pol√≠tica: atacando, achincalhando, desrespeitando. Quando tomam apupos como respostas, posam de vestais. As vaias e os xingamentos s√£o difusos, partem de gente insatisfeita com o governo, ainda que com maus modos. S√£o uma r√©plica √† forma de governar de um partido e n√£o agress√£o a uma mulher. A ret√≥rica agressiva do PT, em contrapartida, √© parte essencial de sua estrat√©gia pol√≠tica, espinha dorsal de sua l√≥gica de comunica√ß√£o. Tanto que partiu de seu marqueteiro, o 40¬į ministro da Rep√ļblica, Jo√£o Santana, a¬†compara√ß√£o¬†dos advers√°rios de Dilma a ‚Äúuma antropofagia de an√Ķes, (que) v√£o se comer, l√° embaixo‚ÄĚ. Se nove meses atr√°s a ordem unida j√° era esta, imagina agora depois da Copa… O mago das campanhas eleitorais petistas d√° a nota, mas quem executa a sinfonia de diatribes √© Luiz In√°cio Lula da Silva. A cada vez que lhe abrem os microfones para falar, o ex-presidente mostra-se incapaz de produzir uma mensagem construtiva, uma palavra em favor de uma concerta√ß√£o nacional. Sua l√≥gica sempre √© a do sectarismo. √Ä guisa de ‚Äúresponder‚ÄĚ a investida da oposi√ß√£o, o petista exercitou ontem, mais uma vez, sua prega√ß√£o do √≥dio. Mais uma vez, apostou na divis√£o da sociedade. Mais uma vez, lan√ßou m√£o de manipula√ß√Ķes da hist√≥ria e da reescrita do passado. √Č assim, e s√≥ assim, que o PT busca conseguir seus triunfos. Os brasileiros de bem n√£o suportam mais a maneira conflituosa de fazer pol√≠tica que o PT pratica. Os brasileiros de bem querem, isso sim, a reconquista da uni√£o e da civilidade. A mesma uni√£o que fez o pa√≠s superar a trucul√™ncia pol√≠tica, a instabilidade econ√īmica, o atraso social. A uni√£o que, nas √ļltimas tr√™s d√©cadas, construiu a na√ß√£o que hoje somos. O Brasil √© de todos os brasileiros e n√£o de uma fac√ß√£o que dele considera ter se apossado.

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