A m√£e do Petrol√£o (Carta 1085)

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Carta de Mobilização e Formulação Política, 23 de fevereiro de 2015, No. 1085

Dilma Rousseff finalmente deixou de lado um sil√™ncio que j√° durava dois meses. Diante do que falou na √ļltima sexta-feira, por√©m, melhor teria feito se tivesse continuado calada. Se ainda havia d√ļvidas, a presidente da Rep√ļblica mostrou n√£o estar √† altura do cargo que ocupa e dos desafios que precisa vencer. Mais parece uma marionete, num momento em que o pa√≠s clama por um l√≠der. Depois de seu mutismo, esperava-se que Dilma reaparecesse para dar ao pa√≠s sua vis√£o sobre os rumos que pretende imprimir ao governo para superar as enormes dificuldades que ela mesma criou para os brasileiros. Mas n√£o; o que se viu foi uma presidente se comportando como animadora de audit√≥rio, l√≠der de torcida, chefe de fac√ß√£o. Afirmar que o problema da roubalheira da Petrobras repousa no que supostamente aconteceu na empresa quase duas d√©cadas atr√°s √© afrontar a intelig√™ncia dos brasileiros, desrespeitar a na√ß√£o e zombar das institui√ß√Ķes. Mais que isso, desnuda a inaptid√£o da¬†presidente¬†para estar na fun√ß√£o que exerce. Dilma n√£o est√° √† altura do Brasil. Culpar o passado √© a sa√≠da mais √≥bvia de quem est√° mergulhado num presente de apuros. Como presidente do conselho de administra√ß√£o da Petrobras por quase oito anos, Dilma foi uma esp√©cie de m√£e do petrol√£o. Cabe a ela e ao PT responder pelos 12 anos de assalto do partido √† empresa, durante os quais, segundo revela√ß√Ķes da Opera√ß√£o Lava Jato,¬†meio bilh√£o de reais¬†foram desviados para os cofres petistas. O PT teve tr√™s mandatos para apurar o que supostamente teria acontecido de errado no Brasil antes da chegada do partido ao poder, em especial na Petrobras. Se n√£o o fez, das duas uma: ou n√£o encontrou nada errado, o que √© mais prov√°vel, ou n√£o quis investigar e punir eventuais culpados, o que constitui crime de prevarica√ß√£o. O √≥bvio: os problemas n√£o est√£o no passado; est√£o no presente, viv√≠ssimos. A t√°tica do ‚Äúpega, ladr√£o‚ÄĚ, t√£o bem caracterizada pelo presidente Fernando Henrique, √© usual no petismo. Sempre que flagrados com a boca na botija, o que tem sido cada vez mais comum, os partid√°rios do mensal√£o e do petrol√£o d√£o um jeito de acusar seus acusadores e de culpar os mensageiros pelo teor ingrato das mensagens. N√£o cola. O banditismo petista h√° muito deixou de ser novidade. O estarrecedor √© a in√©pcia que a presidente da Rep√ļblica demonstra para desempenhar suas fun√ß√Ķes e defender o interesse p√ļblico. ‚ÄúSe n√£o entendeu a dimens√£o e a natureza do ataque √† Petrobras, como poder√° sanear e proteger a empresa?‚ÄĚ, sintetizou¬†Miriam Leit√£o¬†no domingo. Dilma cumpre papel num script que lhe foi ditado pelo marketing e pelo seu tutor. Definitivamente n√£o sabe o que fazer diante da roubalheira sist√™mica que se espalhou no aparato estatal como cancro, sob seu nariz e com o seu benepl√°cito, institucionalizada pelo PT. Revela-se espectadora e n√£o protagonista de seu governo.

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