28 de JAN. de 2016
Condomínio fraudulento
28 de Janeiro de 2016

Nos negócios do PT, os trabalhadores entram na história aportando o suado dinheiro de suas economias, enquanto aos mandachuvas do partido sobram as benesses


Carta de Formulação e Mobilização Política, 28 de janeiro de 2016, N. 1292


Com a deflagração de mais uma fase da Operação Lava Jato, as instituições avançaram ontem um pouco mais no intento de passar o país a limpo. As investigações em marcha se aproximaram ainda mais de Lula. Mas revelam também que, quando o que está em jogo é dinheiro, o PT e seus satélites são verdadeiros algozes dos trabalhadores.


No centro das investigações da Lava Jato agora está o tríplex à beira-mar que a OAS preparou para receber a família do ex-presidente. O Ministério Público de São Paulo também já estava no encalço de Lula, sob a suspeita de que a cobertura no Guarujá (SP) nada mais é do que um mimo dado pela construtora ao ex-presidente. Ou seja, propina disfarçada.


Desde que o caso veio a público, em reportagem d’O Globo de dezembro de 2014, Lula tenta brecar as revelações. Ele chegou a mover processo contra jornalistas do jornal e, no fim do ano passado, teve um pedido de indenização negado pela Justiça do Rio. A verdade incomoda.


Os novos passos da investigação da Lava Jato baseiam-se na constatação de que o tríplex foi integralmente preparado pela empreiteira para atender o gosto do freguês e receber Lula e família com conforto faraônico de frente para o Atlântico. Enquanto os demais imóveis eram entregues a seus proprietários no osso, o do líder petista sofreu reforma de R$ 777 mil.


Reforçam a constatação os depoimentos de um engenheiro dado ontem ao Jornal Nacional e o de um primo de Luiz Gushiken publicado hoje pelo Globo. Ambos não têm dúvidas: o tríplex era de Lula e a OAS ingressou no empreendimento falido da Bancoop para concluir as obras após interferência do ex-presidente.


A lista de pessoas apanhadas ontem pela Lava Jato mostra como a cooperativa dos bancários – que já teve o hoje ministro Ricardo Berzoini e o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto à frente – zelava pelos interesses de seus associados. Eles perderam os investimentos que lá fizeram, enquanto próceres petistas se davam bem: mais de 3 mil mutuários do Bancoop foram lesados em até R$ 170 milhões.


O tríplex de Lula e o beiço aplicado pela Bancoop nos seus associados exemplificam como age a máquina de levantar dinheiro para o PT. Os trabalhadores entraram na história aportando o suado dinheiro de suas economias e ficaram com o calote, enquanto aos mandachuvas do partido sobraram as benesses.


Tanto o entorno de Lula quanto o Planalto mostraram-se alvoroçados ontem. Dilma Rousseff, ecoando a recente carta-aberta dos advogados, viu ares de Idade Média nas investigações. São reações a um mesmo sentimento: o de que a Justiça e as instituições estão marchando fortes para punir quem transformou o Brasil num cofre a ser arrombado.

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